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21 de dez de 2010

Sherlock Holmes - Noite Tenebrosa (Terror by Night)

Entre as primeiras adaptações cinematográficas do detetive da Baker Street figuram os filmes com Basil Rathbone no personagem principal. São os primeiros filmes de Sherlock Holmes falados, sabiam? Nigel Bruce faz um Dr. Watson desnecessariamente velho, mas essa é uma mania comum de algumas adaptações de tevê e cinema (nem todas: a nova série Sherlock, da BBC, coloca os dois amigos corretamente na mesma faixa etária).

Pois eu ganhei de Natal da querida Lu Naomi o dvd de Noite Tenebrosa (Terror by Night, 1946)! Gente que ama bons crimes e mais ainda os elegantes solucionadores dos mistérios criminais, como nós duas, vibra com uma Noite Tenebrosa a preencher seu Natal, né não? Pois eu já assisti duas vezes, não por uma razão qualquer, mas porque esse ótimo dvd (pela primeira vez em cores) traz nos extras a versão em preto & branco. Não resisti, e vi as duas.


Segundo a wiki, o roteiro é livremente baseado em duas histórias de SH: The Adventure of the blue carbuncle e The Disappearence of Lady Frances Carfax. Eu encontrei muito pouco dessas histórias no roteiro. Um velha dama, uma joia, o esquema do caixão. Digamos que seja inspirado nos contos. Mas é um bom roteiro. Assassinato, roubo, luta, a retomada de um clássico vilão (não, n00bs, não é o Moriarty! :P A história já se passa após a morte do maior inimigo de Holmes), e o curioso empréstimo a Agatha Christie de um elemento criminal pouco sherlockiano: o confinamento no trem.

Sherlockianos costumam se ressentir das tentativas de humor nas adaptações, porque Conan Doyle não incluía humor nos seus textos, mas eu pessoalmente já considero uma vantagem se o alvo do humor não for o próprio Holmes. No caso, Watson e Lestrade são os ridicularizados, talvez um pouco demais, especialmente Lestrade, coitado. No final ele é de grande ajuda, mas claro que o golpe de mestre é do mestre. Sherlock Holmes! : )

Apesar de virar alvo de piada, Watson foi bem retratado. É bem dele confiar logo nas pessoas e querer fazer algumas coisas sozinho na investigação. Claro que, nos livros, ele não é tão desastrado quanto foi nesses filme. E pra quem gosta das comparações Agatha-Christianas, acho que Watson com o tempo tornou-se um sidekick mais competente do que Hastings. Talvez, afinal, o ego de Poirot fosse de fato maior...

Rathbone faz um belíssimo Holmes, centrado, alto (como isso é indispensável), expressão de escrutínio na medida, a luta coreografada (no estilão da década de 40, claro, mas já deu um banho na série da Granada Television), enfim: vestiu o sobretudo com dignidade e fumou o cachimbo com propriedade. Mereceu seu Holmes. Fazer um Holmes correto é tudo o que um aficionado espera de um ator britânico, alto, magro de cabelos castanhos.

Se tiver nariz aquilino, é bônus! ;D

2 comentários:

tá com você!