É claro que o Sherlock Holmes dos livros é muito mais educado, a relação de amizade entre ele é Watson é menos íntima, como eram mesmo as relações, mais distantes e respeitosas. Mas você quer saber de onde Moffat-Gatiss tiram autorização pra fazer o Sherlock deles dizer isto?
"Dear God. What is it like in your funny little brains? It must be so boring."
(BBC Sherlock, A Study in Pink)
É de cenas como esta:
"'And a singularly consistent investigation you have made, my dear Watson,' said he. 'I cannot at the moment recall any possible blunder which you have omitted. The total effect of your proceeding has been to give the alarm everywhere and yet to discover nothing.'
'Perhaps you would have done no better,' I answered bitterly.
'There is no "perhaps" about it. I have done better."
("The Disappearance of Lady Frances Carfax")
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14 de mar. de 2013
9 de fev. de 2013
por que Sherlockians amam BBC Sherlock? 1/1.934.872
"'What are you going to do, then?' I asked.
'To smoke,' he answered. 'It is quite a three-pipe problem, and I beg that you won't speak to me for fifty minutes.' He curled himself up his chair, with his thin knees drawn up [...]"
(The Red-Headed League, sir A.C. Doyle)
Not convinced enough, are you?
Isso, minha gente, é respeito religioso pelo cânone do Conan Doyle. Três vivas para Gatiss e Moffat! Viva! Viva! Viva!
Participação especial de Jeremy Brett, porque eu também amo o Holmes dele.
Mas eu reconheço que amo o Holmes dele só com a cabeça, não com o coração, a alma, o corpo e todos os hormônios enfileirados. #cumberbatchedforlife #sherlockedforlife
'To smoke,' he answered. 'It is quite a three-pipe problem, and I beg that you won't speak to me for fifty minutes.' He curled himself up his chair, with his thin knees drawn up [...]"
(The Red-Headed League, sir A.C. Doyle)
"It's a three-patch problem."
Not convinced enough, are you?
Ilustração original de Sidney Paget no The Strand
para a mesma cena transcrita acima.
Isso, minha gente, é respeito religioso pelo cânone do Conan Doyle. Três vivas para Gatiss e Moffat! Viva! Viva! Viva!
Participação especial de Jeremy Brett, porque eu também amo o Holmes dele.
Mas eu reconheço que amo o Holmes dele só com a cabeça, não com o coração, a alma, o corpo e todos os hormônios enfileirados. #cumberbatchedforlife #sherlockedforlife
24 de jan. de 2012
Um olhar sobre Sherlock
*escrevendo sob impacto*
Eu sempre soube ser uma fã apaixonada. Acho que tem gente que nasce com esse gene, o da tietagem, e essas pessoas conseguem dedicar paixões imorríveis a gente inalcançável ou gente inexistente. E fã cria relações por vezes extremadas com esses objetos de paixão.
Vocês já sabem um pouco da minha história com Sherlock Holmes. Eu o conheci sob a capa dura do Círculo do Livro, aos 11 anos de idade, e antes da maioridade já terminara toda a coleção de sete volumes. Lembro de render o último volume. E depois disso, de os reler.
Meu respeito pelo personagem beira a religião. Lembro-me de ter implicado de algum modo com quase todas as adaptações já feitas, embora eu goste de algumas, sim. Nenhuma, porém, me arrebatou. Somente aquela que mais o alterou e mais o preservou. Simultaneamente.
Gênio, é de um gênio a ideia de que apenas deslocando em mais de um século toda a história desse personagem é que seria possível fazer jus ao seu tamanho. Foi a liberdade da anacronia temporal que deu à dupla Gatiss-Moffat o ambiente perfeito para explorar com cuidado e respeito a personalidade magnética de Sherlock Holmes, tornando-a atraente para o público atual sem desmerecer em nada o Sherlock Holmes original.
Eu sempre soube ser uma fã apaixonada. Acho que tem gente que nasce com esse gene, o da tietagem, e essas pessoas conseguem dedicar paixões imorríveis a gente inalcançável ou gente inexistente. E fã cria relações por vezes extremadas com esses objetos de paixão.
Vocês já sabem um pouco da minha história com Sherlock Holmes. Eu o conheci sob a capa dura do Círculo do Livro, aos 11 anos de idade, e antes da maioridade já terminara toda a coleção de sete volumes. Lembro de render o último volume. E depois disso, de os reler.
Meu respeito pelo personagem beira a religião. Lembro-me de ter implicado de algum modo com quase todas as adaptações já feitas, embora eu goste de algumas, sim. Nenhuma, porém, me arrebatou. Somente aquela que mais o alterou e mais o preservou. Simultaneamente.
Gênio, é de um gênio a ideia de que apenas deslocando em mais de um século toda a história desse personagem é que seria possível fazer jus ao seu tamanho. Foi a liberdade da anacronia temporal que deu à dupla Gatiss-Moffat o ambiente perfeito para explorar com cuidado e respeito a personalidade magnética de Sherlock Holmes, tornando-a atraente para o público atual sem desmerecer em nada o Sherlock Holmes original.
Sim. Eu tenho um dedoche magnético do Sherlock Holmes.
Desde o princípio uma das coisas que mais me fascinou na série Sherlock foi a eficiência com que transferiam não os casos, mas as deduções de Sherlock Holmes dos livros para a tv, ainda que em casos completamente diferentes que não guardavam senão semelhanças quase brincalhonas - entre títulos e outras referências - com os enredos originais.
Porém há sim algumas diferenças que considero significativas.
1) Moriarty: Jim não é "professor" e é slightly more maniac do que o Professor James Moriarty original. Provavelmente é o personagem mais alterado, mas na verdade tinham pouco em que se basear porque...
2) Moriarty existe desde sempre: nos livros, James Moriarty é criado para matar Sherlock Holmes e o único caso em que aparece é justamente "The Final Problem". Aqui não, eles antagonizam desde o começo.
3) John Watson não se casa nem exerce a medicina: a vida dupla do dr. John Watson era muito mais plausível nos livros. Na virado do dezenove pro vinte seria pouco provável que o rapaz pudesse continuar vivendo só de assessorar um detetive e relatar suas histórias. Ainda mais quando passou a sustentar uma esposa. Ela, no caso, como bem lembrou o Emerson, era bem mais fácil de ser escondida nos livros. Na série ficaria estranho, visto que ela de fato nunca mais aparece nos enredos dos casos, só mesmo naquele em que ela é introduzida, "The Sign of Four".
O que é semelhante, quando não igual?
A) Sherlock Holmes: a lógica, o ar blasé com que desvenda as menores e maiores coisas, a excitação com os grandes casos, a irritação com o que não lhe desafia, a hiperatividade x a prostração (bipolar? a se pensar...), a determinação (palavrinha mais batida, né? mas é), o conhecimento imenso de coisas ridículas (tipos de tabaco) e de coisas úteis (mapa de Londres), os métodos pouco convencionais (a rede de mendigos informantes), a androginia-misoginia-atitude-nem-aí-pra-sexo, a agilidade na fuga. [falta mostrar que ele é bom de briga e de disfarces, mas ainda temos tempo]
B) Holmes + Watson: ou, no caso aqui, Sherlock + John. Companheirismo, amizade, mau humor, falta de respeito (do um pelo outro, claro). Aquele jeito irritantemente quase carinhoso que o Sherlock tem de mostrar ao John como é óbvio tudo aquilo que ele deduziu. A imorredoura estupefação de John. Sherlock é sim duro, mas nunca se deve duvidar da amizade e da forte ligação que há entre os dois. Sherlock precisa de John, sabe disso e não se envergonha. [falta mostrar que John se arrisca na dedução, Sherlock até fica orgulhoso, mas o pobrezinho sempre erra tudo, mas ainda temos tempo. quanto tempo?]
C) Mrs. Hudson: pode parecer pouco, mas a presença reconfortante de Mrs. Hudson é que te garante que tudo ali está no lugar, e ela é perfeita, dosada, na medida. Vivas para ela.
D) Holmes + polícia: embora só Lestrade esteja presente (cadê o Gregson? ainda temos tempo?), a relação arranhada é aquela ali.
E) Mycroft: preciso dizer que ADORO Mycroft Holmes. Nos livros E na tevê, mas devo dizer que não sabia se o classificava no que mudou ou no que foi mantido. A relação entre os irmãos, de admiração, competição e confiança, está bem retratada. Mycroft é de fato um homem poderoso dentro do governo britânico e pede ajuda a Sherlock algumas vezes. Mas falta o algo que me atraiu sempre em Mycroft. O mesmo talento do irmão mais novo, senão mais, porém nenhuma intenção-disposição de correr atrás de bandido nem de fazer disso profissão. Mycroft era o único que podia corrigir Sherlock. Mesmo que tenhamos tempo, não sei se ainda faria sentido incluir isso no Mycroft da tevê.
E aí a pergunta é: ainda temos tempo? Quanto tempo temos? Comecei a ficar genuinamente preocupada quando vi a quantidade de títulos de casos que foram "queimados" en passant no episódio da Irene Adler. The Speckled Blond, The Geek Interpreter, The Six Thatchers. Se a intenção for sempre a de se inspirar nos casos escritos por Conan Doyle, que não são muitos, queimá-los assim no atacado só pode significar uma coisa: esta série não vai durar muito tempo. Além da miserável quantidade de episódios por temporada, não haverá muitas temporadas, visto que ao final da segunda já chegamos ao clímax do Problema Final.
Agarremo-nos ao conforto de que não durará tempo suficiente para perder o rumo...
Spoilers em branco abaixo:
- Molly trocou os corpos? Quando? Já embaixo, provavelmente. Como se deu a rápida transformação, que Jim já fizera antes, ao sequestrar as crianças, é claro. Quem era o homem na bicicleta, atropelando John? Mycroft? Aguardamos ansiosos "A Casa Vazia"...
8 de ago. de 2010
BBC's Sherlock: Holmes no século XXI - spoilers do 1o. episódio
Estou assistindo Monk enquanto escrevo a resenha do primeiro episódio de Sherlock, e isso deve dizer alguma coisa sobre mim. Eu adoro histórias de detetive, e tudo começou com ele. Sherlock Holmes. Comecei a ler as aventuras do detetive inglês aos 11 anos, e daí veio toda a minha paixão por romance policial. Mas também criou uma forte resistência a adaptações de Sherlock Holmes.
Sherlock não é dado a adaptações, é duro e sem humor, o que, no século XIX cabia perfeitamente. Mas, por exemplo, num filme de hoje, pouca gente ia querer ver, daí fazem um Sherlock totalmente descaracterizado, engraçadinho-tipo-humor-americano, gostando de mulher, fraco. Sherlock não é fraco, não enfraqueça Sherlock ou eu lhe meto a mão na cara. Ele não tem que ser coerente como um ser humano, ele não é Poirot, não tem sentimentos, Sherlock Holmes é um super-homem.
A grande idéia da adaptação da BBC foi transpor Sherlock para o nosso século. Isso dá a liberdade necessária para acrescentar os toques que atrairão o público, como o humor, mas com a fineza de mantê-lo britânico e inteligente, rápido e não óbvio. Então vamos a "A Study in Pink".

No nome eles já dão o recado: vamos beber na fonte. A primeira história de Sherlock Holmes chama-se "A Study in Scarlet", e há diversas referências durante o episódio, o suficiente pra acender o fogo sagrado dentro de mim. E, é claro, eu matei a charada antes do final.
"A ciência da dedução", nome do capítulo no qual Watson fica conhecendo o funcionamento da técnica sherlockiana, virou o nome do site. Aliás, amei o uso dos SMS e a parada de colocar as palavras na tela, bela sacada. A guerra no Afeganistão, onde Watson foi ferido, virou, bem, a guerra no Afeganistão. A história se repete or what? Pois é. Barts, o colega Stamford, o local do crime, a palavra Rache (embora com o sentido trocado), tudo bebe da fonte, mas se coloca de forma brilhantemente nova.
Mas a melhor parte foi a do celular! Todas as informações que Sherlock (é curioso chamá-lo assim, eu costumo usar "Holmes") deduz a partir da observação do celular de Watson, originalmente vêm de uma cena de "O Signo dos Quatro" (segunda história de Sherlock Holmes), mas no livro o objeto é um relógio de bolso. A mudança foi super bem-feita, até a história da dedução do alcoolismo pelos arranhões da entrada do carregador (no livro, era a entrada do pino de dar corda no relógio). Bom, no livro o irmão era irmão mesmo, ok?
E sem dúvida a escolha do elenco foi precisa. Nosso amigo Arthur Dent, ou melhor, Martin Freeman como Dr. John Watson é ótimo, mas Benedict Cumberbatch como Sherlock Holmes é fantástico. Tem a voz certa, a altura, o pescoço comprido, o rosto branquelo. E é bonito.
A viagem vai ser boa. Espero que tenha mais de três escalas, BBC!
Se quiser, aqui no velho QE tem mais posts sobre Sherlock Holmes: http://quartoescuro.blogdrive.com/categories/Sherlock%20Holmes-8.html .
Sherlock não é dado a adaptações, é duro e sem humor, o que, no século XIX cabia perfeitamente. Mas, por exemplo, num filme de hoje, pouca gente ia querer ver, daí fazem um Sherlock totalmente descaracterizado, engraçadinho-tipo-humor-americano, gostando de mulher, fraco. Sherlock não é fraco, não enfraqueça Sherlock ou eu lhe meto a mão na cara. Ele não tem que ser coerente como um ser humano, ele não é Poirot, não tem sentimentos, Sherlock Holmes é um super-homem.
A grande idéia da adaptação da BBC foi transpor Sherlock para o nosso século. Isso dá a liberdade necessária para acrescentar os toques que atrairão o público, como o humor, mas com a fineza de mantê-lo britânico e inteligente, rápido e não óbvio. Então vamos a "A Study in Pink".
No nome eles já dão o recado: vamos beber na fonte. A primeira história de Sherlock Holmes chama-se "A Study in Scarlet", e há diversas referências durante o episódio, o suficiente pra acender o fogo sagrado dentro de mim. E, é claro, eu matei a charada antes do final.
"A ciência da dedução", nome do capítulo no qual Watson fica conhecendo o funcionamento da técnica sherlockiana, virou o nome do site. Aliás, amei o uso dos SMS e a parada de colocar as palavras na tela, bela sacada. A guerra no Afeganistão, onde Watson foi ferido, virou, bem, a guerra no Afeganistão. A história se repete or what? Pois é. Barts, o colega Stamford, o local do crime, a palavra Rache (embora com o sentido trocado), tudo bebe da fonte, mas se coloca de forma brilhantemente nova.
Mas a melhor parte foi a do celular! Todas as informações que Sherlock (é curioso chamá-lo assim, eu costumo usar "Holmes") deduz a partir da observação do celular de Watson, originalmente vêm de uma cena de "O Signo dos Quatro" (segunda história de Sherlock Holmes), mas no livro o objeto é um relógio de bolso. A mudança foi super bem-feita, até a história da dedução do alcoolismo pelos arranhões da entrada do carregador (no livro, era a entrada do pino de dar corda no relógio). Bom, no livro o irmão era irmão mesmo, ok?
E sem dúvida a escolha do elenco foi precisa. Nosso amigo Arthur Dent, ou melhor, Martin Freeman como Dr. John Watson é ótimo, mas Benedict Cumberbatch como Sherlock Holmes é fantástico. Tem a voz certa, a altura, o pescoço comprido, o rosto branquelo. E é bonito.
Se quiser, aqui no velho QE tem mais posts sobre Sherlock Holmes: http://quartoescuro.blogdrive.com/categories/Sherlock%20Holmes-8.html .
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