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28 de jul de 2016

Meus dois centavos sobre Johnlock (e já tô achando caro)

Relutei muito em escrever sobre Johnlock. Eu já deveria ter aprendido que eu nunca devo lutar contra um tema que coça nas pontas dos meus dedos. Por outro lado, é bom escrever sobre isso agora, quando parece que o assunto pode sossegar.

Embora eu saiba que não vai.

Pra começar do começo, eu não sou Johnlocker. Eu não sou Sherlolly. Eu não tenho ship. Eu acho que Sherlock Holmes não tem que ter envolvimento romântico com ninguém. Eu acho impossível dissociar qualquer adaptação de Sherlock Holmes do cânone original de Conan Doyle. Acho que se fosse pra dissociar, que usassem outro nome, criassem outro personagem. O cânone de Doyle é a bíblia da minha religião, não gosto de bulir com isso.

Mas o nome é "adaptação", né? Então é claro que mexem com algumas coisas. E Sherlock da BBC já começa mudando o time setting. Mas faz tudo com brilhantismo, etc. e tal, vcs já sabem e eu não preciso explicar por que amo a série. Quero falar é de Johnlock.

Na adaptação pro século 21, seria ridículo se ninguém fizesse ao menos uma piada com os dois caras morando juntos, sendo que um deles nunca tem namorada. É claro que tinha que ter esse tipo de insinuação, pois na vida real era o que aconteceria. Na primeira temporada isso foi feito de uma forma muito legal, que era leve e era engraçada e não comprometia Sherlock como gay ou hétero. Ele não era porra nenhuma. Logo no segundo episódio, John já estava atrás de namorada. Ou seja, os elementos que tínhamos à nossa disposição informavam o seguinte, se a gente tem que se prender a esses termos: um assexual, um hétero. Era o que tínhamos.

Mas surgiu Johnlock. E era natural que surgisse, no século 21, esse ship. Existe uma necessidade de sexualizar tudo, neste tempo em que vivemos, e sexo vende. E televisão é um produto. Nada vende mais que sexo. As pessoas querem consumir sexo, muitas vezes elas querem mais consumir do que fazer (acreditem, é verdade). Muitos acusam Gatiss e Moffat de queerbaiting (atrair o público LGBT com pistas, brindes, migalhinhas de um relacionamento gay que nunca se concretiza). Mas, gente, tem "hetero baiting" ali também. O que vcs acham que é Irene Adler? Ou mesmo a Janine? O baiting é generalizado, porque os criadores do programa sabem que sexo vende. Então o que o público faz com esse bainting? Se apropria. A apropriação da produção cultural alheia, com a internet, é algo inevitável, e daí surgiram as fanfics. Com hiatos tão longos como os de Sherlock, tinha mais coisa acontecendo fora do controle dos criadores da série do que sob o controle deles.

Mas a série ainda é deles, mesmo que tenha gente que acha que sabe mais sobre o que eles inventaram do que eles próprios (por mais estranho que isso soe). Eles são os criadores, nós somos o publico. A gente até pode deixar de gostar de um programa, veja bem, isso é perfeitamente possível. É a nossa liberdade como público. Pra dar um exemplo pessoal, House caiu muito no meu conceito quando ele se envolveu com a Cuddy. Assim como Sheldon e Amy. Sim, eu não gosto de sexualizar e romantizar tudo, por mais estranho que isso possa parecer vindo de uma escritora de romances. Eu acho que tem uns personagens que perdem muito quando isso acontece, e eu perco meu interesse. Se um dia John e Sherlock se tornassem um casal na série, eu provavelmente perderia interesse. É por isso que hoje eu estou feliz. Porque os criadores da série garantiram que isso não vai acontecer.

Como vcs podem ter percebido, eu disse que perdi o interesse por House e The Big Bang Theory quando seus personagens entraram em relacionamentos. Relacionamentos hétero. Mesmo assim, é de praxe acusar de homofobia quem não shippa Johnlock. Já tive que argumentar e justificar, até falando da minha própria bissexualidade, o que é ridículo, convenhamos. Porque se vc chega dizendo que não é Johnlocker vc tem que apresentar seus argumentos e aí a pessoa vai ver se eles são válidos e, se não forem, vc é homofóbico.

Sim, é isso aí.

Bom, então deixa eu pincelar uma realidade pra vcs.

Suponhamos que eu seja hétero. Suponhamos que eu ame Sherlock BBC e eu seja das que gostaria mesmo de ver Sherlock se engraçar com alguém. O que vc acha que despertaria meu tesão? Sherlock com uma mulher ou Sherlock com um homem?

BINGO.

Então, de repente, pode ser que a coleguinha que shippa Sherlolly ou Adlock seja apenas hétero, e não homofóbica. Veja só! Sim, eu sei, coitada dela, ser hétero. Ser bi é muito mais legal, concordo. Mas tb parece que Johnlockers não acham bacana ser assexual, então na minha opinião também estão fazendo juízo de valor com orientação sexual. Ser gay é melhor que ser assexual? Ser hétero é melhor que ser gay? Se eu não sou Johnlocker, eu sou homofóbica? Se eu sou Johnlocker, eu odeio assexuais ou eu acho que eles não existem?

NÃO, PORRA. Isso tá indo longe demais! Tá indo longe demais porque, muitas vezes, tá escondendo debaixo desse ativismo um machismo mal disfarçado. Dois homens são amigos, muito amigos. São, provavelmente, as pessoas mais importantes da vida um do outro. Isso tem que ser sexualizado porque só viado sente isso por um homem. Um John hétero jamais gostaria tanto assim de um Sherlock, então tem que ser gay. Mulheres podem ser muito amigas, mas se for homem, aí já são gays. Um machismo que muitas vezes descamba pra misoginia contra a personagem da Mary, e contra a atriz, Amanda Abbington. Pra piorar, Amanda tem a audácia de ser casada com Martin Freeman na vida real. Sim, porque é claro que o ship extrapola e tem muita gente por aí que shippa Freebatch. Sim, os dois atores. Aquelas duas pessoas que têm vida própria. Que existem. Que dormem, acordam, trabalham, têm família. Tem fãs que pegam e escrevem fanfics deles dois juntos. Tem gente que leva isso a sério, além das fanfics, e acha que é real. Eu só acho isso maluco. Mas quando essa maluquice se torna ódio contra as esposas dos dois, aí eu não gosto mesmo. Esse é o limite que eu não suporto.

Acontece que tudo isso aí é o que acontece fora do controle dos showrunners. Só que o show continua sendo criado por aquelas pessoas, que trabalham com isso, que desenvolvem os personagens, os enredos, tudo aquilo, e, em última instância, a decisão é deles. E agora eles disseram, com todas as letras, que Johnlock não é real. Que não está acontecendo, que não vai acontecer, e que não é pra ninguém esperar por isso porque não é essa a história que eles estão contando.

E tem gente cobrando Mark Gatiss, homossexual assumido, por mais representatividade.

Isso não é só insano.

Isso. É. Cruel.

No fundo eu penso que, do jeito que Gatiss e Moffat conduziram as coisas, eu poderia ter sido persuadida a ser Johnlocker. Poderia ter sido divertido. O problema é que os Johnlockers estragaram o Johnlock.


4 de dez de 2015

Agents of the Crown - resenha de série da Julia Quinn

É a primeira série da Julia Quinn que eu leio e que não está ligada a uma única família (acho que é a única mesmo). Embora a série dos Bevelstokes seja meio "enganadora" nesse aspecto (ainda vou escrever sobre essa série), pois o terceiro livro não é sobre nenhum dos Bevelstokes. A série Agents of the Crown conta duas histórias protagonizadas por dois amigos e espiões do War Office. Esse mote é bem aproveitado, na minha opinião é uma boa série, mas tenho uma restrição ao segundo livro. Vamos chegar lá.

1) Em To catch an heiress, o agente da coroa é Blake Ravenscroft, que aqui na minha cabeça é um dos mocinhos mais bonitos que Julia já descreveu (eu gosto muito do Jack Audley tb). Por engano, Blake captura a herdeira desventurada Caroline Trent, achando que ela é a espiã internacional Carlotta de Leon. Caroline é quase uma Baudelaire, de tantas desventuras que passou na mão dos seus tutores, desde que ficou órfã. Basicamente todos só queriam saber de meter a mão na herança dela, e o último deles, Oliver Prewitt, era também contrabandista e aparentemente também um traidor, ao que tudo indica. Afinal Blake estava investigando o próprio, e suas ligações com espiões, quando viu Caroline fugir de casa após quase ser estuprada pelo filho de Oliver Prewitt. Como estava de tocaia pra pegar uma espiã, Blake capturou Caroline por engano. E passam-se alguns dias ainda até que o mal-entendido se desfaça, com a ajuda de James Sidwell, Marquis of Riverdale, protagonista do próximo livro da série e amigo e parceiro de Blake que, por acaso, sabia a cara que deveria ter a espiã Carlotta de Leon, portanto sabia que Caroline era a mulher errada.

Caroline, no entanto, ficou na moita o quanto pôde, já que suas alternativas, fugindo de casa quase sem dinheiro e sem conhecer ninguém, não eram muito melhores. Quando ela entendeu que o seu captor não ia machucá-la, somente interrogá-la, ela resolveu enrolar. E o fez muito bem! São cenas hilárias, até que Blake descubra que Caroline não é espiã coisa nenhuma. Como pagamento por ter, enfim, mantido a garota em cárcere privado, né?, Blake concorda em abrigá-la até que ela complete 21 anos e tenha acesso a sua herança legalmente, já que ela não pode voltar pra casa de um tutor que é um criminoso, coisa que agora todos três (Caroline, Blake e James) já sabem.

Esse livro é legal por ter esse trio de amigos. É claro que a gente sabe que tá rolando o romance entre Blake e Caroline, mas James está presente em boa parte do livro, e há ação e aventura, e as cenas são ótimas entre eles três. O conflito é que Blake perdeu a noiva, brutalmente assassinada em uma missão na qual ele deveria ter ido, e ele se sente horrivelmente culpado. Ele começa a gostar de Caroline, mas se sente traindo a memória da noiva morta, além de que ele se acha mesmo um merda, que não merece mais o amor (ou só tem medo mesmo). É um conflito interno bem montado, mesmo que pareça um pouco clichezão. Caroline, por outro lado, nunca foi tão feliz. Nunca teve uma vida familiar nem amigos, só viveu cercada de gente interesseira, e não demora muito pra ela se apaixonar por Blake. Ela é carente, isso é tão evidente quanto é justificável.

O negócio enrosca quando a irmã de Blake chega e descobre o arranjo. Ela fica chocada, afinal, porra, isso arruinou a reputação da Caroline! Como ela pode viver sozinha ali com aqueles dois caras e só uns dois ou três criados? Pois então ela decide que um dos dois vai ter que reparar o erro (mesmo que ninguém tenha deflorado a moça) e casar com ela.

É claro que a esta altura todo mundo já sacou que Blake está doidinho por Caroline, mas não admite. Então James afirma que vai se casar com Caroline, se Blake não o fizer. E ele tá falando sério (embora tb deseje com isso provocar uma reação no amigo). Isso apressa as coisas na cabeça de Blake, e ele toma uma decisão enfim e fica com ela. Já depois de casados é que o imbróglio da espionagem internacional se resolve, não sem muita emoção e perigo, e a aparição da verdadeira Carlotta de Leon!

Quer saber? É um dos melhores livros da Julia Quinn!

2) Já esperamos que em How to marry a marquis o protagonista seja James Sidwell, o marquês de Riverdale, amigo de Blake. O que não esperávamos é que ele fosse... sobrinho da Lady Danbury! Gratíssima surpresa, é claro. Lady Danbury é tão legal que eu acho que a Julia deveria escrever um romance sênior pra ela. Imaginem só a Agatha se apaixonando? Ia ser épico!!

Voltando ao livro, a mocinha aqui se chama Elizabeth Hotchkiss, e a situação dela é desesperadora. Há cinco anos Elizabeth é responsável pelos três irmãos mais novos, desde que o pai morreu (a mãe já havia morrido antes). Ela trabalha como dama de companhia de Lady Danbury, mas o salário dela não dá muito bem pra sustentar os irmãos. Ela finalmente entende que a única solução é casar. A família dela é da pequena nobreza, seu irmãozinho é um baronete, e "precisa" estudar em Eton, o que é caro pra cacete. Enfim, ela precisa casar com alguém que tenha grana. Daí um dia ela acha na biblioteca da Lady Danbury um livro chamado "How to marry a marquis". É claro que ela acha uma bobagem, mas na situação dela, né? Qualquer ajuda é bem-vinda. Ela leva pra casa o livretinho e sua irmã adolescente Susan passa a se dedicar à leitura, repassando os conselhos da escritora para Elizabeth. Um dos conselhos é que ela pratique com um outro homem antes de ter um marquês em vista. E o único disponível com quem Elizabeth convive é o administrador da propriedade de Lady Danbury, um tal de James... Siddons.

Hein? Acontece que Lady Danbury mandou chamar o sobrinho espião porque estava sendo chantageada e pediu que ele investigasse o caso, disfarçado como funcionário dela. James aceita prontamente, ele deve muito à tia que o acolhei na infância no pior momento de sua vida. E lá vai ele... ser "cortejado" por Elizabeth a título de treinamento. Ele descobre o livreto, e a coincidência é tamanha que ele resolve ajudá-la e arranjar marido. Elizabeth acha, é claro, que ele é um pobretão e que não servirá pra casar com ela realmente, mas o fato é que ela se apaixona por ele de verdade. E, bom, ele também, mesmo que ele não perceba isso logo de cara.

E é aqui que começa o problema.

E o problema é: por que James não conta logo pra Elizabeth que ele é rico (e marquês!) e casa com ela?

Vejamos: já sabemos, desde o livro anterior, que James não é do tipo que foge do casamento. Por muito menos ele já estava disposto a casar com Caroline Trent. Ele sabe que precisará casar um dia, e mesmo que ainda não tenha entendido que ama Elizabeth, já está claríssimo que o que sente por ela é maior do que qualquer outro sentimento que ele já tenha tido por outra mulher. No começo ele chega a considerá-la suspeita da chantagem, mas já não pensa mais assim. E aí vem o pior de tudo: ELIZABETH SABE QUE ELE ESTÁ INVESTIGANDO ESSA CHANTAGEM. Ou seja, qualquer alegação de que ele não pode se revelar pra ela para protegê-la do "perigo" que essa investigação pode ter (não teve perigo NENHUM até ali, ok?) é inteiramente injustificada, já que ela JÁ SABE da investigação. A única coisa que ela NÃO SABE é a identidade dele! Se houver algum perigo no caso de chantagem, ela já está envolvida! Manter a identidade dele em segredo serve unicamente pra complicar a situação pessoal deles, já não a protege de nada. Ou seja, um livro bem redigido, com personagens carismáticos e um romance genuinamente envolvente (eles dois são ótimos, e até mais quentes do que Blake e Caroline), perde interesse porque tem uma falha central de argumento! Se o conflito não convence, se o problema a ser resolvido não se vende... Bom, fica difícil.

Pra terminar, Elizabeth descobre a identidade ele, fica puta da vida, faz um escândalo exagerado porque nem quer deixar ele se explicar, enfim, fica aquela enrolação chata por umas boas páginas. O que salva o final do livro é Lady Danbury! E aqui eu vou parar, mesmo já tendo dado quase todos os spoilers possíveis, mas caso alguém leia este post sem ter lido o livro, eu não quero ser a responsável por estragar essa surpresa. :)

É um série bem legal, no geral. Eu gosto muito dos quatro personagens principais. Se não fosse esse furo MEDONHO no argumento do segundo livro, seria uma série perfeita.

30 de nov de 2015

Resenha e crítica - Everything and the Moon (Julia Quinn)

Eu costumo escrever as resenhas dos livros da Julia Quinn por série (nem sei de onde tirei de fazer disso uma tradição), mas não vou aguentar desta vez...

Everything and the Moon é o primeiro livro da série das irmãs Lyndon, filhas de um vigário. Neste livro acompanhamos o romance entre a irmã mais velha, Victoria, e Robert, conde de Macclesfield (que eu já tinha visto em The Duke & I), filho do marquês de Castlefor (o título de Robert é de cortesia, até ele herdar o do pai). O início desse livro é muito promissor, pois Julia quebra alguns hábitos seus, e eu destaco dois: os personagens se apaixonam imediatamente, e o rapaz não tem aquele já famoso "medo de amar". Ele é, aliás, bem mais intenso e entregue do que a moça. No começo do livro eles são bem jovens, ela tem só 17 anos. Ele acho que tem 24. Inicia-se uma corte. Ele fica visitando, passeando com ela (com a companhia da irmã caçula Ellie, que "some" convenientemente mediante pagamento de Robert), eles se agarram bastante, até.

Só que o vigário está desconfiadíssimo, porque não acredita que um conde vá casar com a filha de um vigário. Portanto ele acha que Robert só quer arruinar Victoria. Como ele não pode simplesmente proibir a corte (imagina que ele vai se indispor com o conde!), ele ordena que Victoria rompa com Robert. Diante disso, Robert resolve então propor casamento a Victoria. Só que aí é o pai de Robert que se contrapõe com vigor, e ameaça deserdá-lo. Robert nem dá crédito, não acredita que o pai vá deserdar o único herdeiro. Então o marquês propõe, venenosa e espertamente, que ele diga a Victoria que será deserdado se casar com ela, e veja o que ela vai fazer, já que o marquês está certo de que a moça só quer o título e a fortuna.

Bom, estamos falando aqui de dois jovens bem jovens. Ambos discordam da ideia que seus pais fazem de seus seres amados, mas ficam meio balançados, né? Robert propõe a Victoria que fujam pra casar, pois seu pai vai deserdá-lo. Ela fica perturbadíssima. Aceita, mas sob a condição de que Robert se esforce pra ficar de bem com o pai depois do casamento, ou que pelo menos tente. Robert aceita, e eles marcam a fuga. Na noite marcada, ele espera, espera e ela não aparece. Entre preocupado e furioso, ele vai até a janela do quarto dela e ela está deitada, debaixo das cobertas. Furioso e de coração partido, acreditando que o pai estava certo o tempo todo, Robert vai embora pra Londres.

Acontece que Victoria estava amarrada à cama, sob as cobertas, pois seu pai pegou ela no flagra antes de fugir e a amarrou com lençóis. Só a soltou dias depois, e aí ela saiu correndo até o castelo do marquês para procurar por Robert. Foi informada de que ele foi embora, e o marquês ainda aproveita pra dizer pra ela que Robert só queria se aproveitar dela, e que desistiu porque já estava "dando muito trabalho".

Temos um plot, hein? Hum-hum, muito bom! Um mal entendido bem engendrado e dois corações partidos.

Sete anos se passam. Incapaz de perdoar o pai por tê-la amarrado (e menos ainda por ele estar certo sobre Robert!), Victoria sai de casa e vai trabalhar como governanta. Passa por várias casas de nobres, educando crianças, sendo humilhada esposas, assediada por maridos e odiando a própria vida. Como não é de surpreender, os dois acabam se encontrando (não é inverossímil, a nobreza conta com poucos membros, afinal) numa festa na casa dos patrões de Victoria, onde Robert é convidado de honra. O reencontro é tempestuoso. Resumindo, os dois ainda nutrem fortes sentimentos um pelo outro, o que inclui tesão e raiva, é claro. E muita mágoa.

É evidente que o homem tem a situação privilegiada nessa sociedade, ainda mais sendo ele um nobre e ela uma assalariada. Robert decide se vingar. O objetivo dele é arruinar Victoria diante de sua patroa, pra que ela seja mandada embora e se torne sua amante. Sórdido, né? Ele está magoado, coitado. Ele a ama, na verdade. Ok, ao longo do plano ele meio que vai tendo suas dúvidas. Ele acaba provocando uma situação em que eles são pegos aos beijos não pela patroa, mas por um lorde inescrupuloso e safado que, mais tarde, resolve ter a sua vez com Victoria, julgando-a "dessas". Resultado: ela é quase estuprada. Quase, porque Robert chega a tempo e enche o lorde de porrada. Eles se aproximam bastante nessa ocasião. Só que o lorde fala cobras e lagartos pra patroa, torcendo a verdade a seu favor, e Victoria por fim é mandada embora mesmo. Robert fica desesperado pois não sabe pra onde ela foi. Sente-se culpado, né? Ô, pobrezinho. Ah, e nesse ínterim ele foi fazer uma visitinha ao pai dele, e em seguida à irmã de Victoria, e, enfim, ele fica sabendo de toda a velha verdade de sete anos atrás. Agora ele está MESMO se sentindo culpado e determinado a encontrar Victoria, dizer que a ama e casar com ela.

Estamos ainda dispostas a perdoar esse camarada, que afinal tinha sido tão enganado quanto ela e achava que ela era uma interesseira e aproveitadora? Olha só, estamos, sim. Mas porém contudo entretanto...

Passam algumas semanas e eles, pá, se encontram por acaso em Londres. A situação é toda outra. Victoria está trabalhando numa loja de vestidos como costureira e vendedora, morando numa pensão pra moças num bairro pobre e violento, porém, gente, ela está FELIZ. Ela se sente independente, gosta do trabalho, gosta da sua patroa e das colegas. Aí chega o Robert. Pô, ok, ela ainda gosta dele, e aí ele conta tudo pra ele como foi que eles foram enganados pelos pais, e a pede em casamento. Ela diz que não. Ela está muito magoada, ele partiu o coração dela DUAS vezes, ela não tá confiando de se meter com esse cara de novo. Eu posso achar que ela não precisava ter recusado. Mas ela recusou, então foda-se o que eu acho. Só que o Robert, no caso, acha que foda-se o que ELA DECIDE, porque ela está errada, ele é que está certo, e ele vai provar isso usando os métodos mais brutos possíveis. Ele passa a segui-la pra todo canto, "oferecendo" caronas e uma proteção que ela NÃO quer. Ele fica indignado com a pocilga onde ela vive e DECIDE que não serve pra ela, que ela não pode ficar ali. O tempo todo Victoria o recusa. Sim, é um romance, dá pra notar que ela está fragilizada e confusa, que ela gosta dele, mas pela primeira vez em sete anos ela estava feliz, ela não quer abrir mão disso.

E aí ele a sequestra.

Fingindo uma "caronazinha inocente", ele a leva pra uma de suas propriedades e manda o cocheiro embora.

Ela protesta, até bastante, digamos assim, mas nunca com seriedade. O que eu quero dizer com "nunca com seriedade"? Ela protesta mas não deixa de dar corda pra ele. No fundo, com ou sem protestos, esse sequestro é tratado o tempo todo como algo romântico. Algo que o amor justifica. Agora me digam: no que isso é diferente do que o pai dela fez com ela sete anos atrás? Ele julgou o que era melhor pra ela, tomou uma decisão por ela, que ela recusou, e ele impôs a decisão dele à força. Robert agiu igualzinho ao pai dela. E o resultado? Adivinhem: ela o ama, ela vai pra cama com ele, ela casa com ele e dá filhos pra ele.

*suspiro*

Eu sei que Julia Quinn escreve livros históricos. Mas eu sei, e todo mundo sabe, que ela os escreve AGORA. No século 21. Eu sei que os papéis sociais e papéis de gênero eram outros, mas Julia se permite abrir exceções (vcs acham que a taxa de gente se casando por amor e trepando antes de casar era compatível com os livros dela? vcs acham que as pessoas tinham esse humor sarcástico em 1800 e bolinha? nem em 1970 tinham!). Ela abre exceções, e tudo bem! É ficção! Por isso mesmo é que ela não podia ter feito isso, ela não podia ter legitimizado esse homem abusador. Ela justificou o abuso com "amor". Ela permitiu que o cara se desse bem no final e fosse o herói da mocinha. Não interessa se isso era "verossímil" na época. Ela poderia perfeitamente não ter escolhido legitimizar isso, mas ela legitimizou.

Eu adoro os livros da Julia Quinn. Já tive algumas críticas, inclusive de enredo (brevemente farei um post sobre a série Agents of the Crown), e algumas desse gênero mesmo, mas eram pequenos deslizes. Desta vez foi demais. No fundo eu acho que o livro devia ter umas 100 páginas a menos, e ela enrolou uma boa metade. E nessa enrolação, ela se enrolou feio. Mas não tem desculpa. Victoria pode ter perdoado Robert, mas eu não vou perdoar Julia por essa.

27 de ago de 2015

Aquela inesquecível derrota

Eu amo futebol. Eu amo o Paysandu.

E ontem eu fui ver um jogo de futebol em um estádio pela primeira vez na minha vida.

Só que isso não é exatamente verdade. Meu tio é narrador (Guilherme Guerreiro, porra!) e foi com ele que eu fui a um estádio pela primeira vez. Era o Barão de Serra Negra, XV de Piracicaba e Remo, acho que era 1999. Só não risco essa experiência da minha memória por amor ao meu tio, porque estrear vendo o Remo ninguém merece. Então faz de conta que eu só fui acompanhar meu tio no trabalho dele, ok?

Aí teve aquele Brasil x Argentina no Mangueirão em 2011, Superclássico das Américas. Eu fui. Eu considero que aquilo foi minha estreia no Mangueirão. E só.

Uma amiga me perguntou agora: por que vc nunca foi ao estádio? "Vc mora aí, o seu time tá aí, achei que vc ia sempre."

Eu nunca tinha ido porque nunca ninguém me levou, pra começar. Meus pais não iam. Eu sou menina, então meus primos e tios não me chamavam pra ir. Eu fui me apaixonando por futebol sentada confortavelmente num sofá, e enquanto vc não sabe o que tá perdendo num estádio, vc não se incomoda de continuar confortável. Acabei por me acomodar. Mas no fim acabei por me incomodar. Mais do que pelo amor pelo futebol. Pelo amor pelo Paysandu. Porque se vc não é bicolor, meu amigo, vc não sabe que esse amor não se instala quieto. Ele cresce, e cresce, e sempre continua crescendo. Aí meu filho nasceu. Ele me deu muito mais coisas do que dores nas costas e sono. Ele me deu vontade de levá-lo ao estádio. Mas a primeira dívida era comigo, e eu fui. Me sentindo velha pra essa estreia, não sabendo os rituais, perdida nos caminhos, guiada por gente mais nova que eu, eu fui.

E foi a primeira vez que eu fui assistir um jogo de futebol num estádio. Era o Mangueirão, era o Paysandu. Agora sim tava tudo certo. Porque, sejamos honestos, ver jogo da seleção é outra coisa, de outra natureza, é quase outro esporte. Seleção vc vai pela festa, a coisa toda é festiva. Não tem nervosismo, não tem a intensidade daquela paixão devoradora de entranhas, suadouros, tremedeiras, raivas e melancolias. Sabe aquela pessoa que tem uma casa e aluga a casa dela para veranistas quando ela sai de férias? É isso. Ver a seleção no Mangueirão é o veranista. Ontem eram os donos da casa.

Toda a dinâmica é de outra ordem. Mesmo que algumas pessoas estejam presentes nos dois tipos de evento, são outras pessoas. A relação entre elas é outra, é outro o barro de que são feitas. Estamos transitando em outra camada de nossas vidas. É mais basal, é mais essência.

Eu não consegui assistir o jogo. Só presenciei. Eu não conseguia prestar atenção racionalmente ao jogo. Tipo "tá ruim aqui, melhore ali, fulano isso, beltrano aquilo". Os primeiros 45 minutos foram de frio na barriga o tempo inteiro. Juro, sem exagero. O tempo inteiro. Parecia que a minha vida tava se decidindo ali, um teste de compatibilidade de doação de órgão, se tudo der errado minha morte é certa.

Claro que não é. Tô bem viva aqui. O final foi melancólico, mas não houve mortes. O que houve foi futebol, com paixão e melancolia, festa e ressaca. Hino do Pará cantado pela multidão. Porque, afinal, como diz o Guerreiro, "é Pará, isso!".

20 de ago de 2015

Os dois duques de Julia Quinn

Quem já leu meus livros Catarina e Jesse sabe que eu não sou indiferente a uma história contada e recontada sob pontos de vista diferentes, não é mesmo? Pois essa é uma das características preponderantes nesta pequena série de Julia Quinn. Um plot serve para dois livros: um ladrão de carruagens é identificado pela avó (uma megera odiosa) como sendo o verdadeiro herdeiro do ducado de Wyndham, o que significa que seu outro neto (o atual duque de Wyndham) será despojado do título. Cada livro contará mais de perto a história (e o romance) de cada um dos dois homens envolvidos nessa trama. Isso em si é bem legal, mas como Julia Quinn escreve sempre na terceira pessoa (ou pelo menos tudo o que eu li dela foi assim), tem alguns momentos em que fica sem graça. Mas no geral eu gostei dos dois livros.

No primeiro livro...
1) The Lost Duke of Wyndham, conhecemos Jack Audley, o charmoso ladrão de carruagem, meio Robin Hood. Por uma daquelas piadas do destino que (quase) só acontecem na ficção, ele assalta a carruagem da avó dele, a duquesa viúva de Wyndham, e ela o reconhece como filho do seu filho do meio, John, que morreu num naufrágio. Na ocasião do assalto, a duquesa viúva está acompanhada de Grace Eversleigh, sua dama de companhia, e logo rola uma atração entre Grace e o ladrão (what? yes! o começo desses dois eu achei bléééé, mas depois fiquei gostando deles). Depois de umas reviravoltas, Jack está instalado em Belgrave e o problema está exposto diante de Thomas, o atual duque de Wyndham, filho do caçula de Augusta Cavendish, a duquesa viúva. Explicando: ela teve três filhos: Charles, John e Reginald. John era o favorito. Ele fez uma viagem à Irlanda, ficou lá um tempão e morreu num naufrágio, na volta. O que ninguém sabia é que ele casou lá com uma irlandesa, e ela estava grávida na ocasião ao naufrágio, ao qual ela sobreviveu. Teve o bebê (Jack Cavendish) e morreu pouco depois, deixando-o para ser criado por sua irmã e o marido (os Audley). O filho mais velho de Augusta, Charles, deveria ser o próximo duque. Mas ele morreu de uma doença contagiosa, logo seguido por seu pai. Foi assim que o ducado passou para o caçula Reginald. E Thomas foi criado para sucedê-lo.

Acontece que Jack não quer ser duque porra nenhuma. Ele acaba admitindo que os pais se casaram legalmente, mas só porque não tinha entendido ainda que isso o colocaria na linha de sucessão. A partir daí fica verdadeiramente aterrorizado com a possibilidade, e só mais tarde vamos entender por quê. Enquanto isso, todos vão se preparando para ir à Irlanda confirmar o casamento os pais de Jack: a duquesa viúva, Grace (porque, enfim, é o trabalho dela), Jack e Thomas (porque, enfim, diz respeito a eles) e mais Amelia Willoughby (prometida a Thomas desde o berçário) e seu pai, Lord Crowland (porque, enfim, ele acha que a filha dele tem que casar com o duque de Wyndham, foda-se quem seja ele). Grace e Jack vão se apaixonando e se pegando pelos entremeios da história. Grace sabe que, se Jack for mesmo o duque, ela tá ferrada pois ele nunca poderá se casar com ela. Jack tá mais preocupado em não ser o duque, e tá certo de que vai dar um jeito de casar com Grace de qualquer maneira. É legal porque nenhum dos dois fica de cu doce e logo admitem para si mesmos que estão apaixonados (e o Jack logo pra ela tb, assim que ele se dá conta). Eu gosto super do Jack! Ele é mega legal.

SPOILER DO FINAL

No fim das contas, num desfecho emocionante na Irlanda, Jack e Thomas vão sozinhos, de madrugadinha, verificar os registros paroquiais e descobrem que Jack é o verdadeiro duque. Acontece que pouco antes é que nós, leitores, entendemos a razão do medo de Jack. Ele não sabe ler. Não consegue. Claro que ele não sabe, mas a verdade é que ele é disléxico. O cabra ainda tenta criar uma mentira, arranca a página do registro joga no fogo, mas Thomas não deixa a mentira seguir e conta a verdade a todos quando chegam. Daí Jack pede Grace em casamento ali mesmo, e já que ele é o duque então foda-se, ele vai fazer o que ele quiser, e a avó que se exploda. Tudo dá certo no final, porque Grace conhece Belgrave bastante bem e o ajuda com a parte da leitura. Happy ending all right.

FIM DO SPOILER

2) Mr. Cavendish, I presume

Eu fiquei com muita vontade de conhecer melhor o ponto de vista do Thomas nessa história, e é mais interessante que o do Jack. Afinal ele é o personagem que foi colocado no limite, ele vai perder tudo. Isso é sempre interessante num personagem! Então neste livro acompanhamos Thomas e Amelia, e o romance deles é MUITO legal. Gosto muito da Amelia, ela é uma personagem bem arrematada, e o Thomas também. Porém.

O porém é que eu acho que, com esse plot, o segundo livro perde um pouco pro primeiro por já sabermos o desfecho. Claro que ainda tem o romance dos dois pra se resolver, mas mesmo assim perde. Isso não é o pior. Algumas cenas ficaram super sem graça, como a da Amelia quando conhece o Jack em Belgrave. Essa cena não deveria nem aparecer nesse segundo livro, minha opinião. Aparece só porque Amelia estava presente, só que ela não tem nenhum envolvimento ali. O resumo da cena é "não estou entendendo nada do que está acontecendo nesta casa e entre estes dois (Jack e Grace), alguém está me escondendo alguma coisa blablabla". Super chato e não adiciona nada à história. Nessa parte a Amelia até nem parece muito ela própria, porque ela fica tão sem função na cena que é mais um vaso decorativo e, enfim, entenderam? Os plots simultâneos são interessantes, mas teve uns escorregões.

Em termos de romance, se me perguntarem, Thomas + Amelia >>>>>> Jack + Grace. Eu diria que todo o conflito é melhor, pois eles têm um histórico ruim que precisam superar, a paixão cresce de um jeito interessante e crível (não que a do Jack e da Grace não seja), e o desfecho é suuuuper fofo! Um adendo: Thomas é o cara viril com father issues e que tem medo de se apaixonar (pela Amelia, naquele momento específico), aquela coisa batida de Julia Quinn, MAS: father issues sob controle, ninguém precisou ficar de saco cheio com isso, além de que ficou bem natural, visto que, aparentemente, a família Cavendish é um cu. Aquela avó, pelas barbas do profeta, que bruxa! Natural que ele não se desse com o pai, no fundo ninguém em Belgrave se dava com ninguém. Natural que ele fosse todo sisudo e cheio de si, foi criado para ser o duque. Natural que ele evitasse se envolver com Amelia, já que estava prestes a perdê-la. Todos os clichês foram bem aplicados, e não daquele jeito band-aid decorativo, vou colocar isso aqui só pra complicar o romance. Tudo muito satisfatório, well done, JQ!

18 de ago de 2015

The Bridgertons 2 - the best for last

Não era pra ter demorado tanto para escrever a segunda parte das minhas opiniões sobre os Bridgertons, e agora já faz meses que terminei de ler, mas vamos lá!

7) It's in his kiss

Um minuto de silêncio pelos títulos ruins de Julia Quinn.
[...]
Poucos se salvam, na minha opinião, e este era um livro que podia ter ótimos títulos, já que é uma história que tem elementos variados, não só o romance.

Veja bem, não é que eu ache que um livro de romance tem que ter mais elementos além do romance. Não acho obrigatório. Mas é divertido, e combinou muito com a Hyacinth, que é muito ativa e curiosa. O que é chato aqui é a repetição do herói viril com father issues, parece que não se consegue criar um conflito no personagem masculino se ele não tiver raiva do pai. Mas no final Gareth não é se sai mal, e a relação dele com a Hyacinth é bem construída, do jeito que vc acha que deveria ser com ela. Hyacinth, afinal, não é nenhuma florzinha (hehehe, sorry).

Aproveito esta história pra comentar os epílogos. Eu adoro epílogos desse tipo, que contam algo mais sobre a história! E pelo jeito a Julia Quinn tb (eu gosto que ela siga a fórmula, sabem? gosto dessa escrita confortável que vc sabe o que esperar), e até fez um livro só de segundos epílogos para os Bridgertons. No geral os epílogos que vêm nos livros mesmo (os primeiros epílogos) são todos legais e justificáveis, mas os segundos, nem todos. O da Hyacinth é possivelmente o melhor dos segundos epílogos, porque era necessário na história e porque ficou legal mesmo. O da Daphne era meio que necessário, mas não foi satisfatório, a meu ver. O da Eloise era desnecessário e ficou besta e chato. O do Anthony era desnecessário mas ficou ok. O do Benedict era desnecessário e ficou legal. O do Gregory era desnecessário e ficou LINDO. E tem o da Violet... Ai ai, melhor coisa do livro de epílogos!

7) On the way to the wedding

MINHA GENTE.

Eu tinha altas expectativas com Gregory, e, embora tenha sido bem diferente de tudo o que eu imaginei, foi INCRÍVEL. Gregory é um personagem maravilhoso, que foge dos estereótipos até então utilizados. Não é que ele seja o macho inseguro, ainda não chegamos nesse ponto (chegaremos, Julia?).  Ele ainda é bonito e sabe se movimentar na sociedade com graça e desenvoltura, sabe seduzir e os caralhos todos. Mas Gregory não tem aquela babaquice de fugir do amor (Benedict também não tinha, justiça se faça), e mais do que isso: Gregory BUSCA o amor. Ele anseia. Isso é tão legal, porque geralmente isso só fica pro papel das garotas nesses livros. Gregory é romântico e arrebatado, e isso o leva ao engano, "apaixonando-se" pela garota errada. Nesse tipo de livro não tem muito erro, quer dizer, vc já sabe no começo que não é com a Hermione que ele vai ficar, é com a Lady Lucinda, senão vc não estaria acompanhando a história do ponto de vista dela, certo? Mas é tudo super bem construído, e tem uma trama com conflito real, e como! É o primeiro livro que vc fica com o coração disparado porque PQP O QUE VAI ACONTECER?? Pode dar tudo erradoooo!!! Ainda bem que é Julia Quinn e vc sabe que vai dar certo no final, mas o suspense todo tá garantido com o casamento arranjado, chantagem, mentira, expectativa. A cena de Gregory esperando na porta da casa da Lucy, meu deus, é de apertar o coração. A primeira vez deles é a mais linda de toda a série também, e carregada de muita muita emoção. Em todos os aspectos é o melhor da série!

WE HAVE A WINNER!! (e não é à toa que ganhou um bocado de prêmios)

Aguardem proximamente mais um post de Julia Quinn, sobre os duques de Wyndham!

31 de jul de 2015

mulher e mãe podem ser o que quiserem

ref. este artigo: http://www.geledes.org.br/voce-quer-ser-mae-ou-apenas-ter-um-bebe/#gs.a96d603e318e43db9966b11fe9a94d44

mulher NÃO nasceu pra ser mãe, mulher nasceu pra ser o que quiser, porra. jamais tenha filhos pra mostrar pras amigas, pra dar satisfação à sociedade. suas amigas e a sociedade não vão pagar nem trocar as fraldas, não vão correr de madrugada pra dar uma chupeta pra um bebê assustado e chorando, não vão terminar o dia suadas e exaustas quando o coisinho aprende a andar. essa decisão precisa ser refletida.

MAS

tem uma coisa que eu não concordo muito com o tom deste texto. o fato de que as mães reclamam do trabalho que dá não significa que elas tomaram uma decisão irrefletida. é um crime tirar dessas mulheres o direito de se queixarem de algo que é realmente extenuante. mãe não tem que sofrer calada, mulher nenhum tem. até porque essas mães NÃO sabiam todo o trabalho que dá. NÃO sabiam como ia ser a vida delas depois do nascimento do filho. justamente porque o mundo só pinta o lado lindo de ter um filho e ser mãe. e mesmo que alguém tenha explicado realmente todo o trabalho que dá (e ninguém explica, porque a sociedade inteira quer te fazer TER o tal do filho, e não desistir de tê-lo), no fundo vc só sabe se dá conta ou não depois que já tá rolando. não é só trabalho físico. vc não é babá dessa criança, vc é a mãe. ninguém será tão dependente de vc quanto ele, e isso é uma demanda q vc nunca viveu. não se pode exigir que a mulher tivesse a medida disso antes de vivê-lo.

talvez seja assim que mulheres resolvem ter um filho e ficam só no primeiro. talvez tenham descoberto que, sim, é claro que dão conta, porque estão dando conta. mas que esse negócio de maternidade não é pra elas. ou pra mim. isso significa arrependimento? cara, não. há muito mais do que talento e aptidão envolvidos aqui. há o amor. O AMOR. e a relação mais intensa e íntima que vc já viveu com alguém. nem me faça pensar em abrir mão disso!

mas tb não me faça pensar em como era tranqs minha vida pré-gravidez... porque, putz, bate uma saudade... ;)

5 de mai de 2015

parto real: o que teve

Eu até já falei de parto por aqui, e quis falar de novo já muitas vezes, mas me abstive. Não tava a fim de criar polêmicas. Mas meu filho fez um ano semana passada, e no dia seguinte à festinha dele nasceu a fofíssima Charlotte Elizabeth Diana, Sua Alteza Real a Princesa de Cambridge. Ninguém deu a mínima para Carlotinha Beth, a pequena Princesa Di. Todos os olhos se voltaram para Kate, que, maravilhésima, estava de pé (e no salto) poucas horas depois de parir. E dali simplesmente foi pra casa. Olha a ousadia dessa cunhã! O que teve? Teve muito recalque, teve viagem pesada, gente duvidando da data real do parto, duvidando da própria gravidez, as pessoas são muito doidas, né? Olha, eu achei tudo ótimo. Se Kate teve parto normal, já é o segundo filho, ela está bem de saúde e a bebê também e não lhe falta assistência em casa, Kate, minha filha, go home! Vá ser bonita assim lá em Kensington que é seu lugar, com seus dois filhotes e seu príncipe loiro, alto e careca.

Mas aí, como era de se esperar, a belíssima e irretocável experiência maternal de Kate começou imediatamente a ser usada como exemplo e como material de campanha para humanização do parto no Brasil. Muito natural que assim seja, só que eu tenho minhas ressalvas ao modo como essa campanha anda sendo conduzida, pelo menos aqui na internet. E às vezes esses bons exemplos são usados como uma forma de esfregar na cara de mães que fizeram cesáreas que elas são menos corajosas, ou menos mães. São, sim. Eu já vi (ninguém me contou) um álbum de fotos de celebridades que tinham feito partos normais e as legendas e comentários seguiam mais ou menos na linha "teve parto normal = mulher guerreira!". Tinha até os absurdos de dizer assim: fulana de tal, 3 filhos, 2 partos. Ah, um dos filhos foi chocado. Não foi parto, não. Hehe. Basicamente o que se via era JULGAMENTO JULGAMENTO JULGAMENTO.

No Brasil tem cesárea DEMAIS. Sim, tem. Esse comportamento deve mudar. Sim, deve! O parto normal é que deve ser o padrão, e a cesárea a exceção. Quem deveria saber orientar? MÉDICOS, PORRA. É evidente que a informação para a mãe é importantíssima, mas e o profissional? Sinceramente, não tenho visto muitos profissionais envolvidos nessa discussão. Daí vc cria um abismo. Mães que estão conhecendo outras realidades, outros partos, outros costumes, e que ou ficam absolutamente frustradas porque, no decorrer de sua gestação, percebem que não encontram estrutura pra ter um parto tão legal quanto o da Duquesa de Cambridge ou que vão lutar ferrenhamente contra médicos ao longo de toda uma gestação (testando, tentando), não conseguindo confiar em nenhum e talvez até insistirão pra ter um tipo de parto que nem seria recomendável para elas. Porque não é também que todo mundo pode parir em casa, e a informação que corre assim, em internet, não é suficiente, gente. Cria, sim, uma ilusão, um quadro fantasioso demais. É verdade que o parto é algo muito natural, sim, é. É verdade também que antes de séculos de evolução da medicina muitas parturientes e bebês morriam. Não dá pra demonizar o acompanhamento médico. Portanto é absolutamente necessário que a medicina acompanhe a humanização do parto, senão não vai servir PRA NADA. Está servindo pra criar frustrações, guerras entre mães, julgamentos e uma falta de empatia entre mulheres que é uma tristeza de se ver!

A mulher que faz cesárea não pode ser julgada ignorante, preguiçosa, medrosa, manipulada. Vc não julga uma mulher pelo que ela veste, não a julgue pelo parto. Vc quer garantir à mulher o direito de decisão sobre seu corpo, então dê-lhe igualmente o direito de escolher seu parto, inclusive se for cesárea. Vc quer garantir o direito à amamentação em qualquer local, dê a ela tb o direito de preferir dar mamadeira. NÃO JULGUE. Vc quer ajudar? Converse. Informe, até, mas se ela quiser. Ninguém tem que ser convertido a nada, isso não é religião. Esse tipo de ativismo simplesmente não pode ser agressivo, ou o resultado é o contrário. Tenho visto mães que fizeram cesáreas já tão cansadas de serem julgadas que estão quase se tornando ativistas... da cesárea! Elas não querem ser roubadas da experiência de maternidade que tiveram, como se fosse menor, desonrosa, e estão certas nisso!! É cruel pra caralho vc diminuir o valor da experiência de vida das pessoas, ainda mais um momento como esse! Aí aquela mulher viveu aquele parto, aquele momento que pra ela foi tão mágico, e depois ouve tantas coisas que fica achando "poxa, nem foi tão legal assim... podia ter sido daquele jeito... o parto de fulana foi mais legal...", e a alegria daquela mãe vai desinflando feito um balão furado. Quer saber? Isso é cruel.

Vamos tratar esse assunto como ele merece ser tratado. Com carinho, com cuidado, com empatia, sem julgamento. O caminho é longo, e não é uma guerra. A medicina fez muito pelas mulheres, pelas mães, pelas crianças. Pré-natal, vacinas, exames que detectam cedinho problemas que podem resultar em bebês prematuros e subdesenvolvidos, mas que se cuidados a tempo terão o melhor dos desfechos (foi o meu caso). Alienar a medicina do processo da gestação é irresponsável. Sim, gravidez não é doença, mas se a medicina só servisse na doença ninguém tomava vacina, nem fazia exames preventivos no ginecologista todo ano, né?

Digo, e repito. Menos julgamento. Mais carinho. Menos verdades absolutas. Mais empatia. Mais acolhimento. E sempre muito mais SORORIDADE.

Feliz Dia das Mães!

25 de mar de 2015

The Bridgertons

Tem alguns autores que, antes de ler, eu já sei que vou virar fã. Eu sabia que ia me viciar em Julia Quinn. Demorei para começar a ler porque sabia que quando começasse não ia conseguir parar tão cedo. Esperei uma pausa na inspiração, um descanso nas traduções, uma rotina mais tranquila com o bebê, e comecei. Logo pelos Bridgertons, aparentemente o melhor que JQ já fez. Isso tem umas três semanas, mais ou menos. Terminei hoje o sexto livro da série. É. Já dá pra concluir que eu gostei, né?

Julia Quinn escreve nos anos 2000 histórias que se passam no século 19, e isso é bem interessante. Tem muito cuidado envolvido com a linguagem usada, mas não deixa de ser um livro escrito dois séculos depois. O romance é muito mais quente do que Jane Austen (a quem JQ foi comparada) jamais teria ousado. Não que Austen seja pouco ousada, mas cada pessoa é filha do seu tempo, né?

Não pude deixar de notar, porém, as implicações de escolher contar suas histórias num passado distante. Pelo menos nos seis livros que li isso criou algumas situações notáveis. Estamos na Inglaterra dos 1800, dentro de um círculo muito restrito: a elite. Mais que a elite, a aristocracia. Estamos falando de gente rica ou de uma baixa nobreza nem tão rica, mas é muito pouca gente. A coisa se torna ainda mais estreita quando a autora se concentra num tipo de evento: o mercado casamenteiro. Prepare-se para cansar de ler sobre mães de debutantes e bailes intermináveis que se seguem sem cessar. As regras sociais desse mundo, e dentro desse âmbito, são estabelecidas, não há muita variação. Não há mutas formas diferentes de conhecer alguém, não há muitas formas diferentes de cortejar alguém, enfim. Muita coisa se repetirá. Isso não é necessariamente ruim. Tem um tipo de literatura de conforto que me atrai muito, na verdade. Eu leio Agatha Christie aos montes, e é um formato. Vc sabe mais ou menos o que esperar. Eu gosto disso. Mas eu acho que algumas coisas não precisavam se repetir tanto nesses livros. Vou chegar lá, calma aí.

Outra implicação que achei bem curiosa na escolha do período é o machismo. É claro que não se pode esperar outra coisa, estamos falando de dois séculos atrás. Moças que precisam casar virgens, enquanto os rapazes não precisam. Ela é inocente, não sabe de nada, ele sabe de tudo, é o sedutor, ensina tudo pra ela. Não deixa de ser conveniente pra um romance, sabe? É um dos grandes problemas de escrever romances de amor, conseguir se libertar dos papéis estereotipados de homem e mulher. Mas quando vc escolhe situá-lo no século 19 isso deixa de ser um problema. Não corre o risco de sofrer o tipo de crítica que sofre uma história como 50 tons (antes de qq coisa me deixem esclarecer que 50 tons é um livro muito pior q qualquer um de JQ, ok? dito isto...), que tem essas mesmas características, mas se passa neste século, então já suscita outro nível de cobrança.

Ah, eu ia fazer umas resenhas... Bom, vamos tentar misturar meus comentários e opiniões nas resenhas. Vejamos.

disclaimer: SPOILERS. está avisado. mas é legal mesmo assim, então leia logo. não vai estragar seu prazer na leitura dos livros. :)

1) The Duke & I

No primeiro livro da série nós somos apresentados à família Bridgerton quando a filha mais velha, Daphne, está entrando no Marriage Mart (o mercado casamenteiro). Na verdade Daphne é a mais velha entre as moças, mas é a quarta na prole de Violet Bridgerton, viscondessa Bridgerton, viúva, mãe de 8 filhos todos nomeados na ordem alfabética. Então vc logo fica sabendo que os oito livros q vai ler serão estrelados por Anthony, Benedict, Colin, Daphne, Eloise, Francesca, Gregory e Hyacinth. A gente tb é apresentado a Lady Whistledown, a redatora misteriosa de um jornalzinho de fofocas que faz um sucesso tremendo na sociedade londrina. Tudo sobre o Marriage Mart é mais interessante neste primeiro livro, quando é novidade pro leitor. A trama de Daphne é legal tb. Começamos com a história de Simon Basset, herdeiro do ducado de Hastings, rejeitado pelo pai por ser gago. O pai chega a dizer, durante um tempo, que o filho está morto. É legal observar que os personagens de Quinn não têm vidas perfeitas (nem todos, mas os Bridgertons meio que têm, sim), mas ela mantém um tom leve nos livros mesmo quando aborda temas mais pesados e dolorosos. Simon é um cara infeliz, revoltado e cheio de raiva, e com toda a razão. Daí o pai morre e ele vira o Duque de Hastings. Como último vingança contra o pai, decide nunca ter filhos, para que o ducado (grande orgulho do pai) saia da família Basset (o que sempre foi o maior medo do pai). Só que ele conhece a Daphne e...

Bom, vc não tá lendo Tolstói, então não tem muito risco de que este romance termine com alguém se jogando no trilho do trem, certo? Vc sabe que tudo vai dar certo no final, né? No geral a coisa toda é bastante bem conduzida. Vc cria super empatia com os personagens, vc compra o peixe, tanto do Simon quanto da Daphne, e a paixão deles é contagiante e muito muito crível (ponto sempre para JQ, a paixão é sempre crível), e os diálogos de JQ são insuperáveis. Mas é claro que tem um monte de clichês. Não, não é "claro". Alguns romances não têm tantos clichês, mas acho que é do estilo mesmo. O clichê é perdoável nesse estilo de romance.

Ai, quer saber? Estou tendo muita dificuldade de resenhar The Duke & I  sem resenhar logo...

2) The Viscount Who Loved Me

... e vcs vão entender por quê. Este é o livro do Anthony, o visconde Bridgerton, o mais velho. Começamos o livro com um breve flashback da relação de Anthony com Edmund, seu pai, que morreu picado por uma abelha quando Anthony tinha 18 anos (e Edmund apenas 38). Anthony ficou super abalado com a morte do pai, é claro, e além de tudo se tornou, bem cedo, o chefe da família e visconde Bridgerton. E Anthony adquiriu desde então uma estranha certeza de que... morreria no máximo aos 38 anos.

Hein?

Ok, gente, não vamos discutir com os demônios interiores do rapaz. Cada um sabe a dor e a delícia de... vcs sabem.

Anthony tem uns 30 e poucos anos quando resolve que é melhor é casar logo, porque, diferentemente de seu grande amigo Simon (ah, eu não contei q eles dois eram bffs? eles são), ele não teve uma infância infeliz, pelo contrário, ele valoriza pra caramba a família e também o seu título, e quer sim senhor dar continuidade a ele, como manda o figurino, fazendo filhotes machos. Porém tem aquela história de que ele vai morrer daqui a pouco, né? Então ele quer casar e ter filhos, mas não pode amar, porque senão ele só vai sofrer.

Recapitulando: Simon tem father issues e não vai ter filhos. Anthony tem outro tipo de father issues e não vai amar sua esposa. Simon e Anthony são bffs. Simon e Anthony são muito lindos, muito cafajestes, têm péssima fama de depravados e mulherengos, mas mesmo assim são cobiçados como maridos (porque eles são lindos e têm um título de nobreza e porque é super ok vc ser pegador desde q vc nunca tenha estragado a virtude de uma moça "de família", as outras moças ok).

Achou pouco? Ambos casam porque são pegos em situações comprometedoras com as moças. Ambos, em determinado momento, brigam com a esposa e saem pra ficar extremamente bêbados (o que, em ambos os casos, resulta numa conversa engraçada). Ambos vão atrás da mulher pra fazer as pazes e ela está passeando no parque e sofre algum acidente (de cavalo; de charrete). É. Sério, gente. Quando eu tava lendo o segundo livro e a menina foi pro parque eu já pensei "não acredito q vai acontecer a mesma coisa", e meio que foi. Achei pobríssimo isso, sabem? Foi um balde de água fria pra mim no segundo livro. E, evidentemente, ambos quebram as promessas que fizeram para si mesmos, porque o amor dessas maravilhosas mulheres virgens vai salvá-los dos seus demônios interiores. Elas mostrarão para eles o que é o amor, e eles mostrarão para elas o que é o prazer. Mas isso tb o título já entregava, afinal o livro não se chama "The Viscount Who Married Me Though He Didn't Love Me At All".

Mas ainda bem que eu não desisti da série, apesar dessas coincidências meio irritantes, porque o melhor estava por vir.

3) An Offer From a Gentleman

Meu livro favorito da série (quase empata com os dois a seguir, mas segue sendo melhor). Pra começar, Benedict.

Pra continuar, Sophie.

Entendedores entenderão.

Pra terminar, Cinderela. Julia Quinn teve uma ideia que pode ser bem banal, mas que ela conduziu com maestria. Ela reescreveu Cinderela, e ficou perfeito! Sophie Beckett é a filha bastarda de um conde. Ele a acolheu em casa, embora, evidentemente, jamais a tenha reconhecido como filha. Ela foi bem educada e bem cuidada. Até que ele casou com uma viúva que tinha duas filhas, e a vida de Sophie começou a piorar. A madrasta, Araminta, odiava Sophie, achava um absurdo que suas filhas fossem obrigadas a conviver com a bastarda, etc. etc. O pai de Sophie morre, é claro, e deixa uma cláusula no testamento que diz que a renda legada para Araminta será triplicada se ela mantiver Sophie em casa até os 21 anos da moça. Ela mantém, mas sob que condições? Bom, vcs conhecem Cinderela, né? É isso aí.

Depois de alguns anos de escravidão doméstica, Sophie está em Londres com Araminta e as filhas que estão entrando no Marriage Mart (here we go again!). Os Bridgerton darão um baile.  De máscaras! Oh dear, não dá pra perder esta oportunidade, certo? Os criados da casa, que adoram Sophie, a ajudam a ir pro baile, onde ela conhece Benedict Bridgerton, e é tudo lindo e mágico e fucking awesome.  Ele fica com a luva dela (muito mais sentido que um sapato, certo? mas o sapato tb tem importância na trama), que tem um brasão da família do pai dela, então ele vai procurá-la, mas ela foi trancada no quartinho. Novamente, vcs conhecem a história, né? A madrasta descobre que Sophie foi ao baile e a expulsa de casa.

Sem referências, Sophie tem dificuldades de arrumar emprego melhor do que arrumadeira, e fica se virando assim. Um tempo depois, é nessa situação que ela e Benedict se reencontram. Ela é arrumadeira numa casa no interior onde ele foi a uma festa. E Sophie está sendo violentamente assediada pelo filho dos donos da casa. Benedict a salva de um estupro (reparem como saporra tem muito mais história que os dois primeiros livros juntos!), e diz que vai arrumar pra ela um emprego na casa da mãe dele em Londres. Bom, eles têm uma viagem pela frente, só os dois. Debaixo da chuva. Ele adoece, e o que seria uma paradinha num chalé que ele tem no caminho, acaba virando uma paradona de dias. É aí q eles se conhecem melhor e se apaixonam.

O que tem de muito especial neste livro? Benedict não tem demônios interiores. Benedict não é um cafajeste mulherengo. Benedict não tem medo de amar. Benedict simplesmente se apaixona, só que por uma criada. O conflito é REAL, não é imaginário. E o conflito não é dele, é DELA. A personagem feminina é o centro da trama. Benedict faz a única coisa que é possível para alguém na posição dele apaixonado por alguém na posição dela: propõe que ela se torne sua amante (an offer from a gentleman). Isso não é exatamente ruim, nessa sociedade. É assim que é, é o que temos pra hoje, é o que dá pra ser. Mas Sophie sofreu pra caralho sendo filha ilegítima, ela não vai ter filhos ilegítimos de jeito nenhum! Ela que se case com um pobretão, que dará nome aos filhos dela, melhor que seja assim. Só que Sophie está apaixonada por Benedict (ela o reconhece, do baile, mas ele não! ou seja, ele se apaixona por ela duas vezes! awwwwww). O conflito está montado. Como eles vão dar a volta nisso?  Não dá pra sair casando com uma criada assim, do nada, não dá pra fingir que isso é fácil no século 19. Eu digo: o negócio é super bem conduzido. Quinn entrega o final feliz que vc espera, mas de modo crível. Nesse livro eu me apaixonei imorredouramente por Violet Bridgerton. Ela é coerente, mas profundamente amorosa.

Ah, e tem outra coisa bacana nesse livro: não tem Marriage Mart! É divertido, mas uma folga é muito bem-vinda.

4) Romancing Mr. Bridgerton

Quando vc tá lendo uma série de romances vc não termina um capítulo sem saber qual é o casal que vai ficar junto no final, né? Se vc começou a ler o livro da Daphne e estão falando de um tal de Simon Basset, é evidente q é com ele q ela vai ficar. Se vc está lendo o livro do Benedict e começam contando a história de uma tal de Sophie Beckett, enfim. Aí agora vc está lendo o livro do Colin. O Colin é o Bridgerton mais cool. Ele não é só bonito, ele é simpaticão. Ele não é aquele sedutor estilo cafa, ele é sedutor porque é o charme em pessoa. Eu acho que ele é o mais bonito de todos os Bridgertons, na minha cabeça. E ele é divertido.

E ele vai ficar com Penelope Featherington!!

Como assim, caceteeeee??? As Featherington sempre foram a piada de Lady Whistledown, a piada da sociedade. E Penelope mais ainda. A rechonchuda, tímida, a eternamente bullied & friendzoned Penelope Featherington, sempre vestindo os vestidos errados. Até a mãe dela (ou principalmente...) desacreditava completamente a pobre Penelope.

E aí vc tá lendo o livro do Colin e estão falando de... Penelope! O livro nem começou direito e vc já está OMG OMG PENELOPEEEEE, pq é claro que vc já aprendeu a amar a Penelope desde o primeiro livro, de um jeito q só Penelope pode ser amada. Esta é a primeira, e a principal, razão de este ser um livro muito especial: é o primeiro q vc conhece igualmente os dois lados do casal.

Aqui não temos exatamente um conflito. Ninguém tem trauma de infância (ufa, tks God), mas Penelope é toda complexada, obviamente. Outra novidade: muitos anos se passaram, e Penelope já tem quase 30. Temos uma solteirona, gente, então o famoso Marriage Mart é visto por outro ângulo. É visto do canto, da parede, é visto pelos olhos daquela moça que ninguém nunca queria tirar pra dançar, e agora menos ainda. O desenvolver do romance nada tem de repetido. Não é um flerte, uma corte, é tudo baseado em quem eles são de fato, e não numa série de regrinhas sociais estabelecidas. Aliás, Penelope é a primeira "moça de família" que dá pro cara antes do casamento! Viva! As duas primeiras se agarraram, mas não deram. E Sophie deu, claro que deu, mas ela era a criada, né? :/

Segunda razão para que este seja um livro muito especial: é aqui que a gente descobre quem é a Lady Whistledown!! Sem spoilers aqui.

5) To Sir Phillip With Love

Dá pra acreditar que uma Bridgerton ficou pra tia? Pois Eloise Bridgerton está ficando. Este livro conta a história de minha Bridgerton favorita. Eloise está se correspondendo há um ano com Sir Phillip, e tudo começou muito por acaso. Ele ficou viúvo de uma prima dela, e ela mandou uma carta de condolências. Não pararam mais de se corresponder. Até que Sir Phillip propõe casamento em um carta. De modo muito prático, pouco romântico, até, e Eloise fica surpresa. Só toma uma decisão quando Penelope, sua melhor amiga e tb solteirona, de repente casa com seu irmão Colin. Eloise se vê diante de um futuro solitário, e resolve pelo menos ir conhecer o candidato a marido.

Tem uma série de coisas que eu gosto muito nesta história. Pra começar, a própria Eloise.  Veja bem, não é que os Bridgertons (ou as Bridgertons) careçam de personalidade. Todos têm opinião, não são modelinhos muito bem aparados de personagens, o que é bom. Mas, entre as moças, Eloise tem a personalidade mais completa (calma que ainda estou lendo o livro da Hyacinth), menos agradável e mais crível. Eloise não tem nada feito pra agradar. Eloise é simplesmente do jeito que ela é, e foda-se. Comete erros, reconhece-os dentro de si mas tem pavor de admitir em voz alta que é tudo culpa dela. Humana, demasiado humana. Tem sua opinião em muito alta conta, fala muito mais do que deve, acha que está sempre certa. Vc conhece uma Eloise. No meu caso, eu conheço até bem demais. Eu sou uma Eloise.

Outra coisa legal neste livro é que estamos fora de Londres novamente, e mais definitivamente que no livro 3. A história de Sir Phillip é irretocável. Vc não tem como achar o conflito interno desse cara "forçado". O que ele passou não foi bolinho, e ele se comporta totalmente de acordo. Mal. Mas mal do jeito certo, deu pra entender? Quero dizer que tudo o que ele faz de errado é o resultado esperado dos problemas que viveu. Ele é um personagem inteiro e coerente, e carismático. Ele NÃO É lindo de morrer, nem Eloise. Legal, né? Pela descrição, ele é meio ursão, lenhador, grrrraurrrr, ok, eu adorei. *cof cof* Ah, e tem as crianças. Eu geralmente não gosto de crianças em romances de amor, a não ser que elas tenham realmente função na história. Detesto aquela coisa decorativa da familiazinha perfeita, os bebês lindos e adoráveis brincando e dormindo sempre que é preciso que durmam. Mas Amanda e Oliver são absolutamente essenciais pra história! Até Charles, sobrinho de Eloise, que faz apenas figuração na história, vive um momento que é perfeitamente normal para crianças daquela época. O fato é que, em romances de amor, sempre tem muita coisa forçada. Um perigo, uma doença, só pra alguém se aproximar, pra alguém ser salvo, essas coisas. Tudo foi bem conduzido neste livro, nada me pareceu forçado, o que se torna ainda mais evidente e natural pelo fato de que, pela primeira vez, um livro realmente se emendou no outro. A história de Eloise começou a ser traçada concomitantemente à de Colin e Penelope, algo que ainda não tinha acontecido.

Aí cheguei no livro que eu quero comentar o sexo na série dos Bridgertons. Estamos no quinto livro,e todas as vezes vemos uma moça perdendo a virgindade, certo?  É claro, estamos lendo romances q se passam na elite londrina do século 19, as moças são virgens. O casamento não pode ficar pro final do livro se a gente quer ver sexo acontecendo, então os personagens se casam depois de uns dois terços de livro mais ou menos (exceto com Benedict e Sophie). E o que me incomodava era que todas as moças sentiam mais ou menos a mesma coisa ao perder a virgindade! Não vou questionar que todas gozam, é um romance, né? Não é vida real. Afinal tá todo mundo casando por amor nesse século 19 aí, e isso já é ficção suficiente. Mas várias coisas poderiam ser diferentes de uma pra outra, e não são. Nenhuma delas reclama de dor, é apenas "estranho". Os homens tb se comportam tudo igualzinho: quero me controlar, não quero machucá-la, mas puta merda não vou aguentaaaaar. Fica chato depois de um tempo. Na verdade essa coisa nos homens me incomoda mais, porque todos os homens são muito viris e seguros, e têm uma espécie de raiva contida que vem à tona em alguns momentos, como no sexo, ou quando eles foram contrariados pela garota e estão muito de mau humor, querendo bater em alguém por qq razão. Todos eles vivem algum episódio assim, até o Colin, e não combina com a personalidade dele.

Mas, finalmente, Eloise é diferente. Não imensamente diferente, mas dá pra notar um espírito mais livre e menos passividade. Pra começar, eu adoro que ela subornou uma criada anos atrás pra saber como era a coisa toda! Como ninguém pensou nisso antes? Que bobas... Eu com certeza teria feito isso! Eloise é a primeira que vive mesmo um tesão a princípio desvencilhado de amor. Daphne vai logo se apaixonando, Kate fica naquele amor & ódio, Sophie e Penelope estão apaixonadas desde o começo. Eloise não está apaixonada por Phillip. Ele ainda é bem estranho, ela não sabe se quer casar com ele, as reações dele não são as que ela espera e ela fica, sim, decepcionada várias vezes. Mas, velho, a pomba dela gira legal pelo Phillip. E o Phillip tb tem características interessantes que o diferenciam dos personagens masculinos anteriores (embora ele tb seja todo viril e tenha father issues). Phillip não é urbano, não tinha o hábito de pegar prostitutas-atrizes-cantoras-criadas, Phillip foi casado, e infeliz no casamento, Phillip tá numa seca federal, fazendo justiça com as próprias mãos há anos. Minha gente, temos uma receita explosiva aqui. Na primeira noite dos dois eu decretei que nenhum casal será tão feliz na cama quanto Eloise e Phillip. Ok, hj eu acho q Francesca pode ser tão feliz na cama quanto sua irmã Eloise. Mas na verdade este continua sendo meu casal favorito, o que mais vai dar certo, o que alcançará a felicidade pacífica e duradoura e, enfim, eu adoro eles dois!

Então vamos a Francesca Stirling!

6) When He Was Wicked

Francesca Bridgerton casou cedo, e nós não a vimos no Marriage Mart. Casou por amor com um conde escocês, John Stirling, conde de Kilmartin, e enviuvou dois anos depois. Tinha apenas 22 anos.

Ai, gente, confesso que quando fiquei sabendo que tínhamos uma viúva na família criei grandes expectativas. Porque, vejam bem, a liberdade social de uma viúva nessa sociedade é notável,  não dava pra perder essa oportunidade de realmente fazer uma história diferente. Além de tudo Francesca não vivia em Londres, mas no interior da Escócia. Eu estava esperando uma trama mais ousada... que não veio. Não é que não se tenha aproveitado em nada o fato de ela ser viúva, mas a única diferença foi que ela era a primeira não-virgem, e ela se deu ao luxo de ir pra cama com o carinha uma pá de vezes antes de resolver se casar. Muito quentes na cama, os dois, sem dúvida. Em tese Francesca não era uma inocente, mas o casamento não a tinha transformado exatamente numa pervertida (algo me diz que o casamento da Eloise a transformará numa pervertida, sim senhor!). Mas as possibilidades de uma viúva nos demais âmbitos não foram tão bem exploradas, ao menos não pra criar uma trama mais for do convencional, sabe? Sei lá, pode ser alguém de outra classe social, por exemplo. Ou ela podia ter um amante. Eu pensei em muitas coisas, aqui não cabe ir listando tudo, mas o fato é que a história não fugiu muito daquele universozinho.

O que temos aqui? Um lindo cafa de péssima fama. Jura? De novo? É. De novo. Ah, e assim como Phillip e, como veremos no próximo livro, Gareth, nosso herói Michael Stirling tb será presenteado com a herança e o título quando menos esperava. Michael é primo do finado John, e herdou o título de Conde de Kilmartin quando John morreu. Afe. Jura que a Francesca vai casar de novo com o Conde de Kilmartin?? Vai, gente. Michael é apaixonado pela Francesca desde que a conheceu, e evidentemente guardou esse segredo por anos. Aí o John (que era super próximo dele, tipo um irmão) morre subitamente. Michael fica se sentindo mega culpado por herdar toda a vida do John, e além de tudo ele ama a mulher do finado.Caramba, até parece que ele desejou a morte do primo! Mas nada estaria mais longe da verdade, ele está genuinamente arrasado com a morte do John, então não consegue nem cogitar se aproveitar da situação em relação a Francesca. Não é que esse parte não seja bem conduzida, não, até que é, sim. O drama do Michael é muito crível. Mas tem uma parte do livro que a coisa toda despingola.

Quando Colin, mais uma vez, vai dar seus conselhos super cool (ele já fez isso com o Benedict), tipo "deixe de drama e case com a moça". Que o Colin faça isso, é bem ok, e até que ele faça isso duas vezes. Mas a mudança de opinião do Michael é meio brusca, muito epifânica. Pra quem tinha ficado anos fugindo daquilo, sei lá, ficou estranhão. E mais: pelo tipo de sentimento que ele nutria pela Francesca, o método utilizado para convencê-la a casar com ele foi nada a ver. Porque foi canalha, e não é que isso seja horrível, só achei q não fazia sentido com o que ele sentia por ela. Ele a tratou como todas as outras mulheres anteriores na vida dele. Ah, vamos conversar sobre "consentimento duvidoso"? Lembra de 50 tons de cinza? Eu sempre afirmo que houve consentimento, como tb acho que aqui houve consentimento. Nos dois casos o que houve foi sedução, sim, houve persuasão até, mas houve convencimento. Houve, portanto, consentimento. A mulher podia ter dito não, e não disse. A oportunidade foi dada e redada.

E aí a Francesca morre de culpa depois. Um pouco até q vai, mas ficou exagerado. Uma culpa e uma confusão que duraram semanas de enrolação (e sexo), e isto vindo da pessoa que tinha decidido que queria casar, então não era assim como se ela fosse pega de surpresa pela mera possibilidade de outro homem em sua vida. Ela estava atrás disso, ora. Ok, pode ser surpreendente que tenha sido o Michael. Mas simplesmente ficou forçado o excesso de hesitação da parte dela, assim como a súbita desenvoltura do Michael em ser meio cafa com ela, depois de anos de contenção e movimentos calculados. Ele tinha obrigação de ficar mais nervoso e inseguro, depois de seis anos esperando por aquela mulher, sem nem acreditar que houvesse possibilidade de ficar com ela.

Estou lendo agora It's In His Kiss, e pelo jeito temos mais um lindo cafajeste rebelde e com father issues. Pena. Reparem que, tirando Benedict e Colin, TODOS os homens têm father issues! O Anthony não sofreu na mão do pai, mas sim com a morte dele, mas tb despirocou. É claro que não daria pra fazer o mesmo com os irmãos dele, Benedict e Colin. Gregory é minha última esperança de algum homem que não seja todo perfeitamente viril. Come on, Julia, alivia a pressão da masculinidade. Os homens não são todos iguais, amore!

Aguardem mais comentários quando eu terminar a série toda!



15 de mar de 2015

a esquerda estarrecida

sim. nós, a esquerda, estamos perplexos. porque, décadas depois do fim da ditadura militar, a direita foi novamente às ruas. parece que a ressaca da ditadura passou.

e eu que sempre achei que a direita deveria mostrar a sua cara neste país, assisti hoje um verdadeiro espetáculo de horrores. alguns amigos meus, alguns compreensivelmente indignados com erros do governo atual, ajudaram a dar número a um movimento que, por ingenuidade,inocência, ignorância, eles desejam apartidário. suprapartidário. é uma gente (sim, até esses meus amigos) que até 2013 se declarava apolítica. é uma gente cuja paixão política nasceu, ali sim, num movimento de organização espontânea, o junho de 2013. mas é sempre bom lembrar como nasceu o junho de 2013. preços das passagens de transporte público. reações violentíssimas das PMs. revolta nacional. como aquilo virou o trailer disto que vimos hoje? não faço ideia. mas eu que fui pra rua em 2013, cheguei a me arrepender quando vi, depois, os apolíticos se lambuzando de prazer infantil na rua, no processo democrático (e político!) q eu sempre amei.

o que esta direita não entendeu é que política sem partidos é chamada de ditadura. ok, alguns entenderam, e querem mesmo isso (votar dá muito trabalho, prefiro q alguém decida tudo por mim). o que a direita ainda não entendeu, também, é que ela é DIREITA. vc é contra os programas sociais? acha tudo bolsa-esmola? é a favor das privatizações? deixa eu te explicar uma coisa então: VC É DA DIREITA. ok? tá entendido isso?

beleza, continuemos.

o movimento de hoje tem interesses políticos e partidários, mesmo q vcs não queiram. fora Dilma? alguém vai entrar no lugar, e vai ser um POLÍTICO, essa raça q vcs acham q abominam. não abominam de fato, são apenas seletivos. pois durante anos vários outros escândalos já tinham vindo à tona (sim, não tantos, muita muita coisa era abafada rapidinho), e vcs não estavam assim tão indignados.

mas, confesso. vossa indignação nos estarrece. nós, da esquerda. a gente curte política. a gente frequenta a rua. a gente se lambuza de prazer também, mas geralmente nosso prazer é um sonho. é uma paixão. é um amor, uma crença, uma alegria, uma esperança. o que uniu esta gente hj na rua foi o ódio. sim. ficamos estarrecidos ao ver vcs no que sempre consideramos "nossa área". pois bem. a rua é pública, sejam bem-vindos.

mas, por favor, limpem a merda que deixaram pelo chão.