Bora conferir meus livros de 2016? Já pode encerrar? Será termino mais algum até amanhã?..
1) Uma semana para se perder, Tessa Dare
2) Uma dama à meia-noite, Tessa Dare
3) The Beauty and the Blacksmith, Tessa Dare *
4) Any Duchess Will Do, Tessa Dare *
5) Lord Dashwood Missed Out, Tessa Dare
Pois sim, era o ano da Tessa Dare. Romance de época continuou sendo o gênero dominante este ano, que como vocês vão ver. O primeiro volume da série Spindle Cove (e a novela 1.5) tinha sido lido em 2015. Os * indicam os melhores livros do ano, e The Beauty And The Blacksmith eu reli logo em seguida, imediatamente após terminá-lo. Spindle Cove consolidou Tessa Dare como minha autora favorita de romance de época. Ainda durante o ano de 2016 Tessa Dare conseguiu alcançar um posto entre meus top 5 autores em qualquer gênero. Aguardem...
6) A Study In Scarlet, Arthur Conan Doyle
Gente, de vez em quando eu preciso, né? Não tenho nem que justificar.
7) Era Uma Vez No Outono, Lisa Kleypas
8) Again The Magic, Lisa Kleypas *
9) Manual do Autismo, Gustavo Teixeira
A vida segue acontecendo enquanto a gente lê, né? ;)
10) Lady Susan, Jane Austen
11) Devil In Winter, Lisa Kleypas
12) Scandal In Spring, Lisa Kleypas
13) A Wallflower's Christmas, Lisa Kleypas *
Eu não tinha gostado tanto do primeiro livro da LK que li em 2015, o primeiro a série Wallflowers, mas a série vai melhorando, sim.
14) Brighter Than The Sun, Julia Quinn
Um pequeno comentário é necessário aqui: foi um esforço voltar a ler Julia Quinn porque eu tinha detestado o primeiro livro dessa duologia (Everything And The Moon). Brighter Than The Sun é melhor mas é chato. Não gostei da duologia Lyndon Sisters, está dito.
15) Pérolas Dão Azar, Raymond Chandler
Minha tentativa de ler outros policiais clássicos não foi bem sucedida com Raymond Chandler. O estilo não me agradou. Se alguém quiser me indicar outro dele que considere melhor, aceito. Ou outros policias clássicos. Estou quase terminando a obra da Agatha Christie e estou morrendo de pena.
16) Depois Do Funeral, Agatha Christie
17) Escola De Tradutores, Paulo Rónai
18) Desejo À Meia-Noite, Lisa Kleypas
19) Sedução Ao Amanhecer, Lisa Kleypas
20) Casamento Hathaway, Lisa Kleypas
21) Tempt Me At Twilight, Lisa Kleypas
22) Married By Morning, Lisa Kleypas
23) Love In The Afternoon, Lisa Kleypas *
Finalmente consegui maratonar Lisa Kleypas! Ainda assim sou obrigada a reconhecer que as Wallflowers são um série melhor que os Hathaways, que demoraram a conseguir um * de destaque: somente o último livro realmente me pegou de jeito. Lisa Kleypas é muito boa de romance e hot, mas os argumentos dela são meio fracos e me irritam.
24) A Night For Love, Mary Balogh
25) O Que Eu Quero De Presente, Suelen Carvalho
26) O Espelho de Laura, Suelen Carvalho (inédito, leitura beta)
Autora nacional e amiga. Na verdade o primeiro eu li no começo do ano, mas tinha esquecido de anotar então ficou fora de ordem.
27) Career Of Evil, Robert Galbraith *
28) A Summer To Remember, Mary Balogh
29) Slightly Married, Mary Balogh
30) A Teia da Aranha, Agatha Christie
31) Slightly Wicked, Mary Balogh
32) Slightly Scandalous, Mary Balogh
33) Roube Como Um Artista, Austin Kleon
34) Slightly Tempted, Mary Balogh *
35) Slightly Sinful, Mary Balogh
36) Slightly Dangerous, Mary Balogh *
Vamos falar sobre os Bedwyns? Acho que sofri um pouco com excesso de expectativa neste caso. A escrita da Mary é ótima e a construção dos personagens é excelente, é o ponto forte dela. Onde eu acho que peca é no argumento. Há muitas situações repetitivas nos livros, como a saga dos noivados/casamentos falsos. Acho que só tem dois livros da série que não tem nada disso. Reações muito padronizadas das mocinhas também me incomodou: quase todas caíram no momento de "vc não tem que casar comigo só por honra". Essas duas coisas me irritaram nessa série, mas ainda assim é muito boa. Só pra ser do contra, meu livro favorito não é o do Wulf, mas o da Morgan. Mas meu Bedwyn favorito é o Wulf, sim...
37) Quando Te Encontrei, Jariane Ribeiro
38) Romancing The Duke, Tessa Dare *
39) Diga Sim Ao Marquês, Tessa Dare *
40) O Beijo da Lua, Nana Valenttine
41) When A Scot Ties the Knot, Tessa Dare *
Pelo amor de Deus, vamos falar sobre a Série Castles Ever After! Tessa Dare é uma de minhas autoras favoritas na vida. Autoras/autores. Esta série é perfeita, nenhum dos três livros que li me decepcionou em nada nada nada! Os três são destaques do ano. Melhor enredo, provavelmente o primeiro. Melhor casal, com certeza o segundo. O mais comovente e surpreendente é o terceiro.
42) Não Quero Ser Lembrado, Lucas Rezende
43) The Scandalous, Dissolute, No Good Mr. Wright, Tessa Dare
44) Do You Want To Start A Scandal?, Tessa Dare
Crossover entre Spindle Cove e Castles Ever After, livro maravilhoso também. Um dos mais hot da Tessa. Um dos melhores mocinhos, uma das melhores mocinhas.
45) JE SUIS LÀ, CLÉLIE AVIT **
Melhor. Livro. Do. Ano. Sim, o último livro que terminei em 2016 foi o livro do ano. Um título que apareceu do nada no meu Facebook, nem me lembro onde, acho que na página da Livraria Francesa. Li o ebook no original, mas existe em português, sim, chama-se "Eu Estou Aqui". Um romance emocionante, comovente, veloz e que te deixa querendo mais mais mais.
Este ano vou começar a divulgar também minha lista de escritos. Eu sempre anoto o que termino de escrever naquele ano, no mesmo caderno em que anoto o que termino de ler. Vamos lá!
1) No Parque da Cidade: publicado!
2) O Sangue: publicado!
3) Foro Privilegiado: publicado!
4) Stage Door: publicado!
5) D.O.C.: inédito!
Foi um ano super diversificado em termos de trabalho. Terminei a tradução e nova versão do "Jesse", republiquei "Catarina" e "Jesse" com novas capas e comecei a traduzir as sequels da série. Voltei a mexer na série da "Ventura" e comecei várias histórias novas. Destaco "A Dívida de Íris", "Retorno" (que finalmente vai explicar do que se trata a série de TV Return, mencionada em "Stage Door" e "Não Sou uma Planta"!!), "Invasão" e "Condomínio". Isso é só pra vcs ficarem de olho no que vai vir por aí... ;)
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30 de dez. de 2016
5 de nov. de 2013
John Watson sobre Mary Morstan
sorry, Johnlockers, mas...
"A wondrous subtle thing is love, for here were we two, who had never seen each other before that day, between whom no word or even look of affection had ever passed, and yet now in an hour of trouble our hands instinctively sought for each other. I have marvelled at it since, but at the time is seemed the most natural thing that I should go out to her so, and, as she has often told me, there was in her also the instinct to turn to me for comfort and protection. So we stood hand in hand, like two children, and there was peace in our hearts for all the dark things that surrounded us."
(CONAN DOYLE, in The Sign of the Four, The Tragedy of Pondicherry Lodge)
"A wondrous subtle thing is love, for here were we two, who had never seen each other before that day, between whom no word or even look of affection had ever passed, and yet now in an hour of trouble our hands instinctively sought for each other. I have marvelled at it since, but at the time is seemed the most natural thing that I should go out to her so, and, as she has often told me, there was in her also the instinct to turn to me for comfort and protection. So we stood hand in hand, like two children, and there was peace in our hearts for all the dark things that surrounded us."
(CONAN DOYLE, in The Sign of the Four, The Tragedy of Pondicherry Lodge)
24 de jan. de 2012
Um olhar sobre Sherlock
*escrevendo sob impacto*
Eu sempre soube ser uma fã apaixonada. Acho que tem gente que nasce com esse gene, o da tietagem, e essas pessoas conseguem dedicar paixões imorríveis a gente inalcançável ou gente inexistente. E fã cria relações por vezes extremadas com esses objetos de paixão.
Vocês já sabem um pouco da minha história com Sherlock Holmes. Eu o conheci sob a capa dura do Círculo do Livro, aos 11 anos de idade, e antes da maioridade já terminara toda a coleção de sete volumes. Lembro de render o último volume. E depois disso, de os reler.
Meu respeito pelo personagem beira a religião. Lembro-me de ter implicado de algum modo com quase todas as adaptações já feitas, embora eu goste de algumas, sim. Nenhuma, porém, me arrebatou. Somente aquela que mais o alterou e mais o preservou. Simultaneamente.
Gênio, é de um gênio a ideia de que apenas deslocando em mais de um século toda a história desse personagem é que seria possível fazer jus ao seu tamanho. Foi a liberdade da anacronia temporal que deu à dupla Gatiss-Moffat o ambiente perfeito para explorar com cuidado e respeito a personalidade magnética de Sherlock Holmes, tornando-a atraente para o público atual sem desmerecer em nada o Sherlock Holmes original.
Eu sempre soube ser uma fã apaixonada. Acho que tem gente que nasce com esse gene, o da tietagem, e essas pessoas conseguem dedicar paixões imorríveis a gente inalcançável ou gente inexistente. E fã cria relações por vezes extremadas com esses objetos de paixão.
Vocês já sabem um pouco da minha história com Sherlock Holmes. Eu o conheci sob a capa dura do Círculo do Livro, aos 11 anos de idade, e antes da maioridade já terminara toda a coleção de sete volumes. Lembro de render o último volume. E depois disso, de os reler.
Meu respeito pelo personagem beira a religião. Lembro-me de ter implicado de algum modo com quase todas as adaptações já feitas, embora eu goste de algumas, sim. Nenhuma, porém, me arrebatou. Somente aquela que mais o alterou e mais o preservou. Simultaneamente.
Gênio, é de um gênio a ideia de que apenas deslocando em mais de um século toda a história desse personagem é que seria possível fazer jus ao seu tamanho. Foi a liberdade da anacronia temporal que deu à dupla Gatiss-Moffat o ambiente perfeito para explorar com cuidado e respeito a personalidade magnética de Sherlock Holmes, tornando-a atraente para o público atual sem desmerecer em nada o Sherlock Holmes original.
Sim. Eu tenho um dedoche magnético do Sherlock Holmes.
Desde o princípio uma das coisas que mais me fascinou na série Sherlock foi a eficiência com que transferiam não os casos, mas as deduções de Sherlock Holmes dos livros para a tv, ainda que em casos completamente diferentes que não guardavam senão semelhanças quase brincalhonas - entre títulos e outras referências - com os enredos originais.
Porém há sim algumas diferenças que considero significativas.
1) Moriarty: Jim não é "professor" e é slightly more maniac do que o Professor James Moriarty original. Provavelmente é o personagem mais alterado, mas na verdade tinham pouco em que se basear porque...
2) Moriarty existe desde sempre: nos livros, James Moriarty é criado para matar Sherlock Holmes e o único caso em que aparece é justamente "The Final Problem". Aqui não, eles antagonizam desde o começo.
3) John Watson não se casa nem exerce a medicina: a vida dupla do dr. John Watson era muito mais plausível nos livros. Na virado do dezenove pro vinte seria pouco provável que o rapaz pudesse continuar vivendo só de assessorar um detetive e relatar suas histórias. Ainda mais quando passou a sustentar uma esposa. Ela, no caso, como bem lembrou o Emerson, era bem mais fácil de ser escondida nos livros. Na série ficaria estranho, visto que ela de fato nunca mais aparece nos enredos dos casos, só mesmo naquele em que ela é introduzida, "The Sign of Four".
O que é semelhante, quando não igual?
A) Sherlock Holmes: a lógica, o ar blasé com que desvenda as menores e maiores coisas, a excitação com os grandes casos, a irritação com o que não lhe desafia, a hiperatividade x a prostração (bipolar? a se pensar...), a determinação (palavrinha mais batida, né? mas é), o conhecimento imenso de coisas ridículas (tipos de tabaco) e de coisas úteis (mapa de Londres), os métodos pouco convencionais (a rede de mendigos informantes), a androginia-misoginia-atitude-nem-aí-pra-sexo, a agilidade na fuga. [falta mostrar que ele é bom de briga e de disfarces, mas ainda temos tempo]
B) Holmes + Watson: ou, no caso aqui, Sherlock + John. Companheirismo, amizade, mau humor, falta de respeito (do um pelo outro, claro). Aquele jeito irritantemente quase carinhoso que o Sherlock tem de mostrar ao John como é óbvio tudo aquilo que ele deduziu. A imorredoura estupefação de John. Sherlock é sim duro, mas nunca se deve duvidar da amizade e da forte ligação que há entre os dois. Sherlock precisa de John, sabe disso e não se envergonha. [falta mostrar que John se arrisca na dedução, Sherlock até fica orgulhoso, mas o pobrezinho sempre erra tudo, mas ainda temos tempo. quanto tempo?]
C) Mrs. Hudson: pode parecer pouco, mas a presença reconfortante de Mrs. Hudson é que te garante que tudo ali está no lugar, e ela é perfeita, dosada, na medida. Vivas para ela.
D) Holmes + polícia: embora só Lestrade esteja presente (cadê o Gregson? ainda temos tempo?), a relação arranhada é aquela ali.
E) Mycroft: preciso dizer que ADORO Mycroft Holmes. Nos livros E na tevê, mas devo dizer que não sabia se o classificava no que mudou ou no que foi mantido. A relação entre os irmãos, de admiração, competição e confiança, está bem retratada. Mycroft é de fato um homem poderoso dentro do governo britânico e pede ajuda a Sherlock algumas vezes. Mas falta o algo que me atraiu sempre em Mycroft. O mesmo talento do irmão mais novo, senão mais, porém nenhuma intenção-disposição de correr atrás de bandido nem de fazer disso profissão. Mycroft era o único que podia corrigir Sherlock. Mesmo que tenhamos tempo, não sei se ainda faria sentido incluir isso no Mycroft da tevê.
E aí a pergunta é: ainda temos tempo? Quanto tempo temos? Comecei a ficar genuinamente preocupada quando vi a quantidade de títulos de casos que foram "queimados" en passant no episódio da Irene Adler. The Speckled Blond, The Geek Interpreter, The Six Thatchers. Se a intenção for sempre a de se inspirar nos casos escritos por Conan Doyle, que não são muitos, queimá-los assim no atacado só pode significar uma coisa: esta série não vai durar muito tempo. Além da miserável quantidade de episódios por temporada, não haverá muitas temporadas, visto que ao final da segunda já chegamos ao clímax do Problema Final.
Agarremo-nos ao conforto de que não durará tempo suficiente para perder o rumo...
Spoilers em branco abaixo:
- Molly trocou os corpos? Quando? Já embaixo, provavelmente. Como se deu a rápida transformação, que Jim já fizera antes, ao sequestrar as crianças, é claro. Quem era o homem na bicicleta, atropelando John? Mycroft? Aguardamos ansiosos "A Casa Vazia"...
8 de jan. de 2012
Os livros de 2011
Ano fraco.
Ok, precisamos decidir uma coisa: livro de leitura fácil em idioma estrangeiro vale? Este ano teve alguns e vou contá-los, mas it's up to you. Or to me?
1) "Le Petit Prince", Antoine de Saint-Exupéry (fr): audiolivro. Raridade para mim, pq eu costumo dormir. Tenho o audiolivro do primeiro HP também em francês, e nunca consigo terminar.
2) "El regreso de Sherlock Holmes", Arthur Conan Doyle (es): não avancei muito na minha releitura de SH este ano, li apenas esse volume em espanhol, que segue O Cão dos Baskervilles.
3) "Maigret et la jeune morte", Georges Simenon (fr): meu primeiro Maigret! Gostei.
4) "Monsieur Ibrahim et les fleurs du Coran", Éric-Emmanuel Schmitt (fr): releitura. Recomendo sempre fortemente, livro lindo! Este ano também vi o filme, perfeito!
5) Ben-Hur (de): leitura facilitada em alemão. Já terminei mais um auf deutsch este ano. ;P
6) "O símbolo perdido", Dan Brown: Professor Langdon, meu filho, volte pra Europa. Suas histórias não vingam nos Estados Unidos. Forçado pacas.
7) "O Natal de Poirot", Agatha Christie: pra variar, muita Agatha este ano.
8) "Poirot perde uma cliente", AC: gosto muito desta história.
9) "Le tour du monde en 80 jours", Jules Verne (fr): leitura facilitada em francês. Escolhendo para passar pros alunos.
10) "Les trois mousquetaires", Alexandre Dumas (fr): facilitada, mesmo objetivo.
11) "Uma dose mortal", AC: excepcional.
12) "M ou N?", AC: até gostei, mas T&T não são meu forte.
13) "A extravagância do morto", AC: que tema clássico.
14) "Arsène Lupin contre Herlock Sholmès", Maurice Leblanc (fr): excelente!! Leblanc respeitou Sherlock totalmente, sem diminuir Lupin. Classudo.
15) "Au Bonheur des Dames", Émile Zola (fr): melhor livro do ano! Zola é tão envolvente!
16) "Hora zero", AC: muito bom!
17) "Testemunha ocular do crime", AC: simplesmente um dos melhores de Miss Marple. Lucy Eyelesbarrow é uma daquelas mulheres que só Agatha podia criar. Adorei ela!
18) "A história sem fim", Michael Ende: não dá pra não ler, minha gente! De preferência, leia antes dos 18...
19) "O dia do curinga", Jostein Gaarder: releitura periódica, recomendada para manter a saúde mental.
20) "A outra volta do parafuso", Henry James: uma história favorita na minha vida, mas eu sempre lia na adolescência a versão da série Reencontro. Impossível largar, como eu me lembrava. Eu não gosto de terror, mas este livro é ótimo!
21) "Assassinato no Expresso Oriente + Morte no Nilo", AC em hq: legal, mas acho que a adaptação deixou um pouco a desejar. Claro que é difícil transpor tudo para diálogos de hq, mas mesmo assim...
Não estou traçando metas para este ano, embora eu tenha achado 2011 bem fraquinho. Me aborrece não chegar nem mesmo a dois livros por mês, ainda mais com releituras...
Boas leituras pra todos em 2012!
Ok, precisamos decidir uma coisa: livro de leitura fácil em idioma estrangeiro vale? Este ano teve alguns e vou contá-los, mas it's up to you. Or to me?
1) "Le Petit Prince", Antoine de Saint-Exupéry (fr): audiolivro. Raridade para mim, pq eu costumo dormir. Tenho o audiolivro do primeiro HP também em francês, e nunca consigo terminar.
2) "El regreso de Sherlock Holmes", Arthur Conan Doyle (es): não avancei muito na minha releitura de SH este ano, li apenas esse volume em espanhol, que segue O Cão dos Baskervilles.
3) "Maigret et la jeune morte", Georges Simenon (fr): meu primeiro Maigret! Gostei.
4) "Monsieur Ibrahim et les fleurs du Coran", Éric-Emmanuel Schmitt (fr): releitura. Recomendo sempre fortemente, livro lindo! Este ano também vi o filme, perfeito!
5) Ben-Hur (de): leitura facilitada em alemão. Já terminei mais um auf deutsch este ano. ;P
6) "O símbolo perdido", Dan Brown: Professor Langdon, meu filho, volte pra Europa. Suas histórias não vingam nos Estados Unidos. Forçado pacas.
7) "O Natal de Poirot", Agatha Christie: pra variar, muita Agatha este ano.
8) "Poirot perde uma cliente", AC: gosto muito desta história.
9) "Le tour du monde en 80 jours", Jules Verne (fr): leitura facilitada em francês. Escolhendo para passar pros alunos.
10) "Les trois mousquetaires", Alexandre Dumas (fr): facilitada, mesmo objetivo.
11) "Uma dose mortal", AC: excepcional.
12) "M ou N?", AC: até gostei, mas T&T não são meu forte.
13) "A extravagância do morto", AC: que tema clássico.
14) "Arsène Lupin contre Herlock Sholmès", Maurice Leblanc (fr): excelente!! Leblanc respeitou Sherlock totalmente, sem diminuir Lupin. Classudo.
15) "Au Bonheur des Dames", Émile Zola (fr): melhor livro do ano! Zola é tão envolvente!
16) "Hora zero", AC: muito bom!
17) "Testemunha ocular do crime", AC: simplesmente um dos melhores de Miss Marple. Lucy Eyelesbarrow é uma daquelas mulheres que só Agatha podia criar. Adorei ela!
18) "A história sem fim", Michael Ende: não dá pra não ler, minha gente! De preferência, leia antes dos 18...
19) "O dia do curinga", Jostein Gaarder: releitura periódica, recomendada para manter a saúde mental.
20) "A outra volta do parafuso", Henry James: uma história favorita na minha vida, mas eu sempre lia na adolescência a versão da série Reencontro. Impossível largar, como eu me lembrava. Eu não gosto de terror, mas este livro é ótimo!
21) "Assassinato no Expresso Oriente + Morte no Nilo", AC em hq: legal, mas acho que a adaptação deixou um pouco a desejar. Claro que é difícil transpor tudo para diálogos de hq, mas mesmo assim...
Não estou traçando metas para este ano, embora eu tenha achado 2011 bem fraquinho. Me aborrece não chegar nem mesmo a dois livros por mês, ainda mais com releituras...
Boas leituras pra todos em 2012!
11 de jun. de 2011
Os grandes detetives: quando cai o pano sobre o problema final... - Parte 2: a volta do abismo
E agora, John Watson?
O que fazer sem o ultimate bromance da literatura de mistério? Não há mais razão para viver!
The Great Hiatus (O Grande Hiato)
The Final Problem ambienta-se em 1891, mas foi publicado em 1893. Oito anos de pressão pública levam Conan Doyle a lançar, em 1901, o maior clássico do detetive inglês: "The Hound of the Baskervilles" (O Cão dos Baskervilles), sem menção à morte de Holmes. Especula-se que a história se passou em 1889, embora a história devesse se passar antes de 1891, ano da morte de Sherlock Holmes. O público não se deu por satisfeito, e dois anos depois Conan Doyle ressuscitou seu morto.
Isso mesmo, Arthur. Mãos à obra, pode voltar a escrever Sherlock Holmes!
Sherlock The Gray? - The Empty House
Voltar da morte não é um artifício inédito para heróis da ficção (vide Jesus, Goku, Gandalf...), mas é obrigatório que a "ressurreição" seja plausível, coerente com a história anterior e com o personagem, enfim, que seja facilmente "engolível" pelo público.
Se eu acho que a história da volta de Holmes é plausível? Sim, acho. Mais tarde chegaremos aos poréns...
"A Casa Vazia", que na adolescência era uma de minhas histórias favoritas de Holmes (provavelmente mais pelo que representava), primeiro conto do volume "The Return of Sherlock Holmes", tem a data estabelecida logo na primeira linha: 1894. Começa com o relato melancólico de Watson de seu interesse por notícias criminais que o levou a acompanhar o caso do assassinato misterioso do jovem Ronald Adair, e lamenta-se o doutor da ausência da "mente alerta" do principal combatente do crime na Europa, o qual, segundo Watson, certamente se interessaria pelo caso Ronald Adair.
Considero que a solução encontrada pela série televisiva Granada foi interessantíssima: Watson teria se tornado médico legista após o desaparecimento de Holmes, como forma de continuar convivendo com o mundo que antes compartilhava com o amigo. Aliás, na terceira temporada da série, que começa com esse episódio, temos um novo Watson, agora interpretado por Edward Hardwicke (substituindo David Burke). Gostei do Watson de Hardwicke mais que do de Burke, embora ele pareça ainda mais velho do que Holmes (nem é verdade: descobri que Brett, Burke e Hardwicke tinham quase a mesma idade! Brett parecia mais novo...). Aliás Edward Hardwicke faleceu este ano, dia 16 de maio, e também esteve na série Agatha Christie's Poirot, episódio The Hollow (era sir Henry Angkatell).
Jeremy Brett como Holmes e Edward Hardwicke como Watson: Brett não parece mesmo mais jovem?
É claro que todos já esperavam rever Holmes, então a aparição do velho livreiro encurvado de suíças brancas é logo suspeita. Holmes é um mestre dos disfarces! Contudo, a meu ver, como o retorno já era esperado aqui, o efeito do disfarce do clérigo italiano no vagão de trem de The Final Problem, por exemplo, tem muito mais impacto do que o do velho colecionador de livros.
"Eis-me aqui, brô!" (deixa para o desmaio do doutor)
Aí vem o trecho mais importante da história: a explicação de Holmes para o seu sumiço. Como escapou da queda (uma vez que, nos livros, fica bem relatado que Watson procurou pegadas na beirada do abismo e só encontrou dois pares que chegavam até a beira e não voltavam), por que se fingiu de morto, onde estava e por que voltou agora. Nada disso tem muito a ver com o assassinato de Ronald Adair, mas ninguém questiona que a única razão de ser de A Casa Vazia é ressuscitar Holmes, então este é sem dúvida o pedaço mais importante da história.
E eu considero plausíveis as explicações de Holmes sobre como conseguiu sobreviver à luta com Moriarty (e só o vilão caiu no precipício) graças a seus conhecimentos da luta japonesa baritsu e como pôde se safar daquele local sem voltar sobre suas pegadas, escalando parte de montanha. Holmes é ágil, atlético, tem excelente condicionamento físico, luta muito bem. Concordo com Holmes que, se era preciso se fingir de morto, era melhor que Watson acreditasse nisso, e tudo mais. A questão é a razão, esse outro novo vilão. Digamos que eu acho que a carta da criação de um grande vilão para explicar uma grande reviravolta na biografia de Holmes já tinha sido usada, e com maestria, para matá-lo. Por isso já não tem grande impacto para ressuscitá-lo! Sebastian Moran não se vende tão bem como vilão, só por ser o "segundo", e ninguém espera que Holmes tenha medo do "segundo melhor" (ou pior, né?). Usar o mesmo artifício duas vezes seguidas foi o que desvalorizou o próprio artifício, embora não chamusque a reputação de Moriarty como vilão, claro.
Será que chamusca a reputação de Sherlock Holmes?
Não sei. Só sei que o que o público queria foi feito: ele estava de volta. E a cena de tocaia na casa vazia é muito boa, tensa, bem escrita. No geral ainda gosto muito desse conto, por ser tão marcante. Mas Sebastian Moran não me convence mais que outros vilões que o antecederam...
"The empty house is my tree and you are my tiger." (Sherlock Holmes, em The Empty House)
31 de mai. de 2011
Os grandes detetives: quando cai o pano sobre o problema final... - Parte 1: a queda
* Esta série de três posts conterá spoilers de "The Final Problem" e "The Empty House", de A. Conan Doyle, e também de "Cai o Pano" ("Curtain"), de Agatha Christie.
Como sempre, impressiona-me também o extremo cuidado e respeito com as ilustrações originais de Sidney Paget, para o The Strand. E agora que possuo as obras completas de Sherlock Holmes com as ilustrações originais (em linda e baratíssima edição da Wordsworth), corri a reler "The Final Problem", deliciando-me com as imagens e a literalidade da produção da Granada.
A história da morte da Sherlock Holmes começa antes do próprio conto. Começa na decisão de Sir Arthur Conan Doyle de matar seu personagem, que tornara-se tão maior do que ele próprio. O conto "final" de Holmes não é dos melhores, em termos de investigação, é mais dedicado a dar a dimensão da grandeza do personagem, usando como medida o seu maior rival, o Professor Moriarty.
"He is the Napoleon of crime, Watson. He is the organizer of half that is evil and of nearly all that is undetected in this great city. he is a genius, a philosopher, an abstract thinker. He has a brain of the first order. He sits motionless, like a spider in the centre of its web, but the web has a thousand radiations, and he knows well every quiver of each of them. He does little himself. He only plans."
O curioso é que Moriarty não havia sido mencionado antes do Problema Final. Ele foi criado à imagem e semelhança de Sherlock Holmes para poder destruí-lo. Para que a destruição do herói não diminuísse sua grandeza. Mesmo querendo a morte do personagem, Conan Doyle não podia desmerecê-lo. E com certeza não queria.
O fato de Moriarty ter "nascido" e morrido no mesmo conto não só não tira sua consistência como em nada atrapalhou a ascensão definitiva desse vilão ao panteão dos grandes vilões da ficção. Isso é extraordinário! Um vilão criado unicamente para destruir o herói, e que só passará a ser mencionado postumamente a partir de então, ter chegado a se tornar tão conhecido, ter virado uma referência no "crime organizado" da literatura, só mesmo a verve de Conan Doyle para alcançar esse feito!
"My horror at his crimes was lost in my admiration at his skill."
E é a isso que se deve o porte de Moriarty: à admiração de Sherlock Holmes. É o próprio herói que dá tamanho ao vilão, por admirá-lo. Por reconhecer nele o primeiro adversário à sua altura. Isso não é nada pouco, estar à altura de Sherlock Holmes.
Meu momento favorito no conto é, sem dúvida, o primeiro encontro face a face dos dois antagonistas. O diálogo entre Holmes e Moriarty é todo primoroso. Uma elegante e tensa medição de forças.
trecho que contém a maior parte da "conversinha"
"You crossed my patch on the 4th of January. On the 23rd you incommoded me; by the middle of February I was seriously inconvenienced by you; at the end of March I was absolutely hampered in my plans; and now, at the close of April, I find myself placed in such a position through your continual persecution that I am in positive danger of losing my liberty. The situation is becoming an impossible one."
A última frase poderia ter sido (e foi, afinal!) dita pelo próprio Conan Doyle para Sherlock. "A situação se tornou impossível".
Na produção da Granada, Moriarty é mencionado no episódio The Red-headed League, numa licença à obra original. Mas ele aparece pessoalmente apenas em The Final Problem, excelente interpretação de Eric Porter, e caracterização perfeita da persona do Professor (tão sinistro com seu sobretudo preto que deve ter sido o ícone fashion do Professor Snape!).
"'If you are clever enough to bring destruction upon me, rest assured that I shall do as much to you.'
'You have paid me several compliments, Mr Moriarty,' said I. 'Let me pay you one in return when I say that if I were assured of the former eventuality I would, in the interests of the public, cheerfully accept the latter.'
'I can promise you the one, but not the other." [min. 3:00 até 3:48 do vídeo acima]
É o que diz o fio-do-demo, saindo do 221B da Baker St. O final da sequência do papinho amigável entre os dois é eletrizante! Eric Porter põe uma carga danada de ódio e energia na última ameaça!
Jeremy Brett é bem-sucedido no retrato de seu estado nervoso e excitado; há o medo, e também o prazer de buscar uma vitória que, enfim, ele valorize.
The Reichenbach Falls, Suíça (Meiringen)
O local do encontro definitivo, da solução para o problema final.
The Reichenbach Falls
Hoje tem até um museu ali, no "Englischer Hof", hotel em que Watson e Holmes se hospedaram em Meiringen, Suíça.
Até os trajes que David Burke usa, compondo (pela última vez!) o dr. Watson, são bem parecidos com os das ilustrações de Sidney Paget. Simplesmente adoro esses detalhes! Gostaria de chamar a atenção de vocês para o fato de que Watson procura empregar os métodos de Holmes à beira do abismo ao investigar a queda, o desaparecimento, a morte do detetive. Veremos ainda uma outra vez, nesta série de posts, o resultado, sempre ineficiente, de um sidekick tentando tomar as vezes do detetive após a morte do herói.
A Granada carrega um pouquinho mais na emoção, mas dentro de um limite muito plausível, sem descaracterizar o personagem nem desafiar o texto. A cena da queda é belíssima.
A cena original, de Sidney Paget
still da cena da queda na série televisiva
Será mesmo o fim? No fundo, já sabemos a resposta...
Jeremy Brett, um Sherlock impecável!
(Aguardem continuação...)
9 de fev. de 2011
Maigret et la jeune morte - meu primeiro livro do Maigret!
Georges Simenon é um dos grandes autores do polar français. Pra quem não sabe, polar é o apelido francês do estilo literário "romance policial". Eu nunca tinha lido nada de Simenon. Eu sou uma criatura fiel, né? Primeiro fui fiel ao Sherlock Holmes. Li umas poucas Agathas na adolescência, impliquei com ela (sim, gente, impliquei com a muié, perdoem a adolescenta, eu era doida no Sherlock, tá?). Li UM Arsène Lupin na adolescência e gostei, mas não li outro.
Depois de ter terminado todos os Sherlocks, anos se passaram e voltei a ler Agatha, amando e tudo mais. Voltei a ler Arsène Lupin, o cavalheiro ladrão do autor Maurice Leblanc, amando-o e tudo mais (não li muitos dele ainda, na verdade, uns três ou quatro livros só). E agora resolvi lançar-me ao clássico Simenon e seu commissaire Maigret.
Bem leitora de primeira viagem, pedi conselhos no stand da Livraria Francesa na Feira Pan-Amazônica do Livro do ano passado sobre por onde poderia começar a ler Maigret, e o vendedor me recomendou esse excelente Maigret et la Jeune Morte ("Maigret e a Jovem Morta").
É um policial muito clássico, pois Maigret é um policial! Dou-me conta de que é a primeira vez que isso acontece nos policiais que gosto de ler. É também clássico porque todo o clima do livro é muito noir, sabem? Com aquelas investigações rolando de madrugada por ruelas mal frequentadas, senhoras de má reputação que gostam de falar dos outros, policiais que bebem vinho e café e nunca dormem nem voltam pra casa enquanto o caso não está resolvido. Essas coisas. Muita melancolia francesa, o ritmo é muito diferente do inglesismo mais ativo de Sherlock, ainda que masculino, e mais ainda da doçura, ainda que cruel, da confortável Agatha. É difícil comparar com os livros de Arsène Lupin, pois embora se classifiquem no mesmo nicho literário, como ele é o ladrão, o desenrolar vai de outro modo. Mas é preciso dizer que Maurice Leblanc se serve muito mais do charme francês do que Georges Simenon. Maigret não é charmoso. Ele é melancólico.
Sobre o livro em si, tentando não dar muito spoiler, o mais interessante é que a maior parte da obra, como sugere o título, se desenrola em cima da identidade da vítima, e não do assassino. O envolvimento de Maigret é paternal. É bem interessante.
A L&PM tem vários títulos do Maigret em português, mas não esse, infelizmente. Pra quem tem alguma noção de francês, a CLE International tem uma versão em français facile até com cd.
Assim vou ter que mencionar este post lá Club Jean Briant, né?
Depois de ter terminado todos os Sherlocks, anos se passaram e voltei a ler Agatha, amando e tudo mais. Voltei a ler Arsène Lupin, o cavalheiro ladrão do autor Maurice Leblanc, amando-o e tudo mais (não li muitos dele ainda, na verdade, uns três ou quatro livros só). E agora resolvi lançar-me ao clássico Simenon e seu commissaire Maigret.
Bem leitora de primeira viagem, pedi conselhos no stand da Livraria Francesa na Feira Pan-Amazônica do Livro do ano passado sobre por onde poderia começar a ler Maigret, e o vendedor me recomendou esse excelente Maigret et la Jeune Morte ("Maigret e a Jovem Morta").
É um policial muito clássico, pois Maigret é um policial! Dou-me conta de que é a primeira vez que isso acontece nos policiais que gosto de ler. É também clássico porque todo o clima do livro é muito noir, sabem? Com aquelas investigações rolando de madrugada por ruelas mal frequentadas, senhoras de má reputação que gostam de falar dos outros, policiais que bebem vinho e café e nunca dormem nem voltam pra casa enquanto o caso não está resolvido. Essas coisas. Muita melancolia francesa, o ritmo é muito diferente do inglesismo mais ativo de Sherlock, ainda que masculino, e mais ainda da doçura, ainda que cruel, da confortável Agatha. É difícil comparar com os livros de Arsène Lupin, pois embora se classifiquem no mesmo nicho literário, como ele é o ladrão, o desenrolar vai de outro modo. Mas é preciso dizer que Maurice Leblanc se serve muito mais do charme francês do que Georges Simenon. Maigret não é charmoso. Ele é melancólico.
Sobre o livro em si, tentando não dar muito spoiler, o mais interessante é que a maior parte da obra, como sugere o título, se desenrola em cima da identidade da vítima, e não do assassino. O envolvimento de Maigret é paternal. É bem interessante.
A L&PM tem vários títulos do Maigret em português, mas não esse, infelizmente. Pra quem tem alguma noção de francês, a CLE International tem uma versão em français facile até com cd.
Assim vou ter que mencionar este post lá Club Jean Briant, né?
26 de dez. de 2010
The Adventure of the blue carbuncle - Sherlock Holmes: O carbúnculo (o rubi) azul
"Meu nome é Sherlock Holmes,
e é meu dever saber o que os outros não sabem."
(O carbúnculo azul, in As Aventuras de Sherlock Holmes vol. 2 -
Um escândalo na Boêmia. Círculo do Livro)
É uma história favorita, que se passa quase inteiramente no dia 27 de dezembro e tem uma temática meio natalina.Eu adoro essa história. Primeiro porque ela começa de modo tão inusitado, com um porteiro de hotel - Peterson - que aparece no 221B da rua Baker com um chapéu e um ganso abatido nas mãos que foram largados por um desconhecido Henry Baker numa rua qualquer. Holmes aconselha Peterson a levar o ganso pra casa e comê-lo, e fica com o chapéu.
E a segunda razão para gostar dessa história é que, a partir do chapéu, Holmes faz aquilo que faz melhor: ele deduz. Faz uma brilhante sequência dedutiva a respeito do proprietário da peça sem nunca tê-lo visto, a qual, claro, se confirmará mais tarde.
- Então diga-me o que você pode deduzir desse chapéu...
Holmes segurou-o e olhou- o daquele modo introspectivo que lhe era tão peculiar.
- Sugere menos do que se poderia esperar; contudo, há algumas coisas muito claras, e outas que nos dão apenas alguns indícios. O homem é um intelectual, é mais do que evidente; acha-se atualmente em péssimas condições de vida, o que acontece de uns três anos para cá, pois antes disso vivia bem. Anteriormente, era cuidadoso, mas seu cuidado diminuiu de uns tempos para cá, o que é sinal evidente de decadência moral, a qual aliada ao declínio de seus bens, deve ter sido causada por alguma influência perniciosa, talvez a bebida, e essa pode ser a razão por que a mulher deixou de cuidar dele e talvez já não o ame.
- Meu caro Holmes!
Como sempre, podemos esperar que, após a explicação dos detalhes do chapéu que conduziram Holmes a cada uma das conclusões, o espanto de Watson se transforme em complacência, né? "Oh, é claro, é muito simples", dirá ele, ou algo semelhante. Sei, sei...
O que não passava de uma distração matutina entre amigos torna-se um caso importante quando Peterson irrompe novamente no 221B tendo nas mãos uma pedra que fora roubada recentemente da Condessa de Morcar: o carbúnculo azul. Estava dentro do papo do ganso! E aí começa a brincadeira de verdade...
A grande sacada é que, pra chegar no ladrão, eles têm de refazer o caminho ao contrário. Do papo do ganso até o momento do roubo. É divertido!
Resolvi aproveitar o Natal e o carbúnculo azul para comentar a série The Adventures of Sherlock Holmes da Granada Television, que começou meio fraca, mas foi melhorando ao longo dos episódios, e o sétimo da primeira temporada, que corresponde a este de que vos falo, é bem legal. Nos papéis principais de Holmes e Watson temos Jeremy Brett e David Burke. É um bom Sherlock Holmes, acho que até conta com aquele toque afeminado na medida certa, porém a elegância máscula do cinismo também está presente (no entanto as lutas são muito mal coreografadas, senhor!). Ainda estou em busca da excelência no Dr. Watson*. Acho esse fraco. : (
Ponto fraco da série: direção e produção. Não mantêm um ritmo cativante, que prenda o telespectador. Ponto forte da série: fidelidade ao texto de Conan Doyle.
Pude comprovar isso assistindo ao episódio The Blue Carbuncle. Fiquei acompanhando com o original em inglês na Wikisource, e, gente, é fidelíssimo!! Os diálogos, tudo, uma lindeza! As lindas tiradas de Holmes, e na minha opinião, esse é o segundo melhor episódio da primeira temporada dessa série (só perde para The Speckled Band), até em termos de produção. Vão ao detalhe de tentar reproduzir as cenas como nas ilustrações originais do The Strand!! Luxo!
Eu tenho adoração pelas ilustrações originais do The Strand, vejam só a cena clássica do estudo do chapéu:
E agora na série televisiva da Granada:
Meu povo, fiquei passada e engomada. Que coisa leeeeenda. Parece que o homem criou vida e saiu das amassadas páginas do periódico The Strand! Emocionante! Chuif... :`}
As necessárias adaptações são feitas, e uma sequência inicial é acrescentada ao episódio, explicando o roubo da joia antes de ela ser encontrada no papo do ganso pelo porteiro, mas achei bem feitinho, porque não "spoila" muito. Ah, a data também é transferida do dia 27 pro dia 24 de dezembro, pra acrescentar um clima mas natalino, fazendo mesmo como se fosse o Natal do Sherlock Holmes, mas ficou bom, pra justificar a surpreendente atitude dele no final.
Sem spoilar vocês, tem uma coisa do final que eu achei bem legal. Uma frase que foi usada idêntica ao texto original ("Afinal de contas, Watson, não sou empregado da polícia para suprir suas deficiências."), mas que, no livro, tem entonação leve e despreocupada e, na telinha, Brett carregou num drama que encaixou no momento. Aprovei! ;)
O vídeo abaixo é maior do que eu gostaria, mas pode matar a curiosidade de vocês.
A cena do estudo do chapéu começa a ficar bacana lá pelo minuto 7:10, mas a parte que eu citei em itálico acima está no minuto 8:46.
* Pensando bem, acho que o John Watson do Martin Freeman ("Sherlock", BBC) é o que mais me agrada porque guarda uma característica essencial do personagem: ele é fascinado pela habilidade de Sherlock Holmes. Não se pode travestir essa idolatria de desprezo, dê outro jeito de tornar uma série televisiva interessante. Um médico não iria se dar ao trabalho de contar as aventuras do melhor amigo detetive se não ficasse embasbacado com sua capacidade dedutiva.
21 de dez. de 2010
Sherlock Holmes - Noite Tenebrosa (Terror by Night)
Entre as primeiras adaptações cinematográficas do detetive da Baker Street figuram os filmes com Basil Rathbone no personagem principal. São os primeiros filmes de Sherlock Holmes falados, sabiam? Nigel Bruce faz um Dr. Watson desnecessariamente velho, mas essa é uma mania comum de algumas adaptações de tevê e cinema (nem todas: a nova série Sherlock, da BBC, coloca os dois amigos corretamente na mesma faixa etária).
Pois eu ganhei de Natal da querida Lu Naomi o dvd de Noite Tenebrosa (Terror by Night, 1946)! Gente que ama bons crimes e mais ainda os elegantes solucionadores dos mistérios criminais, como nós duas, vibra com uma Noite Tenebrosa a preencher seu Natal, né não? Pois eu já assisti duas vezes, não por uma razão qualquer, mas porque esse ótimo dvd (pela primeira vez em cores) traz nos extras a versão em preto & branco. Não resisti, e vi as duas.

Segundo a wiki, o roteiro é livremente baseado em duas histórias de SH: The Adventure of the blue carbuncle e The Disappearence of Lady Frances Carfax. Eu encontrei muito pouco dessas histórias no roteiro. Um velha dama, uma joia, o esquema do caixão. Digamos que seja inspirado nos contos. Mas é um bom roteiro. Assassinato, roubo, luta, a retomada de um clássico vilão (não, n00bs, não é o Moriarty! :P A história já se passa após a morte do maior inimigo de Holmes), e o curioso empréstimo a Agatha Christie de um elemento criminal pouco sherlockiano: o confinamento no trem.
Sherlockianos costumam se ressentir das tentativas de humor nas adaptações, porque Conan Doyle não incluía humor nos seus textos, mas eu pessoalmente já considero uma vantagem se o alvo do humor não for o próprio Holmes. No caso, Watson e Lestrade são os ridicularizados, talvez um pouco demais, especialmente Lestrade, coitado. No final ele é de grande ajuda, mas claro que o golpe de mestre é do mestre. Sherlock Holmes! : )
Apesar de virar alvo de piada, Watson foi bem retratado. É bem dele confiar logo nas pessoas e querer fazer algumas coisas sozinho na investigação. Claro que, nos livros, ele não é tão desastrado quanto foi nesses filme. E pra quem gosta das comparações Agatha-Christianas, acho que Watson com o tempo tornou-se um sidekick mais competente do que Hastings. Talvez, afinal, o ego de Poirot fosse de fato maior...
Rathbone faz um belíssimo Holmes, centrado, alto (como isso é indispensável), expressão de escrutínio na medida, a luta coreografada (no estilão da década de 40, claro, mas já deu um banho na série da Granada Television), enfim: vestiu o sobretudo com dignidade e fumou o cachimbo com propriedade. Mereceu seu Holmes. Fazer um Holmes correto é tudo o que um aficionado espera de um ator britânico, alto, magro de cabelos castanhos.
Se tiver nariz aquilino, é bônus! ;D
Pois eu ganhei de Natal da querida Lu Naomi o dvd de Noite Tenebrosa (Terror by Night, 1946)! Gente que ama bons crimes e mais ainda os elegantes solucionadores dos mistérios criminais, como nós duas, vibra com uma Noite Tenebrosa a preencher seu Natal, né não? Pois eu já assisti duas vezes, não por uma razão qualquer, mas porque esse ótimo dvd (pela primeira vez em cores) traz nos extras a versão em preto & branco. Não resisti, e vi as duas.
Segundo a wiki, o roteiro é livremente baseado em duas histórias de SH: The Adventure of the blue carbuncle e The Disappearence of Lady Frances Carfax. Eu encontrei muito pouco dessas histórias no roteiro. Um velha dama, uma joia, o esquema do caixão. Digamos que seja inspirado nos contos. Mas é um bom roteiro. Assassinato, roubo, luta, a retomada de um clássico vilão (não, n00bs, não é o Moriarty! :P A história já se passa após a morte do maior inimigo de Holmes), e o curioso empréstimo a Agatha Christie de um elemento criminal pouco sherlockiano: o confinamento no trem.
Sherlockianos costumam se ressentir das tentativas de humor nas adaptações, porque Conan Doyle não incluía humor nos seus textos, mas eu pessoalmente já considero uma vantagem se o alvo do humor não for o próprio Holmes. No caso, Watson e Lestrade são os ridicularizados, talvez um pouco demais, especialmente Lestrade, coitado. No final ele é de grande ajuda, mas claro que o golpe de mestre é do mestre. Sherlock Holmes! : )
Apesar de virar alvo de piada, Watson foi bem retratado. É bem dele confiar logo nas pessoas e querer fazer algumas coisas sozinho na investigação. Claro que, nos livros, ele não é tão desastrado quanto foi nesses filme. E pra quem gosta das comparações Agatha-Christianas, acho que Watson com o tempo tornou-se um sidekick mais competente do que Hastings. Talvez, afinal, o ego de Poirot fosse de fato maior...
Rathbone faz um belíssimo Holmes, centrado, alto (como isso é indispensável), expressão de escrutínio na medida, a luta coreografada (no estilão da década de 40, claro, mas já deu um banho na série da Granada Television), enfim: vestiu o sobretudo com dignidade e fumou o cachimbo com propriedade. Mereceu seu Holmes. Fazer um Holmes correto é tudo o que um aficionado espera de um ator britânico, alto, magro de cabelos castanhos.
Se tiver nariz aquilino, é bônus! ;D
15 de set. de 2010
Old lady
Eu chamaria isso de "treinamento Miss Marple".
O Poirot chama muito a atenção, né? Todo aquele ego e tudo mais, e os detetives são atraentes, montando seus quebra-cabeças enquanto todos os outros estão no escuro. Confesso que sou apaixonada por eles. Holmes, Poirot.
Mas ela... Ela é uma de nós! Nós, que ficamos lendo histórias de detetives e nos tornamos observadoras da vida real e das pessoas, todas nós guardamos dentro de nós uma Miss Marple a tomar chá e conversar sobre as pessoas. Puro interesse no ser humano, nos padrões de comportamento, no que se repete, no que se pode prever. Atenta aos pequenos sinais que indicam quem é quem, qual o papel de cada um no quadro geral de uma casa, de uma família, de um grupo humano onde quer que esteja. Não se engane, os papéis sempre são distribuídos, e as pessoas tendem a agir de acordo com eles.
Jane Marple age por instinto e vocação, não por profissão nem por recompensa. E sua posição neutra e
inofensiva é o segredo de sua eficácia. Ela chega onde nenhum Poirot chegaria. Bom, é incomparável, de fato. Ele usa as células cinzentas, ela usa "people skills". Ele não excede muito nesse campo, né?
Meu caso favorito de Miss Marple até hoje, e um de meus livros favoritos da Agatha, é "Convite para um Homicídio". Geralmente o caso me conquista quando eu o resolvo, e esse eu meio que resolvi, mas muito mal e porcamente. Eu já tava sacando que tinha que ser aquela pessoa, mas não sabia nem como nem porquê.
Spoiler em branco aqui embaixo:
Eu cheguei a CORRIGIR a lápis na minha edição quando a Bunny chama Letty de "Lotty", achando que era um erro de revisão. Tolinha. Na segunda vez que fui corrigir, parei. Peraí, o mesmo erro, duas vezes?..
-Livre de spoiler daqui pra frente!-
Sutileza, as versões tão semelhantes, as contradições de cada testemunho são tão pequenas, mas é nelas que está o diabo. Nos detalhes.
É isso que mais amo em Jane Marple. O que ela permite que eu empreste. O que há dela em mim. Aguardem. Um dia hei de dar à luz minha própria Miss Marple...
Mais Agatha hoje em...
Clique aqui para aprender a fazer o famoso bolo Delicious Death da louca da Mitzi.
8 de ago. de 2010
BBC's Sherlock: Holmes no século XXI - spoilers do 1o. episódio
Estou assistindo Monk enquanto escrevo a resenha do primeiro episódio de Sherlock, e isso deve dizer alguma coisa sobre mim. Eu adoro histórias de detetive, e tudo começou com ele. Sherlock Holmes. Comecei a ler as aventuras do detetive inglês aos 11 anos, e daí veio toda a minha paixão por romance policial. Mas também criou uma forte resistência a adaptações de Sherlock Holmes.
Sherlock não é dado a adaptações, é duro e sem humor, o que, no século XIX cabia perfeitamente. Mas, por exemplo, num filme de hoje, pouca gente ia querer ver, daí fazem um Sherlock totalmente descaracterizado, engraçadinho-tipo-humor-americano, gostando de mulher, fraco. Sherlock não é fraco, não enfraqueça Sherlock ou eu lhe meto a mão na cara. Ele não tem que ser coerente como um ser humano, ele não é Poirot, não tem sentimentos, Sherlock Holmes é um super-homem.
A grande idéia da adaptação da BBC foi transpor Sherlock para o nosso século. Isso dá a liberdade necessária para acrescentar os toques que atrairão o público, como o humor, mas com a fineza de mantê-lo britânico e inteligente, rápido e não óbvio. Então vamos a "A Study in Pink".

No nome eles já dão o recado: vamos beber na fonte. A primeira história de Sherlock Holmes chama-se "A Study in Scarlet", e há diversas referências durante o episódio, o suficiente pra acender o fogo sagrado dentro de mim. E, é claro, eu matei a charada antes do final.
"A ciência da dedução", nome do capítulo no qual Watson fica conhecendo o funcionamento da técnica sherlockiana, virou o nome do site. Aliás, amei o uso dos SMS e a parada de colocar as palavras na tela, bela sacada. A guerra no Afeganistão, onde Watson foi ferido, virou, bem, a guerra no Afeganistão. A história se repete or what? Pois é. Barts, o colega Stamford, o local do crime, a palavra Rache (embora com o sentido trocado), tudo bebe da fonte, mas se coloca de forma brilhantemente nova.
Mas a melhor parte foi a do celular! Todas as informações que Sherlock (é curioso chamá-lo assim, eu costumo usar "Holmes") deduz a partir da observação do celular de Watson, originalmente vêm de uma cena de "O Signo dos Quatro" (segunda história de Sherlock Holmes), mas no livro o objeto é um relógio de bolso. A mudança foi super bem-feita, até a história da dedução do alcoolismo pelos arranhões da entrada do carregador (no livro, era a entrada do pino de dar corda no relógio). Bom, no livro o irmão era irmão mesmo, ok?
E sem dúvida a escolha do elenco foi precisa. Nosso amigo Arthur Dent, ou melhor, Martin Freeman como Dr. John Watson é ótimo, mas Benedict Cumberbatch como Sherlock Holmes é fantástico. Tem a voz certa, a altura, o pescoço comprido, o rosto branquelo. E é bonito.
A viagem vai ser boa. Espero que tenha mais de três escalas, BBC!
Se quiser, aqui no velho QE tem mais posts sobre Sherlock Holmes: http://quartoescuro.blogdrive.com/categories/Sherlock%20Holmes-8.html .
Sherlock não é dado a adaptações, é duro e sem humor, o que, no século XIX cabia perfeitamente. Mas, por exemplo, num filme de hoje, pouca gente ia querer ver, daí fazem um Sherlock totalmente descaracterizado, engraçadinho-tipo-humor-americano, gostando de mulher, fraco. Sherlock não é fraco, não enfraqueça Sherlock ou eu lhe meto a mão na cara. Ele não tem que ser coerente como um ser humano, ele não é Poirot, não tem sentimentos, Sherlock Holmes é um super-homem.
A grande idéia da adaptação da BBC foi transpor Sherlock para o nosso século. Isso dá a liberdade necessária para acrescentar os toques que atrairão o público, como o humor, mas com a fineza de mantê-lo britânico e inteligente, rápido e não óbvio. Então vamos a "A Study in Pink".
No nome eles já dão o recado: vamos beber na fonte. A primeira história de Sherlock Holmes chama-se "A Study in Scarlet", e há diversas referências durante o episódio, o suficiente pra acender o fogo sagrado dentro de mim. E, é claro, eu matei a charada antes do final.
"A ciência da dedução", nome do capítulo no qual Watson fica conhecendo o funcionamento da técnica sherlockiana, virou o nome do site. Aliás, amei o uso dos SMS e a parada de colocar as palavras na tela, bela sacada. A guerra no Afeganistão, onde Watson foi ferido, virou, bem, a guerra no Afeganistão. A história se repete or what? Pois é. Barts, o colega Stamford, o local do crime, a palavra Rache (embora com o sentido trocado), tudo bebe da fonte, mas se coloca de forma brilhantemente nova.
Mas a melhor parte foi a do celular! Todas as informações que Sherlock (é curioso chamá-lo assim, eu costumo usar "Holmes") deduz a partir da observação do celular de Watson, originalmente vêm de uma cena de "O Signo dos Quatro" (segunda história de Sherlock Holmes), mas no livro o objeto é um relógio de bolso. A mudança foi super bem-feita, até a história da dedução do alcoolismo pelos arranhões da entrada do carregador (no livro, era a entrada do pino de dar corda no relógio). Bom, no livro o irmão era irmão mesmo, ok?
E sem dúvida a escolha do elenco foi precisa. Nosso amigo Arthur Dent, ou melhor, Martin Freeman como Dr. John Watson é ótimo, mas Benedict Cumberbatch como Sherlock Holmes é fantástico. Tem a voz certa, a altura, o pescoço comprido, o rosto branquelo. E é bonito.
Se quiser, aqui no velho QE tem mais posts sobre Sherlock Holmes: http://quartoescuro.blogdrive.com/categories/Sherlock%20Holmes-8.html .
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