Depois de eu ter colocado na minha lista de desejos "qualquer Agatha Christie que eu não tenha", alguns já me perguntaram como vão saber quais eu tenho. Vou ajudar vocês. Bora lá.
- Sócios no Crime
- Testemunha Ocular do Crime
- Hora Zero
- A Extravagância do Morto
- Uma Dose Mortal
- M ou N?
- Poirot Perde uma Cliente
- O Mistério Sittaford
- Treze à Mesa
- Mistério no Caribe
- O Assassinato de Roger Ackroyd
- E Não Sobrou Nenhum
- A Casa do Penhasco
- Poirot Investiga
- A Mansão Hollow
- Assassinato no Campo de Golfe
- A Noite das Bruxas
- Os Elefantes Não Esquecem
- O Misterioso Sr. Quin
- O Misterioso Caso de Styles
- O Caso do Hotel Bertram
- O Mistério do Trem Azul
- Assassinato no Expresso do Oriente
- Por que Não Pediram a Evans?
- Testemunha de Acusação e Outras Histórias
- É Fácil Matar
- O Detetive Parker Pyne
- Morte no Nilo
- O Homem do Terno Marrom
- Os Crimes ABC (ter eu tenho, mas tá perdido na casa do papai)
- A Casa Torta
- O Inimigo Secreto
- Convite para um Homicídio
- Intriga em Bagdá
- O Segredo de Chimneys
- Um Passe de Mágica
- Cai o Pano
- O Natal de Poirot
- Os Relógios
- Um Pressentimento Funesto (ainda não li)
- Os Trabalhos de Hércules (ainda não li)
- Os Quatro Grandes
- Poirot e o Mistério da Arca Espanhola & Outras Histórias
- Poirot Sempre Espera & Outras Histórias
Tá todo meio doido, fui fazendo de cabeça. A maioria é da L&PM.
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6 de dez. de 2011
15 de nov. de 2011
Meme literário - dia 15
Dia 15 – Qual é o seu vilão literário favorito? Por que?
Gosto muito de Sir Eustace Pedler, o vilão de O Homem do Terno Marrom, da Agatha Christie. Acho que porque no começo a gente nem sabe que ele é vilão, e é espirituoso, gosto da personalidade dele.
Mas se a pergunta for sobre o melhor vilão, o que é mais vilão, o mais bem-feito e bem-acabado vilão, teria de ser Dolores Umbridge. Porque ela é tão assustadoramente real.
Gosto muito de Sir Eustace Pedler, o vilão de O Homem do Terno Marrom, da Agatha Christie. Acho que porque no começo a gente nem sabe que ele é vilão, e é espirituoso, gosto da personalidade dele.
Mas se a pergunta for sobre o melhor vilão, o que é mais vilão, o mais bem-feito e bem-acabado vilão, teria de ser Dolores Umbridge. Porque ela é tão assustadoramente real.
13 de nov. de 2011
Meme literário - dia 13
Dia 13 – Se você pudesse trocar de lugar com o personagem de um livro, qual seria? Que história dessa personagem você gostaria de viver?
Estou na dúvida entre Hermione Granger, mas eu sou meio medrosa e ela passa por uns perigos bem graves, Jane Marple, e aí seria difícil escolher a história, porque o que eu acho fantástico é poder descobrir esse monte de coisas que ela descobre assim, só observando as pessoas e sem obrigação alguma, e Bastian Baltasar Bux, afinal ele entra num livro e reconstrói um mundo a partir de seus desejos.
Mas acho que fico com o padeiro Hans, de O Dia do Curinga (Jostein Gaarder). É meu livro favorito na vida, e só pela possibilidade de ver de perto o trabalho de Frode, a ilha, as cartas, vivenciar o dia do Curinga, acho que nada bate isso.
Estou na dúvida entre Hermione Granger, mas eu sou meio medrosa e ela passa por uns perigos bem graves, Jane Marple, e aí seria difícil escolher a história, porque o que eu acho fantástico é poder descobrir esse monte de coisas que ela descobre assim, só observando as pessoas e sem obrigação alguma, e Bastian Baltasar Bux, afinal ele entra num livro e reconstrói um mundo a partir de seus desejos.
Minha Miss Marple favorita
Mas acho que fico com o padeiro Hans, de O Dia do Curinga (Jostein Gaarder). É meu livro favorito na vida, e só pela possibilidade de ver de perto o trabalho de Frode, a ilha, as cartas, vivenciar o dia do Curinga, acho que nada bate isso.
Jostein Gaarder
8 de nov. de 2011
Meme literário - dia 08
Dia 08 – Quantos livros você tem? Qual o autor que você tem mais livros? Fale um pouco sobre isso.
Baseando-me pelo Skoob e calculando no olho tudo o que eu tenho e ainda não li, deve bater nuns 500. Eu tenho mais livros da Agatha Christie, porque a pessoa escreveu pra cacete, né mesmo? Difícil competir!
Tirando ela, tenho uns tantos JK Rowling (porque tenho duas coleções completas), Jostein Gaarder, Conan Doyle, Paulo Coelho, Lemony Snicket e acho que esses são os mais numerosos nas prateleiras.
Baseando-me pelo Skoob e calculando no olho tudo o que eu tenho e ainda não li, deve bater nuns 500. Eu tenho mais livros da Agatha Christie, porque a pessoa escreveu pra cacete, né mesmo? Difícil competir!
Tirando ela, tenho uns tantos JK Rowling (porque tenho duas coleções completas), Jostein Gaarder, Conan Doyle, Paulo Coelho, Lemony Snicket e acho que esses são os mais numerosos nas prateleiras.
tem muito mais na parte debaixo, em cima, do outro lado, atrás da porta,
e esse armário estreitinho tá repleto de Agathas, Sherlocks e outros.
2 de nov. de 2011
Meme literário - dia 02
Dia 02 – Qual foi o último livro que leu e qual é o próximo livro que lerá? Fale um pouco sobre eles.
Semana passada terminei de ler A História sem Fim, Revolução dos Bichos e Sócios no Crime.
- A História sem Fim, Michael Ende: eu deveria ter lido quando era criança, ou pelo menos adolescente. Mas sempre é tempo. O livro conta a história de um garoto chamado Bastian Baltasar Bux que adora ler e acaba roubando um livro chamado A História sem Fim. Com medo de ser preso por roubo, ele se esconde no porão da escola e começa a ler o livro de capa de cor de cobre. E nós começamos a ler junto. É muito importante que esse livro seja lido numa boa edição, pois acho que já perde muito se não tiver uma capa cor de cobre com duas serpentes mordendo a cauda uma da outra. Acompanhamos a história de Bastian em letras marrons e a do livro que ele lê em letras verdes. Esse livro dá muito poder à imaginação de uma criança. Imperdível. Detalhe: o livro me foi emprestado, é da minha mãe.
- Revolução dos Bichos, George Orwell: eu tinha lido uma versão simplificada em inglês quando tinha uns 12 anos. Li este em uma tarde. Trata-se de uma fábula do comunismo. Animais de uma fazenda organizam uma revolução e tomam o controle da fazenda, expulsando os humanos. Depois disso, os porcos, considerados os mais inteligentes, passam a ditar as regras, e em pouco tempo os animais estão novamente escravizados, mas vivendo dentro da ilusão de que a vida deles agora é melhor simplesmente por não trabalharem mais para os humanos, e sim "para si próprios" (só que os porcos ficam com o que há de melhor e cada vez comportam-se mais como humanos).
- Sócios no Crime, Agatha Christie: de Tommy e Tuppence. Não são meus favoritos, e os livros da Agatha que são de casos curtos costumam me deixar meio dispersa. Não os devoro como os de um só caso, por isso demorei um certo tempo pra terminar. O interessante desse livro é que, em cada capítulo, Tommy e Tupppence homenageiam um famoso detetive personagem de romances policiais.
Sobre o próximo que lerei, bom, não decidi ainda. Ontem a tarde comecei a reler O Dia do Curinga, coisa que faço de tempos em tempos, mas também preciso ler Comer, Rezar, Amar, que minha mãe me emprestou e ainda nem comecei. Tenho em casa uns dois da Agatha ainda não lidos, e tô a fim de começar A Bússola de Ouro. Pode ser um desses, pode não ser nenhum deles...
obs.: Acompanhei o meme literário no blog da Lu Naomi, mas a ideia original é do blog Happy Batatinha. Foi feito no mês de outubro, mas eu vou de atrasilda mesmo assim, tá? Fiquei a fins. :)
Semana passada terminei de ler A História sem Fim, Revolução dos Bichos e Sócios no Crime.
- A História sem Fim, Michael Ende: eu deveria ter lido quando era criança, ou pelo menos adolescente. Mas sempre é tempo. O livro conta a história de um garoto chamado Bastian Baltasar Bux que adora ler e acaba roubando um livro chamado A História sem Fim. Com medo de ser preso por roubo, ele se esconde no porão da escola e começa a ler o livro de capa de cor de cobre. E nós começamos a ler junto. É muito importante que esse livro seja lido numa boa edição, pois acho que já perde muito se não tiver uma capa cor de cobre com duas serpentes mordendo a cauda uma da outra. Acompanhamos a história de Bastian em letras marrons e a do livro que ele lê em letras verdes. Esse livro dá muito poder à imaginação de uma criança. Imperdível. Detalhe: o livro me foi emprestado, é da minha mãe.
O livro de capa cor de cobre com duas serpentes, uma preta e uma branca, mordendo o rabo uma da outra.
Se a sua capa não for assim, sinceramente, perde bastante da magia...
- Revolução dos Bichos, George Orwell: eu tinha lido uma versão simplificada em inglês quando tinha uns 12 anos. Li este em uma tarde. Trata-se de uma fábula do comunismo. Animais de uma fazenda organizam uma revolução e tomam o controle da fazenda, expulsando os humanos. Depois disso, os porcos, considerados os mais inteligentes, passam a ditar as regras, e em pouco tempo os animais estão novamente escravizados, mas vivendo dentro da ilusão de que a vida deles agora é melhor simplesmente por não trabalharem mais para os humanos, e sim "para si próprios" (só que os porcos ficam com o que há de melhor e cada vez comportam-se mais como humanos).
All animals are equal. (conforme os sete mandamentos dos animais)
But some animals are more equal than others. (adendo posterior...)
- Sócios no Crime, Agatha Christie: de Tommy e Tuppence. Não são meus favoritos, e os livros da Agatha que são de casos curtos costumam me deixar meio dispersa. Não os devoro como os de um só caso, por isso demorei um certo tempo pra terminar. O interessante desse livro é que, em cada capítulo, Tommy e Tupppence homenageiam um famoso detetive personagem de romances policiais.
Sobre o próximo que lerei, bom, não decidi ainda. Ontem a tarde comecei a reler O Dia do Curinga, coisa que faço de tempos em tempos, mas também preciso ler Comer, Rezar, Amar, que minha mãe me emprestou e ainda nem comecei. Tenho em casa uns dois da Agatha ainda não lidos, e tô a fim de começar A Bússola de Ouro. Pode ser um desses, pode não ser nenhum deles...
obs.: Acompanhei o meme literário no blog da Lu Naomi, mas a ideia original é do blog Happy Batatinha. Foi feito no mês de outubro, mas eu vou de atrasilda mesmo assim, tá? Fiquei a fins. :)
9 de fev. de 2011
Maigret et la jeune morte - meu primeiro livro do Maigret!
Georges Simenon é um dos grandes autores do polar français. Pra quem não sabe, polar é o apelido francês do estilo literário "romance policial". Eu nunca tinha lido nada de Simenon. Eu sou uma criatura fiel, né? Primeiro fui fiel ao Sherlock Holmes. Li umas poucas Agathas na adolescência, impliquei com ela (sim, gente, impliquei com a muié, perdoem a adolescenta, eu era doida no Sherlock, tá?). Li UM Arsène Lupin na adolescência e gostei, mas não li outro.
Depois de ter terminado todos os Sherlocks, anos se passaram e voltei a ler Agatha, amando e tudo mais. Voltei a ler Arsène Lupin, o cavalheiro ladrão do autor Maurice Leblanc, amando-o e tudo mais (não li muitos dele ainda, na verdade, uns três ou quatro livros só). E agora resolvi lançar-me ao clássico Simenon e seu commissaire Maigret.
Bem leitora de primeira viagem, pedi conselhos no stand da Livraria Francesa na Feira Pan-Amazônica do Livro do ano passado sobre por onde poderia começar a ler Maigret, e o vendedor me recomendou esse excelente Maigret et la Jeune Morte ("Maigret e a Jovem Morta").
É um policial muito clássico, pois Maigret é um policial! Dou-me conta de que é a primeira vez que isso acontece nos policiais que gosto de ler. É também clássico porque todo o clima do livro é muito noir, sabem? Com aquelas investigações rolando de madrugada por ruelas mal frequentadas, senhoras de má reputação que gostam de falar dos outros, policiais que bebem vinho e café e nunca dormem nem voltam pra casa enquanto o caso não está resolvido. Essas coisas. Muita melancolia francesa, o ritmo é muito diferente do inglesismo mais ativo de Sherlock, ainda que masculino, e mais ainda da doçura, ainda que cruel, da confortável Agatha. É difícil comparar com os livros de Arsène Lupin, pois embora se classifiquem no mesmo nicho literário, como ele é o ladrão, o desenrolar vai de outro modo. Mas é preciso dizer que Maurice Leblanc se serve muito mais do charme francês do que Georges Simenon. Maigret não é charmoso. Ele é melancólico.
Sobre o livro em si, tentando não dar muito spoiler, o mais interessante é que a maior parte da obra, como sugere o título, se desenrola em cima da identidade da vítima, e não do assassino. O envolvimento de Maigret é paternal. É bem interessante.
A L&PM tem vários títulos do Maigret em português, mas não esse, infelizmente. Pra quem tem alguma noção de francês, a CLE International tem uma versão em français facile até com cd.
Assim vou ter que mencionar este post lá Club Jean Briant, né?
Depois de ter terminado todos os Sherlocks, anos se passaram e voltei a ler Agatha, amando e tudo mais. Voltei a ler Arsène Lupin, o cavalheiro ladrão do autor Maurice Leblanc, amando-o e tudo mais (não li muitos dele ainda, na verdade, uns três ou quatro livros só). E agora resolvi lançar-me ao clássico Simenon e seu commissaire Maigret.
Bem leitora de primeira viagem, pedi conselhos no stand da Livraria Francesa na Feira Pan-Amazônica do Livro do ano passado sobre por onde poderia começar a ler Maigret, e o vendedor me recomendou esse excelente Maigret et la Jeune Morte ("Maigret e a Jovem Morta").
É um policial muito clássico, pois Maigret é um policial! Dou-me conta de que é a primeira vez que isso acontece nos policiais que gosto de ler. É também clássico porque todo o clima do livro é muito noir, sabem? Com aquelas investigações rolando de madrugada por ruelas mal frequentadas, senhoras de má reputação que gostam de falar dos outros, policiais que bebem vinho e café e nunca dormem nem voltam pra casa enquanto o caso não está resolvido. Essas coisas. Muita melancolia francesa, o ritmo é muito diferente do inglesismo mais ativo de Sherlock, ainda que masculino, e mais ainda da doçura, ainda que cruel, da confortável Agatha. É difícil comparar com os livros de Arsène Lupin, pois embora se classifiquem no mesmo nicho literário, como ele é o ladrão, o desenrolar vai de outro modo. Mas é preciso dizer que Maurice Leblanc se serve muito mais do charme francês do que Georges Simenon. Maigret não é charmoso. Ele é melancólico.
Sobre o livro em si, tentando não dar muito spoiler, o mais interessante é que a maior parte da obra, como sugere o título, se desenrola em cima da identidade da vítima, e não do assassino. O envolvimento de Maigret é paternal. É bem interessante.
A L&PM tem vários títulos do Maigret em português, mas não esse, infelizmente. Pra quem tem alguma noção de francês, a CLE International tem uma versão em français facile até com cd.
Assim vou ter que mencionar este post lá Club Jean Briant, né?
21 de dez. de 2010
Sherlock Holmes - Noite Tenebrosa (Terror by Night)
Entre as primeiras adaptações cinematográficas do detetive da Baker Street figuram os filmes com Basil Rathbone no personagem principal. São os primeiros filmes de Sherlock Holmes falados, sabiam? Nigel Bruce faz um Dr. Watson desnecessariamente velho, mas essa é uma mania comum de algumas adaptações de tevê e cinema (nem todas: a nova série Sherlock, da BBC, coloca os dois amigos corretamente na mesma faixa etária).
Pois eu ganhei de Natal da querida Lu Naomi o dvd de Noite Tenebrosa (Terror by Night, 1946)! Gente que ama bons crimes e mais ainda os elegantes solucionadores dos mistérios criminais, como nós duas, vibra com uma Noite Tenebrosa a preencher seu Natal, né não? Pois eu já assisti duas vezes, não por uma razão qualquer, mas porque esse ótimo dvd (pela primeira vez em cores) traz nos extras a versão em preto & branco. Não resisti, e vi as duas.

Segundo a wiki, o roteiro é livremente baseado em duas histórias de SH: The Adventure of the blue carbuncle e The Disappearence of Lady Frances Carfax. Eu encontrei muito pouco dessas histórias no roteiro. Um velha dama, uma joia, o esquema do caixão. Digamos que seja inspirado nos contos. Mas é um bom roteiro. Assassinato, roubo, luta, a retomada de um clássico vilão (não, n00bs, não é o Moriarty! :P A história já se passa após a morte do maior inimigo de Holmes), e o curioso empréstimo a Agatha Christie de um elemento criminal pouco sherlockiano: o confinamento no trem.
Sherlockianos costumam se ressentir das tentativas de humor nas adaptações, porque Conan Doyle não incluía humor nos seus textos, mas eu pessoalmente já considero uma vantagem se o alvo do humor não for o próprio Holmes. No caso, Watson e Lestrade são os ridicularizados, talvez um pouco demais, especialmente Lestrade, coitado. No final ele é de grande ajuda, mas claro que o golpe de mestre é do mestre. Sherlock Holmes! : )
Apesar de virar alvo de piada, Watson foi bem retratado. É bem dele confiar logo nas pessoas e querer fazer algumas coisas sozinho na investigação. Claro que, nos livros, ele não é tão desastrado quanto foi nesses filme. E pra quem gosta das comparações Agatha-Christianas, acho que Watson com o tempo tornou-se um sidekick mais competente do que Hastings. Talvez, afinal, o ego de Poirot fosse de fato maior...
Rathbone faz um belíssimo Holmes, centrado, alto (como isso é indispensável), expressão de escrutínio na medida, a luta coreografada (no estilão da década de 40, claro, mas já deu um banho na série da Granada Television), enfim: vestiu o sobretudo com dignidade e fumou o cachimbo com propriedade. Mereceu seu Holmes. Fazer um Holmes correto é tudo o que um aficionado espera de um ator britânico, alto, magro de cabelos castanhos.
Se tiver nariz aquilino, é bônus! ;D
Pois eu ganhei de Natal da querida Lu Naomi o dvd de Noite Tenebrosa (Terror by Night, 1946)! Gente que ama bons crimes e mais ainda os elegantes solucionadores dos mistérios criminais, como nós duas, vibra com uma Noite Tenebrosa a preencher seu Natal, né não? Pois eu já assisti duas vezes, não por uma razão qualquer, mas porque esse ótimo dvd (pela primeira vez em cores) traz nos extras a versão em preto & branco. Não resisti, e vi as duas.
Segundo a wiki, o roteiro é livremente baseado em duas histórias de SH: The Adventure of the blue carbuncle e The Disappearence of Lady Frances Carfax. Eu encontrei muito pouco dessas histórias no roteiro. Um velha dama, uma joia, o esquema do caixão. Digamos que seja inspirado nos contos. Mas é um bom roteiro. Assassinato, roubo, luta, a retomada de um clássico vilão (não, n00bs, não é o Moriarty! :P A história já se passa após a morte do maior inimigo de Holmes), e o curioso empréstimo a Agatha Christie de um elemento criminal pouco sherlockiano: o confinamento no trem.
Sherlockianos costumam se ressentir das tentativas de humor nas adaptações, porque Conan Doyle não incluía humor nos seus textos, mas eu pessoalmente já considero uma vantagem se o alvo do humor não for o próprio Holmes. No caso, Watson e Lestrade são os ridicularizados, talvez um pouco demais, especialmente Lestrade, coitado. No final ele é de grande ajuda, mas claro que o golpe de mestre é do mestre. Sherlock Holmes! : )
Apesar de virar alvo de piada, Watson foi bem retratado. É bem dele confiar logo nas pessoas e querer fazer algumas coisas sozinho na investigação. Claro que, nos livros, ele não é tão desastrado quanto foi nesses filme. E pra quem gosta das comparações Agatha-Christianas, acho que Watson com o tempo tornou-se um sidekick mais competente do que Hastings. Talvez, afinal, o ego de Poirot fosse de fato maior...
Rathbone faz um belíssimo Holmes, centrado, alto (como isso é indispensável), expressão de escrutínio na medida, a luta coreografada (no estilão da década de 40, claro, mas já deu um banho na série da Granada Television), enfim: vestiu o sobretudo com dignidade e fumou o cachimbo com propriedade. Mereceu seu Holmes. Fazer um Holmes correto é tudo o que um aficionado espera de um ator britânico, alto, magro de cabelos castanhos.
Se tiver nariz aquilino, é bônus! ;D
15 de set. de 2010
Old lady
Eu chamaria isso de "treinamento Miss Marple".
O Poirot chama muito a atenção, né? Todo aquele ego e tudo mais, e os detetives são atraentes, montando seus quebra-cabeças enquanto todos os outros estão no escuro. Confesso que sou apaixonada por eles. Holmes, Poirot.
Mas ela... Ela é uma de nós! Nós, que ficamos lendo histórias de detetives e nos tornamos observadoras da vida real e das pessoas, todas nós guardamos dentro de nós uma Miss Marple a tomar chá e conversar sobre as pessoas. Puro interesse no ser humano, nos padrões de comportamento, no que se repete, no que se pode prever. Atenta aos pequenos sinais que indicam quem é quem, qual o papel de cada um no quadro geral de uma casa, de uma família, de um grupo humano onde quer que esteja. Não se engane, os papéis sempre são distribuídos, e as pessoas tendem a agir de acordo com eles.
Jane Marple age por instinto e vocação, não por profissão nem por recompensa. E sua posição neutra e
inofensiva é o segredo de sua eficácia. Ela chega onde nenhum Poirot chegaria. Bom, é incomparável, de fato. Ele usa as células cinzentas, ela usa "people skills". Ele não excede muito nesse campo, né?
Meu caso favorito de Miss Marple até hoje, e um de meus livros favoritos da Agatha, é "Convite para um Homicídio". Geralmente o caso me conquista quando eu o resolvo, e esse eu meio que resolvi, mas muito mal e porcamente. Eu já tava sacando que tinha que ser aquela pessoa, mas não sabia nem como nem porquê.
Spoiler em branco aqui embaixo:
Eu cheguei a CORRIGIR a lápis na minha edição quando a Bunny chama Letty de "Lotty", achando que era um erro de revisão. Tolinha. Na segunda vez que fui corrigir, parei. Peraí, o mesmo erro, duas vezes?..
-Livre de spoiler daqui pra frente!-
Sutileza, as versões tão semelhantes, as contradições de cada testemunho são tão pequenas, mas é nelas que está o diabo. Nos detalhes.
É isso que mais amo em Jane Marple. O que ela permite que eu empreste. O que há dela em mim. Aguardem. Um dia hei de dar à luz minha própria Miss Marple...
Mais Agatha hoje em...
Clique aqui para aprender a fazer o famoso bolo Delicious Death da louca da Mitzi.
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