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20 de ago de 2015

Os dois duques de Julia Quinn

Quem já leu meus livros Catarina e Jesse sabe que eu não sou indiferente a uma história contada e recontada sob pontos de vista diferentes, não é mesmo? Pois essa é uma das características preponderantes nesta pequena série de Julia Quinn. Um plot serve para dois livros: um ladrão de carruagens é identificado pela avó (uma megera odiosa) como sendo o verdadeiro herdeiro do ducado de Wyndham, o que significa que seu outro neto (o atual duque de Wyndham) será despojado do título. Cada livro contará mais de perto a história (e o romance) de cada um dos dois homens envolvidos nessa trama. Isso em si é bem legal, mas como Julia Quinn escreve sempre na terceira pessoa (ou pelo menos tudo o que eu li dela foi assim), tem alguns momentos em que fica sem graça. Mas no geral eu gostei dos dois livros.

No primeiro livro...
1) The Lost Duke of Wyndham, conhecemos Jack Audley, o charmoso ladrão de carruagem, meio Robin Hood. Por uma daquelas piadas do destino que (quase) só acontecem na ficção, ele assalta a carruagem da avó dele, a duquesa viúva de Wyndham, e ela o reconhece como filho do seu filho do meio, John, que morreu num naufrágio. Na ocasião do assalto, a duquesa viúva está acompanhada de Grace Eversleigh, sua dama de companhia, e logo rola uma atração entre Grace e o ladrão (what? yes! o começo desses dois eu achei bléééé, mas depois fiquei gostando deles). Depois de umas reviravoltas, Jack está instalado em Belgrave e o problema está exposto diante de Thomas, o atual duque de Wyndham, filho do caçula de Augusta Cavendish, a duquesa viúva. Explicando: ela teve três filhos: Charles, John e Reginald. John era o favorito. Ele fez uma viagem à Irlanda, ficou lá um tempão e morreu num naufrágio, na volta. O que ninguém sabia é que ele casou lá com uma irlandesa, e ela estava grávida na ocasião ao naufrágio, ao qual ela sobreviveu. Teve o bebê (Jack Cavendish) e morreu pouco depois, deixando-o para ser criado por sua irmã e o marido (os Audley). O filho mais velho de Augusta, Charles, deveria ser o próximo duque. Mas ele morreu de uma doença contagiosa, logo seguido por seu pai. Foi assim que o ducado passou para o caçula Reginald. E Thomas foi criado para sucedê-lo.

Acontece que Jack não quer ser duque porra nenhuma. Ele acaba admitindo que os pais se casaram legalmente, mas só porque não tinha entendido ainda que isso o colocaria na linha de sucessão. A partir daí fica verdadeiramente aterrorizado com a possibilidade, e só mais tarde vamos entender por quê. Enquanto isso, todos vão se preparando para ir à Irlanda confirmar o casamento os pais de Jack: a duquesa viúva, Grace (porque, enfim, é o trabalho dela), Jack e Thomas (porque, enfim, diz respeito a eles) e mais Amelia Willoughby (prometida a Thomas desde o berçário) e seu pai, Lord Crowland (porque, enfim, ele acha que a filha dele tem que casar com o duque de Wyndham, foda-se quem seja ele). Grace e Jack vão se apaixonando e se pegando pelos entremeios da história. Grace sabe que, se Jack for mesmo o duque, ela tá ferrada pois ele nunca poderá se casar com ela. Jack tá mais preocupado em não ser o duque, e tá certo de que vai dar um jeito de casar com Grace de qualquer maneira. É legal porque nenhum dos dois fica de cu doce e logo admitem para si mesmos que estão apaixonados (e o Jack logo pra ela tb, assim que ele se dá conta). Eu gosto super do Jack! Ele é mega legal.

SPOILER DO FINAL

No fim das contas, num desfecho emocionante na Irlanda, Jack e Thomas vão sozinhos, de madrugadinha, verificar os registros paroquiais e descobrem que Jack é o verdadeiro duque. Acontece que pouco antes é que nós, leitores, entendemos a razão do medo de Jack. Ele não sabe ler. Não consegue. Claro que ele não sabe, mas a verdade é que ele é disléxico. O cabra ainda tenta criar uma mentira, arranca a página do registro joga no fogo, mas Thomas não deixa a mentira seguir e conta a verdade a todos quando chegam. Daí Jack pede Grace em casamento ali mesmo, e já que ele é o duque então foda-se, ele vai fazer o que ele quiser, e a avó que se exploda. Tudo dá certo no final, porque Grace conhece Belgrave bastante bem e o ajuda com a parte da leitura. Happy ending all right.

FIM DO SPOILER

2) Mr. Cavendish, I presume

Eu fiquei com muita vontade de conhecer melhor o ponto de vista do Thomas nessa história, e é mais interessante que o do Jack. Afinal ele é o personagem que foi colocado no limite, ele vai perder tudo. Isso é sempre interessante num personagem! Então neste livro acompanhamos Thomas e Amelia, e o romance deles é MUITO legal. Gosto muito da Amelia, ela é uma personagem bem arrematada, e o Thomas também. Porém.

O porém é que eu acho que, com esse plot, o segundo livro perde um pouco pro primeiro por já sabermos o desfecho. Claro que ainda tem o romance dos dois pra se resolver, mas mesmo assim perde. Isso não é o pior. Algumas cenas ficaram super sem graça, como a da Amelia quando conhece o Jack em Belgrave. Essa cena não deveria nem aparecer nesse segundo livro, minha opinião. Aparece só porque Amelia estava presente, só que ela não tem nenhum envolvimento ali. O resumo da cena é "não estou entendendo nada do que está acontecendo nesta casa e entre estes dois (Jack e Grace), alguém está me escondendo alguma coisa blablabla". Super chato e não adiciona nada à história. Nessa parte a Amelia até nem parece muito ela própria, porque ela fica tão sem função na cena que é mais um vaso decorativo e, enfim, entenderam? Os plots simultâneos são interessantes, mas teve uns escorregões.

Em termos de romance, se me perguntarem, Thomas + Amelia >>>>>> Jack + Grace. Eu diria que todo o conflito é melhor, pois eles têm um histórico ruim que precisam superar, a paixão cresce de um jeito interessante e crível (não que a do Jack e da Grace não seja), e o desfecho é suuuuper fofo! Um adendo: Thomas é o cara viril com father issues e que tem medo de se apaixonar (pela Amelia, naquele momento específico), aquela coisa batida de Julia Quinn, MAS: father issues sob controle, ninguém precisou ficar de saco cheio com isso, além de que ficou bem natural, visto que, aparentemente, a família Cavendish é um cu. Aquela avó, pelas barbas do profeta, que bruxa! Natural que ele não se desse com o pai, no fundo ninguém em Belgrave se dava com ninguém. Natural que ele fosse todo sisudo e cheio de si, foi criado para ser o duque. Natural que ele evitasse se envolver com Amelia, já que estava prestes a perdê-la. Todos os clichês foram bem aplicados, e não daquele jeito band-aid decorativo, vou colocar isso aqui só pra complicar o romance. Tudo muito satisfatório, well done, JQ!

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