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4 de dez de 2015

Agents of the Crown - resenha de série da Julia Quinn

É a primeira série da Julia Quinn que eu leio e que não está ligada a uma única família (acho que é a única mesmo). Embora a série dos Bevelstokes seja meio "enganadora" nesse aspecto (ainda vou escrever sobre essa série), pois o terceiro livro não é sobre nenhum dos Bevelstokes. A série Agents of the Crown conta duas histórias protagonizadas por dois amigos e espiões do War Office. Esse mote é bem aproveitado, na minha opinião é uma boa série, mas tenho uma restrição ao segundo livro. Vamos chegar lá.

1) Em To catch an heiress, o agente da coroa é Blake Ravenscroft, que aqui na minha cabeça é um dos mocinhos mais bonitos que Julia já descreveu (eu gosto muito do Jack Audley tb). Por engano, Blake captura a herdeira desventurada Caroline Trent, achando que ela é a espiã internacional Carlotta de Leon. Caroline é quase uma Baudelaire, de tantas desventuras que passou na mão dos seus tutores, desde que ficou órfã. Basicamente todos só queriam saber de meter a mão na herança dela, e o último deles, Oliver Prewitt, era também contrabandista e aparentemente também um traidor, ao que tudo indica. Afinal Blake estava investigando o próprio, e suas ligações com espiões, quando viu Caroline fugir de casa após quase ser estuprada pelo filho de Oliver Prewitt. Como estava de tocaia pra pegar uma espiã, Blake capturou Caroline por engano. E passam-se alguns dias ainda até que o mal-entendido se desfaça, com a ajuda de James Sidwell, Marquis of Riverdale, protagonista do próximo livro da série e amigo e parceiro de Blake que, por acaso, sabia a cara que deveria ter a espiã Carlotta de Leon, portanto sabia que Caroline era a mulher errada.

Caroline, no entanto, ficou na moita o quanto pôde, já que suas alternativas, fugindo de casa quase sem dinheiro e sem conhecer ninguém, não eram muito melhores. Quando ela entendeu que o seu captor não ia machucá-la, somente interrogá-la, ela resolveu enrolar. E o fez muito bem! São cenas hilárias, até que Blake descubra que Caroline não é espiã coisa nenhuma. Como pagamento por ter, enfim, mantido a garota em cárcere privado, né?, Blake concorda em abrigá-la até que ela complete 21 anos e tenha acesso a sua herança legalmente, já que ela não pode voltar pra casa de um tutor que é um criminoso, coisa que agora todos três (Caroline, Blake e James) já sabem.

Esse livro é legal por ter esse trio de amigos. É claro que a gente sabe que tá rolando o romance entre Blake e Caroline, mas James está presente em boa parte do livro, e há ação e aventura, e as cenas são ótimas entre eles três. O conflito é que Blake perdeu a noiva, brutalmente assassinada em uma missão na qual ele deveria ter ido, e ele se sente horrivelmente culpado. Ele começa a gostar de Caroline, mas se sente traindo a memória da noiva morta, além de que ele se acha mesmo um merda, que não merece mais o amor (ou só tem medo mesmo). É um conflito interno bem montado, mesmo que pareça um pouco clichezão. Caroline, por outro lado, nunca foi tão feliz. Nunca teve uma vida familiar nem amigos, só viveu cercada de gente interesseira, e não demora muito pra ela se apaixonar por Blake. Ela é carente, isso é tão evidente quanto é justificável.

O negócio enrosca quando a irmã de Blake chega e descobre o arranjo. Ela fica chocada, afinal, porra, isso arruinou a reputação da Caroline! Como ela pode viver sozinha ali com aqueles dois caras e só uns dois ou três criados? Pois então ela decide que um dos dois vai ter que reparar o erro (mesmo que ninguém tenha deflorado a moça) e casar com ela.

É claro que a esta altura todo mundo já sacou que Blake está doidinho por Caroline, mas não admite. Então James afirma que vai se casar com Caroline, se Blake não o fizer. E ele tá falando sério (embora tb deseje com isso provocar uma reação no amigo). Isso apressa as coisas na cabeça de Blake, e ele toma uma decisão enfim e fica com ela. Já depois de casados é que o imbróglio da espionagem internacional se resolve, não sem muita emoção e perigo, e a aparição da verdadeira Carlotta de Leon!

Quer saber? É um dos melhores livros da Julia Quinn!

2) Já esperamos que em How to marry a marquis o protagonista seja James Sidwell, o marquês de Riverdale, amigo de Blake. O que não esperávamos é que ele fosse... sobrinho da Lady Danbury! Gratíssima surpresa, é claro. Lady Danbury é tão legal que eu acho que a Julia deveria escrever um romance sênior pra ela. Imaginem só a Agatha se apaixonando? Ia ser épico!!

Voltando ao livro, a mocinha aqui se chama Elizabeth Hotchkiss, e a situação dela é desesperadora. Há cinco anos Elizabeth é responsável pelos três irmãos mais novos, desde que o pai morreu (a mãe já havia morrido antes). Ela trabalha como dama de companhia de Lady Danbury, mas o salário dela não dá muito bem pra sustentar os irmãos. Ela finalmente entende que a única solução é casar. A família dela é da pequena nobreza, seu irmãozinho é um baronete, e "precisa" estudar em Eton, o que é caro pra cacete. Enfim, ela precisa casar com alguém que tenha grana. Daí um dia ela acha na biblioteca da Lady Danbury um livro chamado "How to marry a marquis". É claro que ela acha uma bobagem, mas na situação dela, né? Qualquer ajuda é bem-vinda. Ela leva pra casa o livretinho e sua irmã adolescente Susan passa a se dedicar à leitura, repassando os conselhos da escritora para Elizabeth. Um dos conselhos é que ela pratique com um outro homem antes de ter um marquês em vista. E o único disponível com quem Elizabeth convive é o administrador da propriedade de Lady Danbury, um tal de James... Siddons.

Hein? Acontece que Lady Danbury mandou chamar o sobrinho espião porque estava sendo chantageada e pediu que ele investigasse o caso, disfarçado como funcionário dela. James aceita prontamente, ele deve muito à tia que o acolhei na infância no pior momento de sua vida. E lá vai ele... ser "cortejado" por Elizabeth a título de treinamento. Ele descobre o livreto, e a coincidência é tamanha que ele resolve ajudá-la e arranjar marido. Elizabeth acha, é claro, que ele é um pobretão e que não servirá pra casar com ela realmente, mas o fato é que ela se apaixona por ele de verdade. E, bom, ele também, mesmo que ele não perceba isso logo de cara.

E é aqui que começa o problema.

E o problema é: por que James não conta logo pra Elizabeth que ele é rico (e marquês!) e casa com ela?

Vejamos: já sabemos, desde o livro anterior, que James não é do tipo que foge do casamento. Por muito menos ele já estava disposto a casar com Caroline Trent. Ele sabe que precisará casar um dia, e mesmo que ainda não tenha entendido que ama Elizabeth, já está claríssimo que o que sente por ela é maior do que qualquer outro sentimento que ele já tenha tido por outra mulher. No começo ele chega a considerá-la suspeita da chantagem, mas já não pensa mais assim. E aí vem o pior de tudo: ELIZABETH SABE QUE ELE ESTÁ INVESTIGANDO ESSA CHANTAGEM. Ou seja, qualquer alegação de que ele não pode se revelar pra ela para protegê-la do "perigo" que essa investigação pode ter (não teve perigo NENHUM até ali, ok?) é inteiramente injustificada, já que ela JÁ SABE da investigação. A única coisa que ela NÃO SABE é a identidade dele! Se houver algum perigo no caso de chantagem, ela já está envolvida! Manter a identidade dele em segredo serve unicamente pra complicar a situação pessoal deles, já não a protege de nada. Ou seja, um livro bem redigido, com personagens carismáticos e um romance genuinamente envolvente (eles dois são ótimos, e até mais quentes do que Blake e Caroline), perde interesse porque tem uma falha central de argumento! Se o conflito não convence, se o problema a ser resolvido não se vende... Bom, fica difícil.

Pra terminar, Elizabeth descobre a identidade ele, fica puta da vida, faz um escândalo exagerado porque nem quer deixar ele se explicar, enfim, fica aquela enrolação chata por umas boas páginas. O que salva o final do livro é Lady Danbury! E aqui eu vou parar, mesmo já tendo dado quase todos os spoilers possíveis, mas caso alguém leia este post sem ter lido o livro, eu não quero ser a responsável por estragar essa surpresa. :)

É um série bem legal, no geral. Eu gosto muito dos quatro personagens principais. Se não fosse esse furo MEDONHO no argumento do segundo livro, seria uma série perfeita.

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