Quem já leu meus livros Catarina e Jesse sabe que eu não sou indiferente a uma história contada e recontada sob pontos de vista diferentes, não é mesmo? Pois essa é uma das características preponderantes nesta pequena série de Julia Quinn. Um plot serve para dois livros: um ladrão de carruagens é identificado pela avó (uma megera odiosa) como sendo o verdadeiro herdeiro do ducado de Wyndham, o que significa que seu outro neto (o atual duque de Wyndham) será despojado do título. Cada livro contará mais de perto a história (e o romance) de cada um dos dois homens envolvidos nessa trama. Isso em si é bem legal, mas como Julia Quinn escreve sempre na terceira pessoa (ou pelo menos tudo o que eu li dela foi assim), tem alguns momentos em que fica sem graça. Mas no geral eu gostei dos dois livros.
No primeiro livro...
1) The Lost Duke of Wyndham, conhecemos Jack Audley, o charmoso ladrão de carruagem, meio Robin Hood. Por uma daquelas piadas do destino que (quase) só acontecem na ficção, ele assalta a carruagem da avó dele, a duquesa viúva de Wyndham, e ela o reconhece como filho do seu filho do meio, John, que morreu num naufrágio. Na ocasião do assalto, a duquesa viúva está acompanhada de Grace Eversleigh, sua dama de companhia, e logo rola uma atração entre Grace e o ladrão (what? yes! o começo desses dois eu achei bléééé, mas depois fiquei gostando deles). Depois de umas reviravoltas, Jack está instalado em Belgrave e o problema está exposto diante de Thomas, o atual duque de Wyndham, filho do caçula de Augusta Cavendish, a duquesa viúva. Explicando: ela teve três filhos: Charles, John e Reginald. John era o favorito. Ele fez uma viagem à Irlanda, ficou lá um tempão e morreu num naufrágio, na volta. O que ninguém sabia é que ele casou lá com uma irlandesa, e ela estava grávida na ocasião ao naufrágio, ao qual ela sobreviveu. Teve o bebê (Jack Cavendish) e morreu pouco depois, deixando-o para ser criado por sua irmã e o marido (os Audley). O filho mais velho de Augusta, Charles, deveria ser o próximo duque. Mas ele morreu de uma doença contagiosa, logo seguido por seu pai. Foi assim que o ducado passou para o caçula Reginald. E Thomas foi criado para sucedê-lo.
Acontece que Jack não quer ser duque porra nenhuma. Ele acaba admitindo que os pais se casaram legalmente, mas só porque não tinha entendido ainda que isso o colocaria na linha de sucessão. A partir daí fica verdadeiramente aterrorizado com a possibilidade, e só mais tarde vamos entender por quê. Enquanto isso, todos vão se preparando para ir à Irlanda confirmar o casamento os pais de Jack: a duquesa viúva, Grace (porque, enfim, é o trabalho dela), Jack e Thomas (porque, enfim, diz respeito a eles) e mais Amelia Willoughby (prometida a Thomas desde o berçário) e seu pai, Lord Crowland (porque, enfim, ele acha que a filha dele tem que casar com o duque de Wyndham, foda-se quem seja ele). Grace e Jack vão se apaixonando e se pegando pelos entremeios da história. Grace sabe que, se Jack for mesmo o duque, ela tá ferrada pois ele nunca poderá se casar com ela. Jack tá mais preocupado em não ser o duque, e tá certo de que vai dar um jeito de casar com Grace de qualquer maneira. É legal porque nenhum dos dois fica de cu doce e logo admitem para si mesmos que estão apaixonados (e o Jack logo pra ela tb, assim que ele se dá conta). Eu gosto super do Jack! Ele é mega legal.
SPOILER DO FINAL
No fim das contas, num desfecho emocionante na Irlanda, Jack e Thomas vão sozinhos, de madrugadinha, verificar os registros paroquiais e descobrem que Jack é o verdadeiro duque. Acontece que pouco antes é que nós, leitores, entendemos a razão do medo de Jack. Ele não sabe ler. Não consegue. Claro que ele não sabe, mas a verdade é que ele é disléxico. O cabra ainda tenta criar uma mentira, arranca a página do registro joga no fogo, mas Thomas não deixa a mentira seguir e conta a verdade a todos quando chegam. Daí Jack pede Grace em casamento ali mesmo, e já que ele é o duque então foda-se, ele vai fazer o que ele quiser, e a avó que se exploda. Tudo dá certo no final, porque Grace conhece Belgrave bastante bem e o ajuda com a parte da leitura. Happy ending all right.
FIM DO SPOILER
2) Mr. Cavendish, I presume
Eu fiquei com muita vontade de conhecer melhor o ponto de vista do Thomas nessa história, e é mais interessante que o do Jack. Afinal ele é o personagem que foi colocado no limite, ele vai perder tudo. Isso é sempre interessante num personagem! Então neste livro acompanhamos Thomas e Amelia, e o romance deles é MUITO legal. Gosto muito da Amelia, ela é uma personagem bem arrematada, e o Thomas também. Porém.
O porém é que eu acho que, com esse plot, o segundo livro perde um pouco pro primeiro por já sabermos o desfecho. Claro que ainda tem o romance dos dois pra se resolver, mas mesmo assim perde. Isso não é o pior. Algumas cenas ficaram super sem graça, como a da Amelia quando conhece o Jack em Belgrave. Essa cena não deveria nem aparecer nesse segundo livro, minha opinião. Aparece só porque Amelia estava presente, só que ela não tem nenhum envolvimento ali. O resumo da cena é "não estou entendendo nada do que está acontecendo nesta casa e entre estes dois (Jack e Grace), alguém está me escondendo alguma coisa blablabla". Super chato e não adiciona nada à história. Nessa parte a Amelia até nem parece muito ela própria, porque ela fica tão sem função na cena que é mais um vaso decorativo e, enfim, entenderam? Os plots simultâneos são interessantes, mas teve uns escorregões.
Em termos de romance, se me perguntarem, Thomas + Amelia >>>>>> Jack + Grace. Eu diria que todo o conflito é melhor, pois eles têm um histórico ruim que precisam superar, a paixão cresce de um jeito interessante e crível (não que a do Jack e da Grace não seja), e o desfecho é suuuuper fofo! Um adendo: Thomas é o cara viril com father issues e que tem medo de se apaixonar (pela Amelia, naquele momento específico), aquela coisa batida de Julia Quinn, MAS: father issues sob controle, ninguém precisou ficar de saco cheio com isso, além de que ficou bem natural, visto que, aparentemente, a família Cavendish é um cu. Aquela avó, pelas barbas do profeta, que bruxa! Natural que ele não se desse com o pai, no fundo ninguém em Belgrave se dava com ninguém. Natural que ele fosse todo sisudo e cheio de si, foi criado para ser o duque. Natural que ele evitasse se envolver com Amelia, já que estava prestes a perdê-la. Todos os clichês foram bem aplicados, e não daquele jeito band-aid decorativo, vou colocar isso aqui só pra complicar o romance. Tudo muito satisfatório, well done, JQ!
20 de ago. de 2015
18 de ago. de 2015
The Bridgertons 2 - the best for last
Não era pra ter demorado tanto para escrever a segunda parte das minhas opiniões sobre os Bridgertons, e agora já faz meses que terminei de ler, mas vamos lá!
7) It's in his kiss
Um minuto de silêncio pelos títulos ruins de Julia Quinn.
[...]
Poucos se salvam, na minha opinião, e este era um livro que podia ter ótimos títulos, já que é uma história que tem elementos variados, não só o romance.
Veja bem, não é que eu ache que um livro de romance tem que ter mais elementos além do romance. Não acho obrigatório. Mas é divertido, e combinou muito com a Hyacinth, que é muito ativa e curiosa. O que é chato aqui é a repetição do herói viril com father issues, parece que não se consegue criar um conflito no personagem masculino se ele não tiver raiva do pai. Mas no final Gareth não é se sai mal, e a relação dele com a Hyacinth é bem construída, do jeito que vc acha que deveria ser com ela. Hyacinth, afinal, não é nenhuma florzinha (hehehe, sorry).
Aproveito esta história pra comentar os epílogos. Eu adoro epílogos desse tipo, que contam algo mais sobre a história! E pelo jeito a Julia Quinn tb (eu gosto que ela siga a fórmula, sabem? gosto dessa escrita confortável que vc sabe o que esperar), e até fez um livro só de segundos epílogos para os Bridgertons. No geral os epílogos que vêm nos livros mesmo (os primeiros epílogos) são todos legais e justificáveis, mas os segundos, nem todos. O da Hyacinth é possivelmente o melhor dos segundos epílogos, porque era necessário na história e porque ficou legal mesmo. O da Daphne era meio que necessário, mas não foi satisfatório, a meu ver. O da Eloise era desnecessário e ficou besta e chato. O do Anthony era desnecessário mas ficou ok. O do Benedict era desnecessário e ficou legal. O do Gregory era desnecessário e ficou LINDO. E tem o da Violet... Ai ai, melhor coisa do livro de epílogos!
7) On the way to the wedding
MINHA GENTE.
Eu tinha altas expectativas com Gregory, e, embora tenha sido bem diferente de tudo o que eu imaginei, foi INCRÍVEL. Gregory é um personagem maravilhoso, que foge dos estereótipos até então utilizados. Não é que ele seja o macho inseguro, ainda não chegamos nesse ponto (chegaremos, Julia?). Ele ainda é bonito e sabe se movimentar na sociedade com graça e desenvoltura, sabe seduzir e os caralhos todos. Mas Gregory não tem aquela babaquice de fugir do amor (Benedict também não tinha, justiça se faça), e mais do que isso: Gregory BUSCA o amor. Ele anseia. Isso é tão legal, porque geralmente isso só fica pro papel das garotas nesses livros. Gregory é romântico e arrebatado, e isso o leva ao engano, "apaixonando-se" pela garota errada. Nesse tipo de livro não tem muito erro, quer dizer, vc já sabe no começo que não é com a Hermione que ele vai ficar, é com a Lady Lucinda, senão vc não estaria acompanhando a história do ponto de vista dela, certo? Mas é tudo super bem construído, e tem uma trama com conflito real, e como! É o primeiro livro que vc fica com o coração disparado porque PQP O QUE VAI ACONTECER?? Pode dar tudo erradoooo!!! Ainda bem que é Julia Quinn e vc sabe que vai dar certo no final, mas o suspense todo tá garantido com o casamento arranjado, chantagem, mentira, expectativa. A cena de Gregory esperando na porta da casa da Lucy, meu deus, é de apertar o coração. A primeira vez deles é a mais linda de toda a série também, e carregada de muita muita emoção. Em todos os aspectos é o melhor da série!
WE HAVE A WINNER!! (e não é à toa que ganhou um bocado de prêmios)
Aguardem proximamente mais um post de Julia Quinn, sobre os duques de Wyndham!
7) It's in his kiss
Um minuto de silêncio pelos títulos ruins de Julia Quinn.
[...]
Poucos se salvam, na minha opinião, e este era um livro que podia ter ótimos títulos, já que é uma história que tem elementos variados, não só o romance.
Veja bem, não é que eu ache que um livro de romance tem que ter mais elementos além do romance. Não acho obrigatório. Mas é divertido, e combinou muito com a Hyacinth, que é muito ativa e curiosa. O que é chato aqui é a repetição do herói viril com father issues, parece que não se consegue criar um conflito no personagem masculino se ele não tiver raiva do pai. Mas no final Gareth não é se sai mal, e a relação dele com a Hyacinth é bem construída, do jeito que vc acha que deveria ser com ela. Hyacinth, afinal, não é nenhuma florzinha (hehehe, sorry).
Aproveito esta história pra comentar os epílogos. Eu adoro epílogos desse tipo, que contam algo mais sobre a história! E pelo jeito a Julia Quinn tb (eu gosto que ela siga a fórmula, sabem? gosto dessa escrita confortável que vc sabe o que esperar), e até fez um livro só de segundos epílogos para os Bridgertons. No geral os epílogos que vêm nos livros mesmo (os primeiros epílogos) são todos legais e justificáveis, mas os segundos, nem todos. O da Hyacinth é possivelmente o melhor dos segundos epílogos, porque era necessário na história e porque ficou legal mesmo. O da Daphne era meio que necessário, mas não foi satisfatório, a meu ver. O da Eloise era desnecessário e ficou besta e chato. O do Anthony era desnecessário mas ficou ok. O do Benedict era desnecessário e ficou legal. O do Gregory era desnecessário e ficou LINDO. E tem o da Violet... Ai ai, melhor coisa do livro de epílogos!
7) On the way to the wedding
MINHA GENTE.
Eu tinha altas expectativas com Gregory, e, embora tenha sido bem diferente de tudo o que eu imaginei, foi INCRÍVEL. Gregory é um personagem maravilhoso, que foge dos estereótipos até então utilizados. Não é que ele seja o macho inseguro, ainda não chegamos nesse ponto (chegaremos, Julia?). Ele ainda é bonito e sabe se movimentar na sociedade com graça e desenvoltura, sabe seduzir e os caralhos todos. Mas Gregory não tem aquela babaquice de fugir do amor (Benedict também não tinha, justiça se faça), e mais do que isso: Gregory BUSCA o amor. Ele anseia. Isso é tão legal, porque geralmente isso só fica pro papel das garotas nesses livros. Gregory é romântico e arrebatado, e isso o leva ao engano, "apaixonando-se" pela garota errada. Nesse tipo de livro não tem muito erro, quer dizer, vc já sabe no começo que não é com a Hermione que ele vai ficar, é com a Lady Lucinda, senão vc não estaria acompanhando a história do ponto de vista dela, certo? Mas é tudo super bem construído, e tem uma trama com conflito real, e como! É o primeiro livro que vc fica com o coração disparado porque PQP O QUE VAI ACONTECER?? Pode dar tudo erradoooo!!! Ainda bem que é Julia Quinn e vc sabe que vai dar certo no final, mas o suspense todo tá garantido com o casamento arranjado, chantagem, mentira, expectativa. A cena de Gregory esperando na porta da casa da Lucy, meu deus, é de apertar o coração. A primeira vez deles é a mais linda de toda a série também, e carregada de muita muita emoção. Em todos os aspectos é o melhor da série!
WE HAVE A WINNER!! (e não é à toa que ganhou um bocado de prêmios)
Aguardem proximamente mais um post de Julia Quinn, sobre os duques de Wyndham!
31 de jul. de 2015
mulher e mãe podem ser o que quiserem
ref. este artigo: http://www.geledes.org.br/voce-quer-ser-mae-ou-apenas-ter-um-bebe/#gs.a96d603e318e43db9966b11fe9a94d44
mulher NÃO nasceu pra ser mãe, mulher nasceu pra ser o que quiser, porra. jamais tenha filhos pra mostrar pras amigas, pra dar satisfação à sociedade. suas amigas e a sociedade não vão pagar nem trocar as fraldas, não vão correr de madrugada pra dar uma chupeta pra um bebê assustado e chorando, não vão terminar o dia suadas e exaustas quando o coisinho aprende a andar. essa decisão precisa ser refletida.
MAS
tem uma coisa que eu não concordo muito com o tom deste texto. o fato de que as mães reclamam do trabalho que dá não significa que elas tomaram uma decisão irrefletida. é um crime tirar dessas mulheres o direito de se queixarem de algo que é realmente extenuante. mãe não tem que sofrer calada, mulher nenhum tem. até porque essas mães NÃO sabiam todo o trabalho que dá. NÃO sabiam como ia ser a vida delas depois do nascimento do filho. justamente porque o mundo só pinta o lado lindo de ter um filho e ser mãe. e mesmo que alguém tenha explicado realmente todo o trabalho que dá (e ninguém explica, porque a sociedade inteira quer te fazer TER o tal do filho, e não desistir de tê-lo), no fundo vc só sabe se dá conta ou não depois que já tá rolando. não é só trabalho físico. vc não é babá dessa criança, vc é a mãe. ninguém será tão dependente de vc quanto ele, e isso é uma demanda q vc nunca viveu. não se pode exigir que a mulher tivesse a medida disso antes de vivê-lo.
talvez seja assim que mulheres resolvem ter um filho e ficam só no primeiro. talvez tenham descoberto que, sim, é claro que dão conta, porque estão dando conta. mas que esse negócio de maternidade não é pra elas. ou pra mim. isso significa arrependimento? cara, não. há muito mais do que talento e aptidão envolvidos aqui. há o amor. O AMOR. e a relação mais intensa e íntima que vc já viveu com alguém. nem me faça pensar em abrir mão disso!
mas tb não me faça pensar em como era tranqs minha vida pré-gravidez... porque, putz, bate uma saudade... ;)
mulher NÃO nasceu pra ser mãe, mulher nasceu pra ser o que quiser, porra. jamais tenha filhos pra mostrar pras amigas, pra dar satisfação à sociedade. suas amigas e a sociedade não vão pagar nem trocar as fraldas, não vão correr de madrugada pra dar uma chupeta pra um bebê assustado e chorando, não vão terminar o dia suadas e exaustas quando o coisinho aprende a andar. essa decisão precisa ser refletida.
MAS
tem uma coisa que eu não concordo muito com o tom deste texto. o fato de que as mães reclamam do trabalho que dá não significa que elas tomaram uma decisão irrefletida. é um crime tirar dessas mulheres o direito de se queixarem de algo que é realmente extenuante. mãe não tem que sofrer calada, mulher nenhum tem. até porque essas mães NÃO sabiam todo o trabalho que dá. NÃO sabiam como ia ser a vida delas depois do nascimento do filho. justamente porque o mundo só pinta o lado lindo de ter um filho e ser mãe. e mesmo que alguém tenha explicado realmente todo o trabalho que dá (e ninguém explica, porque a sociedade inteira quer te fazer TER o tal do filho, e não desistir de tê-lo), no fundo vc só sabe se dá conta ou não depois que já tá rolando. não é só trabalho físico. vc não é babá dessa criança, vc é a mãe. ninguém será tão dependente de vc quanto ele, e isso é uma demanda q vc nunca viveu. não se pode exigir que a mulher tivesse a medida disso antes de vivê-lo.
talvez seja assim que mulheres resolvem ter um filho e ficam só no primeiro. talvez tenham descoberto que, sim, é claro que dão conta, porque estão dando conta. mas que esse negócio de maternidade não é pra elas. ou pra mim. isso significa arrependimento? cara, não. há muito mais do que talento e aptidão envolvidos aqui. há o amor. O AMOR. e a relação mais intensa e íntima que vc já viveu com alguém. nem me faça pensar em abrir mão disso!
mas tb não me faça pensar em como era tranqs minha vida pré-gravidez... porque, putz, bate uma saudade... ;)
5 de mai. de 2015
parto real: o que teve
Eu até já falei de parto por aqui, e quis falar de novo já muitas vezes, mas me abstive. Não tava a fim de criar polêmicas. Mas meu filho fez um ano semana passada, e no dia seguinte à festinha dele nasceu a fofíssima Charlotte Elizabeth Diana, Sua Alteza Real a Princesa de Cambridge. Ninguém deu a mínima para Carlotinha Beth, a pequena Princesa Di. Todos os olhos se voltaram para Kate, que, maravilhésima, estava de pé (e no salto) poucas horas depois de parir. E dali simplesmente foi pra casa. Olha a ousadia dessa cunhã! O que teve? Teve muito recalque, teve viagem pesada, gente duvidando da data real do parto, duvidando da própria gravidez, as pessoas são muito doidas, né? Olha, eu achei tudo ótimo. Se Kate teve parto normal, já é o segundo filho, ela está bem de saúde e a bebê também e não lhe falta assistência em casa, Kate, minha filha, go home! Vá ser bonita assim lá em Kensington que é seu lugar, com seus dois filhotes e seu príncipe loiro, alto e careca.
Mas aí, como era de se esperar, a belíssima e irretocável experiência maternal de Kate começou imediatamente a ser usada como exemplo e como material de campanha para humanização do parto no Brasil. Muito natural que assim seja, só que eu tenho minhas ressalvas ao modo como essa campanha anda sendo conduzida, pelo menos aqui na internet. E às vezes esses bons exemplos são usados como uma forma de esfregar na cara de mães que fizeram cesáreas que elas são menos corajosas, ou menos mães. São, sim. Eu já vi (ninguém me contou) um álbum de fotos de celebridades que tinham feito partos normais e as legendas e comentários seguiam mais ou menos na linha "teve parto normal = mulher guerreira!". Tinha até os absurdos de dizer assim: fulana de tal, 3 filhos, 2 partos. Ah, um dos filhos foi chocado. Não foi parto, não. Hehe. Basicamente o que se via era JULGAMENTO JULGAMENTO JULGAMENTO.
No Brasil tem cesárea DEMAIS. Sim, tem. Esse comportamento deve mudar. Sim, deve! O parto normal é que deve ser o padrão, e a cesárea a exceção. Quem deveria saber orientar? MÉDICOS, PORRA. É evidente que a informação para a mãe é importantíssima, mas e o profissional? Sinceramente, não tenho visto muitos profissionais envolvidos nessa discussão. Daí vc cria um abismo. Mães que estão conhecendo outras realidades, outros partos, outros costumes, e que ou ficam absolutamente frustradas porque, no decorrer de sua gestação, percebem que não encontram estrutura pra ter um parto tão legal quanto o da Duquesa de Cambridge ou que vão lutar ferrenhamente contra médicos ao longo de toda uma gestação (testando, tentando), não conseguindo confiar em nenhum e talvez até insistirão pra ter um tipo de parto que nem seria recomendável para elas. Porque não é também que todo mundo pode parir em casa, e a informação que corre assim, em internet, não é suficiente, gente. Cria, sim, uma ilusão, um quadro fantasioso demais. É verdade que o parto é algo muito natural, sim, é. É verdade também que antes de séculos de evolução da medicina muitas parturientes e bebês morriam. Não dá pra demonizar o acompanhamento médico. Portanto é absolutamente necessário que a medicina acompanhe a humanização do parto, senão não vai servir PRA NADA. Está servindo pra criar frustrações, guerras entre mães, julgamentos e uma falta de empatia entre mulheres que é uma tristeza de se ver!
A mulher que faz cesárea não pode ser julgada ignorante, preguiçosa, medrosa, manipulada. Vc não julga uma mulher pelo que ela veste, não a julgue pelo parto. Vc quer garantir à mulher o direito de decisão sobre seu corpo, então dê-lhe igualmente o direito de escolher seu parto, inclusive se for cesárea. Vc quer garantir o direito à amamentação em qualquer local, dê a ela tb o direito de preferir dar mamadeira. NÃO JULGUE. Vc quer ajudar? Converse. Informe, até, mas se ela quiser. Ninguém tem que ser convertido a nada, isso não é religião. Esse tipo de ativismo simplesmente não pode ser agressivo, ou o resultado é o contrário. Tenho visto mães que fizeram cesáreas já tão cansadas de serem julgadas que estão quase se tornando ativistas... da cesárea! Elas não querem ser roubadas da experiência de maternidade que tiveram, como se fosse menor, desonrosa, e estão certas nisso!! É cruel pra caralho vc diminuir o valor da experiência de vida das pessoas, ainda mais um momento como esse! Aí aquela mulher viveu aquele parto, aquele momento que pra ela foi tão mágico, e depois ouve tantas coisas que fica achando "poxa, nem foi tão legal assim... podia ter sido daquele jeito... o parto de fulana foi mais legal...", e a alegria daquela mãe vai desinflando feito um balão furado. Quer saber? Isso é cruel.
Vamos tratar esse assunto como ele merece ser tratado. Com carinho, com cuidado, com empatia, sem julgamento. O caminho é longo, e não é uma guerra. A medicina fez muito pelas mulheres, pelas mães, pelas crianças. Pré-natal, vacinas, exames que detectam cedinho problemas que podem resultar em bebês prematuros e subdesenvolvidos, mas que se cuidados a tempo terão o melhor dos desfechos (foi o meu caso). Alienar a medicina do processo da gestação é irresponsável. Sim, gravidez não é doença, mas se a medicina só servisse na doença ninguém tomava vacina, nem fazia exames preventivos no ginecologista todo ano, né?
Digo, e repito. Menos julgamento. Mais carinho. Menos verdades absolutas. Mais empatia. Mais acolhimento. E sempre muito mais SORORIDADE.
Feliz Dia das Mães!
25 de mar. de 2015
The Bridgertons
Tem alguns autores que, antes de ler, eu já sei que vou virar fã. Eu sabia que ia me viciar em Julia Quinn. Demorei para começar a ler porque sabia que quando começasse não ia conseguir parar tão cedo. Esperei uma pausa na inspiração, um descanso nas traduções, uma rotina mais tranquila com o bebê, e comecei. Logo pelos Bridgertons, aparentemente o melhor que JQ já fez. Isso tem umas três semanas, mais ou menos. Terminei hoje o sexto livro da série. É. Já dá pra concluir que eu gostei, né?
Julia Quinn escreve nos anos 2000 histórias que se passam no século 19, e isso é bem interessante. Tem muito cuidado envolvido com a linguagem usada, mas não deixa de ser um livro escrito dois séculos depois. O romance é muito mais quente do que Jane Austen (a quem JQ foi comparada) jamais teria ousado. Não que Austen seja pouco ousada, mas cada pessoa é filha do seu tempo, né?
Não pude deixar de notar, porém, as implicações de escolher contar suas histórias num passado distante. Pelo menos nos seis livros que li isso criou algumas situações notáveis. Estamos na Inglaterra dos 1800, dentro de um círculo muito restrito: a elite. Mais que a elite, a aristocracia. Estamos falando de gente rica ou de uma baixa nobreza nem tão rica, mas é muito pouca gente. A coisa se torna ainda mais estreita quando a autora se concentra num tipo de evento: o mercado casamenteiro. Prepare-se para cansar de ler sobre mães de debutantes e bailes intermináveis que se seguem sem cessar. As regras sociais desse mundo, e dentro desse âmbito, são estabelecidas, não há muita variação. Não há mutas formas diferentes de conhecer alguém, não há muitas formas diferentes de cortejar alguém, enfim. Muita coisa se repetirá. Isso não é necessariamente ruim. Tem um tipo de literatura de conforto que me atrai muito, na verdade. Eu leio Agatha Christie aos montes, e é um formato. Vc sabe mais ou menos o que esperar. Eu gosto disso. Mas eu acho que algumas coisas não precisavam se repetir tanto nesses livros. Vou chegar lá, calma aí.
Outra implicação que achei bem curiosa na escolha do período é o machismo. É claro que não se pode esperar outra coisa, estamos falando de dois séculos atrás. Moças que precisam casar virgens, enquanto os rapazes não precisam. Ela é inocente, não sabe de nada, ele sabe de tudo, é o sedutor, ensina tudo pra ela. Não deixa de ser conveniente pra um romance, sabe? É um dos grandes problemas de escrever romances de amor, conseguir se libertar dos papéis estereotipados de homem e mulher. Mas quando vc escolhe situá-lo no século 19 isso deixa de ser um problema. Não corre o risco de sofrer o tipo de crítica que sofre uma história como 50 tons (antes de qq coisa me deixem esclarecer que 50 tons é um livro muito pior q qualquer um de JQ, ok? dito isto...), que tem essas mesmas características, mas se passa neste século, então já suscita outro nível de cobrança.
Ah, eu ia fazer umas resenhas... Bom, vamos tentar misturar meus comentários e opiniões nas resenhas. Vejamos.
disclaimer: SPOILERS. está avisado. mas é legal mesmo assim, então leia logo. não vai estragar seu prazer na leitura dos livros. :)
1) The Duke & I
No primeiro livro da série nós somos apresentados à família Bridgerton quando a filha mais velha, Daphne, está entrando no Marriage Mart (o mercado casamenteiro). Na verdade Daphne é a mais velha entre as moças, mas é a quarta na prole de Violet Bridgerton, viscondessa Bridgerton, viúva, mãe de 8 filhos todos nomeados na ordem alfabética. Então vc logo fica sabendo que os oito livros q vai ler serão estrelados por Anthony, Benedict, Colin, Daphne, Eloise, Francesca, Gregory e Hyacinth. A gente tb é apresentado a Lady Whistledown, a redatora misteriosa de um jornalzinho de fofocas que faz um sucesso tremendo na sociedade londrina. Tudo sobre o Marriage Mart é mais interessante neste primeiro livro, quando é novidade pro leitor. A trama de Daphne é legal tb. Começamos com a história de Simon Basset, herdeiro do ducado de Hastings, rejeitado pelo pai por ser gago. O pai chega a dizer, durante um tempo, que o filho está morto. É legal observar que os personagens de Quinn não têm vidas perfeitas (nem todos, mas os Bridgertons meio que têm, sim), mas ela mantém um tom leve nos livros mesmo quando aborda temas mais pesados e dolorosos. Simon é um cara infeliz, revoltado e cheio de raiva, e com toda a razão. Daí o pai morre e ele vira o Duque de Hastings. Como último vingança contra o pai, decide nunca ter filhos, para que o ducado (grande orgulho do pai) saia da família Basset (o que sempre foi o maior medo do pai). Só que ele conhece a Daphne e...
Bom, vc não tá lendo Tolstói, então não tem muito risco de que este romance termine com alguém se jogando no trilho do trem, certo? Vc sabe que tudo vai dar certo no final, né? No geral a coisa toda é bastante bem conduzida. Vc cria super empatia com os personagens, vc compra o peixe, tanto do Simon quanto da Daphne, e a paixão deles é contagiante e muito muito crível (ponto sempre para JQ, a paixão é sempre crível), e os diálogos de JQ são insuperáveis. Mas é claro que tem um monte de clichês. Não, não é "claro". Alguns romances não têm tantos clichês, mas acho que é do estilo mesmo. O clichê é perdoável nesse estilo de romance.
Ai, quer saber? Estou tendo muita dificuldade de resenhar The Duke & I sem resenhar logo...
2) The Viscount Who Loved Me
... e vcs vão entender por quê. Este é o livro do Anthony, o visconde Bridgerton, o mais velho. Começamos o livro com um breve flashback da relação de Anthony com Edmund, seu pai, que morreu picado por uma abelha quando Anthony tinha 18 anos (e Edmund apenas 38). Anthony ficou super abalado com a morte do pai, é claro, e além de tudo se tornou, bem cedo, o chefe da família e visconde Bridgerton. E Anthony adquiriu desde então uma estranha certeza de que... morreria no máximo aos 38 anos.
Hein?
Ok, gente, não vamos discutir com os demônios interiores do rapaz. Cada um sabe a dor e a delícia de... vcs sabem.
Anthony tem uns 30 e poucos anos quando resolve que é melhor é casar logo, porque, diferentemente de seu grande amigo Simon (ah, eu não contei q eles dois eram bffs? eles são), ele não teve uma infância infeliz, pelo contrário, ele valoriza pra caramba a família e também o seu título, e quer sim senhor dar continuidade a ele, como manda o figurino, fazendo filhotes machos. Porém tem aquela história de que ele vai morrer daqui a pouco, né? Então ele quer casar e ter filhos, mas não pode amar, porque senão ele só vai sofrer.
Recapitulando: Simon tem father issues e não vai ter filhos. Anthony tem outro tipo de father issues e não vai amar sua esposa. Simon e Anthony são bffs. Simon e Anthony são muito lindos, muito cafajestes, têm péssima fama de depravados e mulherengos, mas mesmo assim são cobiçados como maridos (porque eles são lindos e têm um título de nobreza e porque é super ok vc ser pegador desde q vc nunca tenha estragado a virtude de uma moça "de família", as outras moças ok).
Achou pouco? Ambos casam porque são pegos em situações comprometedoras com as moças. Ambos, em determinado momento, brigam com a esposa e saem pra ficar extremamente bêbados (o que, em ambos os casos, resulta numa conversa engraçada). Ambos vão atrás da mulher pra fazer as pazes e ela está passeando no parque e sofre algum acidente (de cavalo; de charrete). É. Sério, gente. Quando eu tava lendo o segundo livro e a menina foi pro parque eu já pensei "não acredito q vai acontecer a mesma coisa", e meio que foi. Achei pobríssimo isso, sabem? Foi um balde de água fria pra mim no segundo livro. E, evidentemente, ambos quebram as promessas que fizeram para si mesmos, porque o amor dessas maravilhosas mulheres virgens vai salvá-los dos seus demônios interiores. Elas mostrarão para eles o que é o amor, e eles mostrarão para elas o que é o prazer. Mas isso tb o título já entregava, afinal o livro não se chama "The Viscount Who Married Me Though He Didn't Love Me At All".
Mas ainda bem que eu não desisti da série, apesar dessas coincidências meio irritantes, porque o melhor estava por vir.
3) An Offer From a Gentleman
Meu livro favorito da série (quase empata com os dois a seguir, mas segue sendo melhor). Pra começar, Benedict.
Pra continuar, Sophie.
Entendedores entenderão.
Pra terminar, Cinderela. Julia Quinn teve uma ideia que pode ser bem banal, mas que ela conduziu com maestria. Ela reescreveu Cinderela, e ficou perfeito! Sophie Beckett é a filha bastarda de um conde. Ele a acolheu em casa, embora, evidentemente, jamais a tenha reconhecido como filha. Ela foi bem educada e bem cuidada. Até que ele casou com uma viúva que tinha duas filhas, e a vida de Sophie começou a piorar. A madrasta, Araminta, odiava Sophie, achava um absurdo que suas filhas fossem obrigadas a conviver com a bastarda, etc. etc. O pai de Sophie morre, é claro, e deixa uma cláusula no testamento que diz que a renda legada para Araminta será triplicada se ela mantiver Sophie em casa até os 21 anos da moça. Ela mantém, mas sob que condições? Bom, vcs conhecem Cinderela, né? É isso aí.
Depois de alguns anos de escravidão doméstica, Sophie está em Londres com Araminta e as filhas que estão entrando no Marriage Mart (here we go again!). Os Bridgerton darão um baile. De máscaras! Oh dear, não dá pra perder esta oportunidade, certo? Os criados da casa, que adoram Sophie, a ajudam a ir pro baile, onde ela conhece Benedict Bridgerton, e é tudo lindo e mágico e fucking awesome. Ele fica com a luva dela (muito mais sentido que um sapato, certo? mas o sapato tb tem importância na trama), que tem um brasão da família do pai dela, então ele vai procurá-la, mas ela foi trancada no quartinho. Novamente, vcs conhecem a história, né? A madrasta descobre que Sophie foi ao baile e a expulsa de casa.
Sem referências, Sophie tem dificuldades de arrumar emprego melhor do que arrumadeira, e fica se virando assim. Um tempo depois, é nessa situação que ela e Benedict se reencontram. Ela é arrumadeira numa casa no interior onde ele foi a uma festa. E Sophie está sendo violentamente assediada pelo filho dos donos da casa. Benedict a salva de um estupro (reparem como saporra tem muito mais história que os dois primeiros livros juntos!), e diz que vai arrumar pra ela um emprego na casa da mãe dele em Londres. Bom, eles têm uma viagem pela frente, só os dois. Debaixo da chuva. Ele adoece, e o que seria uma paradinha num chalé que ele tem no caminho, acaba virando uma paradona de dias. É aí q eles se conhecem melhor e se apaixonam.
O que tem de muito especial neste livro? Benedict não tem demônios interiores. Benedict não é um cafajeste mulherengo. Benedict não tem medo de amar. Benedict simplesmente se apaixona, só que por uma criada. O conflito é REAL, não é imaginário. E o conflito não é dele, é DELA. A personagem feminina é o centro da trama. Benedict faz a única coisa que é possível para alguém na posição dele apaixonado por alguém na posição dela: propõe que ela se torne sua amante (an offer from a gentleman). Isso não é exatamente ruim, nessa sociedade. É assim que é, é o que temos pra hoje, é o que dá pra ser. Mas Sophie sofreu pra caralho sendo filha ilegítima, ela não vai ter filhos ilegítimos de jeito nenhum! Ela que se case com um pobretão, que dará nome aos filhos dela, melhor que seja assim. Só que Sophie está apaixonada por Benedict (ela o reconhece, do baile, mas ele não! ou seja, ele se apaixona por ela duas vezes! awwwwww). O conflito está montado. Como eles vão dar a volta nisso? Não dá pra sair casando com uma criada assim, do nada, não dá pra fingir que isso é fácil no século 19. Eu digo: o negócio é super bem conduzido. Quinn entrega o final feliz que vc espera, mas de modo crível. Nesse livro eu me apaixonei imorredouramente por Violet Bridgerton. Ela é coerente, mas profundamente amorosa.
Ah, e tem outra coisa bacana nesse livro: não tem Marriage Mart! É divertido, mas uma folga é muito bem-vinda.
4) Romancing Mr. Bridgerton
Quando vc tá lendo uma série de romances vc não termina um capítulo sem saber qual é o casal que vai ficar junto no final, né? Se vc começou a ler o livro da Daphne e estão falando de um tal de Simon Basset, é evidente q é com ele q ela vai ficar. Se vc está lendo o livro do Benedict e começam contando a história de uma tal de Sophie Beckett, enfim. Aí agora vc está lendo o livro do Colin. O Colin é o Bridgerton mais cool. Ele não é só bonito, ele é simpaticão. Ele não é aquele sedutor estilo cafa, ele é sedutor porque é o charme em pessoa. Eu acho que ele é o mais bonito de todos os Bridgertons, na minha cabeça. E ele é divertido.
E ele vai ficar com Penelope Featherington!!
Como assim, caceteeeee??? As Featherington sempre foram a piada de Lady Whistledown, a piada da sociedade. E Penelope mais ainda. A rechonchuda, tímida, a eternamente bullied & friendzoned Penelope Featherington, sempre vestindo os vestidos errados. Até a mãe dela (ou principalmente...) desacreditava completamente a pobre Penelope.
E aí vc tá lendo o livro do Colin e estão falando de... Penelope! O livro nem começou direito e vc já está OMG OMG PENELOPEEEEE, pq é claro que vc já aprendeu a amar a Penelope desde o primeiro livro, de um jeito q só Penelope pode ser amada. Esta é a primeira, e a principal, razão de este ser um livro muito especial: é o primeiro q vc conhece igualmente os dois lados do casal.
Aqui não temos exatamente um conflito. Ninguém tem trauma de infância (ufa, tks God), mas Penelope é toda complexada, obviamente. Outra novidade: muitos anos se passaram, e Penelope já tem quase 30. Temos uma solteirona, gente, então o famoso Marriage Mart é visto por outro ângulo. É visto do canto, da parede, é visto pelos olhos daquela moça que ninguém nunca queria tirar pra dançar, e agora menos ainda. O desenvolver do romance nada tem de repetido. Não é um flerte, uma corte, é tudo baseado em quem eles são de fato, e não numa série de regrinhas sociais estabelecidas. Aliás, Penelope é a primeira "moça de família" que dá pro cara antes do casamento! Viva! As duas primeiras se agarraram, mas não deram. E Sophie deu, claro que deu, mas ela era a criada, né? :/
Segunda razão para que este seja um livro muito especial: é aqui que a gente descobre quem é a Lady Whistledown!! Sem spoilers aqui.
5) To Sir Phillip With Love
Dá pra acreditar que uma Bridgerton ficou pra tia? Pois Eloise Bridgerton está ficando. Este livro conta a história de minha Bridgerton favorita. Eloise está se correspondendo há um ano com Sir Phillip, e tudo começou muito por acaso. Ele ficou viúvo de uma prima dela, e ela mandou uma carta de condolências. Não pararam mais de se corresponder. Até que Sir Phillip propõe casamento em um carta. De modo muito prático, pouco romântico, até, e Eloise fica surpresa. Só toma uma decisão quando Penelope, sua melhor amiga e tb solteirona, de repente casa com seu irmão Colin. Eloise se vê diante de um futuro solitário, e resolve pelo menos ir conhecer o candidato a marido.
Tem uma série de coisas que eu gosto muito nesta história. Pra começar, a própria Eloise. Veja bem, não é que os Bridgertons (ou as Bridgertons) careçam de personalidade. Todos têm opinião, não são modelinhos muito bem aparados de personagens, o que é bom. Mas, entre as moças, Eloise tem a personalidade mais completa (calma que ainda estou lendo o livro da Hyacinth), menos agradável e mais crível. Eloise não tem nada feito pra agradar. Eloise é simplesmente do jeito que ela é, e foda-se. Comete erros, reconhece-os dentro de si mas tem pavor de admitir em voz alta que é tudo culpa dela. Humana, demasiado humana. Tem sua opinião em muito alta conta, fala muito mais do que deve, acha que está sempre certa. Vc conhece uma Eloise. No meu caso, eu conheço até bem demais. Eu sou uma Eloise.
Outra coisa legal neste livro é que estamos fora de Londres novamente, e mais definitivamente que no livro 3. A história de Sir Phillip é irretocável. Vc não tem como achar o conflito interno desse cara "forçado". O que ele passou não foi bolinho, e ele se comporta totalmente de acordo. Mal. Mas mal do jeito certo, deu pra entender? Quero dizer que tudo o que ele faz de errado é o resultado esperado dos problemas que viveu. Ele é um personagem inteiro e coerente, e carismático. Ele NÃO É lindo de morrer, nem Eloise. Legal, né? Pela descrição, ele é meio ursão, lenhador, grrrraurrrr, ok, eu adorei. *cof cof* Ah, e tem as crianças. Eu geralmente não gosto de crianças em romances de amor, a não ser que elas tenham realmente função na história. Detesto aquela coisa decorativa da familiazinha perfeita, os bebês lindos e adoráveis brincando e dormindo sempre que é preciso que durmam. Mas Amanda e Oliver são absolutamente essenciais pra história! Até Charles, sobrinho de Eloise, que faz apenas figuração na história, vive um momento que é perfeitamente normal para crianças daquela época. O fato é que, em romances de amor, sempre tem muita coisa forçada. Um perigo, uma doença, só pra alguém se aproximar, pra alguém ser salvo, essas coisas. Tudo foi bem conduzido neste livro, nada me pareceu forçado, o que se torna ainda mais evidente e natural pelo fato de que, pela primeira vez, um livro realmente se emendou no outro. A história de Eloise começou a ser traçada concomitantemente à de Colin e Penelope, algo que ainda não tinha acontecido.
Aí cheguei no livro que eu quero comentar o sexo na série dos Bridgertons. Estamos no quinto livro,e todas as vezes vemos uma moça perdendo a virgindade, certo? É claro, estamos lendo romances q se passam na elite londrina do século 19, as moças são virgens. O casamento não pode ficar pro final do livro se a gente quer ver sexo acontecendo, então os personagens se casam depois de uns dois terços de livro mais ou menos (exceto com Benedict e Sophie). E o que me incomodava era que todas as moças sentiam mais ou menos a mesma coisa ao perder a virgindade! Não vou questionar que todas gozam, é um romance, né? Não é vida real. Afinal tá todo mundo casando por amor nesse século 19 aí, e isso já é ficção suficiente. Mas várias coisas poderiam ser diferentes de uma pra outra, e não são. Nenhuma delas reclama de dor, é apenas "estranho". Os homens tb se comportam tudo igualzinho: quero me controlar, não quero machucá-la, mas puta merda não vou aguentaaaaar. Fica chato depois de um tempo. Na verdade essa coisa nos homens me incomoda mais, porque todos os homens são muito viris e seguros, e têm uma espécie de raiva contida que vem à tona em alguns momentos, como no sexo, ou quando eles foram contrariados pela garota e estão muito de mau humor, querendo bater em alguém por qq razão. Todos eles vivem algum episódio assim, até o Colin, e não combina com a personalidade dele.
Mas, finalmente, Eloise é diferente. Não imensamente diferente, mas dá pra notar um espírito mais livre e menos passividade. Pra começar, eu adoro que ela subornou uma criada anos atrás pra saber como era a coisa toda! Como ninguém pensou nisso antes? Que bobas... Eu com certeza teria feito isso! Eloise é a primeira que vive mesmo um tesão a princípio desvencilhado de amor. Daphne vai logo se apaixonando, Kate fica naquele amor & ódio, Sophie e Penelope estão apaixonadas desde o começo. Eloise não está apaixonada por Phillip. Ele ainda é bem estranho, ela não sabe se quer casar com ele, as reações dele não são as que ela espera e ela fica, sim, decepcionada várias vezes. Mas, velho, a pomba dela gira legal pelo Phillip. E o Phillip tb tem características interessantes que o diferenciam dos personagens masculinos anteriores (embora ele tb seja todo viril e tenha father issues). Phillip não é urbano, não tinha o hábito de pegar prostitutas-atrizes-cantoras-criadas, Phillip foi casado, e infeliz no casamento, Phillip tá numa seca federal, fazendo justiça com as próprias mãos há anos. Minha gente, temos uma receita explosiva aqui. Na primeira noite dos dois eu decretei que nenhum casal será tão feliz na cama quanto Eloise e Phillip. Ok, hj eu acho q Francesca pode ser tão feliz na cama quanto sua irmã Eloise. Mas na verdade este continua sendo meu casal favorito, o que mais vai dar certo, o que alcançará a felicidade pacífica e duradoura e, enfim, eu adoro eles dois!
Então vamos a Francesca Stirling!
6) When He Was Wicked
Francesca Bridgerton casou cedo, e nós não a vimos no Marriage Mart. Casou por amor com um conde escocês, John Stirling, conde de Kilmartin, e enviuvou dois anos depois. Tinha apenas 22 anos.
Ai, gente, confesso que quando fiquei sabendo que tínhamos uma viúva na família criei grandes expectativas. Porque, vejam bem, a liberdade social de uma viúva nessa sociedade é notável, não dava pra perder essa oportunidade de realmente fazer uma história diferente. Além de tudo Francesca não vivia em Londres, mas no interior da Escócia. Eu estava esperando uma trama mais ousada... que não veio. Não é que não se tenha aproveitado em nada o fato de ela ser viúva, mas a única diferença foi que ela era a primeira não-virgem, e ela se deu ao luxo de ir pra cama com o carinha uma pá de vezes antes de resolver se casar. Muito quentes na cama, os dois, sem dúvida. Em tese Francesca não era uma inocente, mas o casamento não a tinha transformado exatamente numa pervertida (algo me diz que o casamento da Eloise a transformará numa pervertida, sim senhor!). Mas as possibilidades de uma viúva nos demais âmbitos não foram tão bem exploradas, ao menos não pra criar uma trama mais for do convencional, sabe? Sei lá, pode ser alguém de outra classe social, por exemplo. Ou ela podia ter um amante. Eu pensei em muitas coisas, aqui não cabe ir listando tudo, mas o fato é que a história não fugiu muito daquele universozinho.
O que temos aqui? Um lindo cafa de péssima fama. Jura? De novo? É. De novo. Ah, e assim como Phillip e, como veremos no próximo livro, Gareth, nosso herói Michael Stirling tb será presenteado com a herança e o título quando menos esperava. Michael é primo do finado John, e herdou o título de Conde de Kilmartin quando John morreu. Afe. Jura que a Francesca vai casar de novo com o Conde de Kilmartin?? Vai, gente. Michael é apaixonado pela Francesca desde que a conheceu, e evidentemente guardou esse segredo por anos. Aí o John (que era super próximo dele, tipo um irmão) morre subitamente. Michael fica se sentindo mega culpado por herdar toda a vida do John, e além de tudo ele ama a mulher do finado.Caramba, até parece que ele desejou a morte do primo! Mas nada estaria mais longe da verdade, ele está genuinamente arrasado com a morte do John, então não consegue nem cogitar se aproveitar da situação em relação a Francesca. Não é que esse parte não seja bem conduzida, não, até que é, sim. O drama do Michael é muito crível. Mas tem uma parte do livro que a coisa toda despingola.
Quando Colin, mais uma vez, vai dar seus conselhos super cool (ele já fez isso com o Benedict), tipo "deixe de drama e case com a moça". Que o Colin faça isso, é bem ok, e até que ele faça isso duas vezes. Mas a mudança de opinião do Michael é meio brusca, muito epifânica. Pra quem tinha ficado anos fugindo daquilo, sei lá, ficou estranhão. E mais: pelo tipo de sentimento que ele nutria pela Francesca, o método utilizado para convencê-la a casar com ele foi nada a ver. Porque foi canalha, e não é que isso seja horrível, só achei q não fazia sentido com o que ele sentia por ela. Ele a tratou como todas as outras mulheres anteriores na vida dele. Ah, vamos conversar sobre "consentimento duvidoso"? Lembra de 50 tons de cinza? Eu sempre afirmo que houve consentimento, como tb acho que aqui houve consentimento. Nos dois casos o que houve foi sedução, sim, houve persuasão até, mas houve convencimento. Houve, portanto, consentimento. A mulher podia ter dito não, e não disse. A oportunidade foi dada e redada.
E aí a Francesca morre de culpa depois. Um pouco até q vai, mas ficou exagerado. Uma culpa e uma confusão que duraram semanas de enrolação (e sexo), e isto vindo da pessoa que tinha decidido que queria casar, então não era assim como se ela fosse pega de surpresa pela mera possibilidade de outro homem em sua vida. Ela estava atrás disso, ora. Ok, pode ser surpreendente que tenha sido o Michael. Mas simplesmente ficou forçado o excesso de hesitação da parte dela, assim como a súbita desenvoltura do Michael em ser meio cafa com ela, depois de anos de contenção e movimentos calculados. Ele tinha obrigação de ficar mais nervoso e inseguro, depois de seis anos esperando por aquela mulher, sem nem acreditar que houvesse possibilidade de ficar com ela.
Estou lendo agora It's In His Kiss, e pelo jeito temos mais um lindo cafajeste rebelde e com father issues. Pena. Reparem que, tirando Benedict e Colin, TODOS os homens têm father issues! O Anthony não sofreu na mão do pai, mas sim com a morte dele, mas tb despirocou. É claro que não daria pra fazer o mesmo com os irmãos dele, Benedict e Colin. Gregory é minha última esperança de algum homem que não seja todo perfeitamente viril. Come on, Julia, alivia a pressão da masculinidade. Os homens não são todos iguais, amore!
Aguardem mais comentários quando eu terminar a série toda!
Julia Quinn escreve nos anos 2000 histórias que se passam no século 19, e isso é bem interessante. Tem muito cuidado envolvido com a linguagem usada, mas não deixa de ser um livro escrito dois séculos depois. O romance é muito mais quente do que Jane Austen (a quem JQ foi comparada) jamais teria ousado. Não que Austen seja pouco ousada, mas cada pessoa é filha do seu tempo, né?
Não pude deixar de notar, porém, as implicações de escolher contar suas histórias num passado distante. Pelo menos nos seis livros que li isso criou algumas situações notáveis. Estamos na Inglaterra dos 1800, dentro de um círculo muito restrito: a elite. Mais que a elite, a aristocracia. Estamos falando de gente rica ou de uma baixa nobreza nem tão rica, mas é muito pouca gente. A coisa se torna ainda mais estreita quando a autora se concentra num tipo de evento: o mercado casamenteiro. Prepare-se para cansar de ler sobre mães de debutantes e bailes intermináveis que se seguem sem cessar. As regras sociais desse mundo, e dentro desse âmbito, são estabelecidas, não há muita variação. Não há mutas formas diferentes de conhecer alguém, não há muitas formas diferentes de cortejar alguém, enfim. Muita coisa se repetirá. Isso não é necessariamente ruim. Tem um tipo de literatura de conforto que me atrai muito, na verdade. Eu leio Agatha Christie aos montes, e é um formato. Vc sabe mais ou menos o que esperar. Eu gosto disso. Mas eu acho que algumas coisas não precisavam se repetir tanto nesses livros. Vou chegar lá, calma aí.
Outra implicação que achei bem curiosa na escolha do período é o machismo. É claro que não se pode esperar outra coisa, estamos falando de dois séculos atrás. Moças que precisam casar virgens, enquanto os rapazes não precisam. Ela é inocente, não sabe de nada, ele sabe de tudo, é o sedutor, ensina tudo pra ela. Não deixa de ser conveniente pra um romance, sabe? É um dos grandes problemas de escrever romances de amor, conseguir se libertar dos papéis estereotipados de homem e mulher. Mas quando vc escolhe situá-lo no século 19 isso deixa de ser um problema. Não corre o risco de sofrer o tipo de crítica que sofre uma história como 50 tons (antes de qq coisa me deixem esclarecer que 50 tons é um livro muito pior q qualquer um de JQ, ok? dito isto...), que tem essas mesmas características, mas se passa neste século, então já suscita outro nível de cobrança.
Ah, eu ia fazer umas resenhas... Bom, vamos tentar misturar meus comentários e opiniões nas resenhas. Vejamos.
disclaimer: SPOILERS. está avisado. mas é legal mesmo assim, então leia logo. não vai estragar seu prazer na leitura dos livros. :)
1) The Duke & I
No primeiro livro da série nós somos apresentados à família Bridgerton quando a filha mais velha, Daphne, está entrando no Marriage Mart (o mercado casamenteiro). Na verdade Daphne é a mais velha entre as moças, mas é a quarta na prole de Violet Bridgerton, viscondessa Bridgerton, viúva, mãe de 8 filhos todos nomeados na ordem alfabética. Então vc logo fica sabendo que os oito livros q vai ler serão estrelados por Anthony, Benedict, Colin, Daphne, Eloise, Francesca, Gregory e Hyacinth. A gente tb é apresentado a Lady Whistledown, a redatora misteriosa de um jornalzinho de fofocas que faz um sucesso tremendo na sociedade londrina. Tudo sobre o Marriage Mart é mais interessante neste primeiro livro, quando é novidade pro leitor. A trama de Daphne é legal tb. Começamos com a história de Simon Basset, herdeiro do ducado de Hastings, rejeitado pelo pai por ser gago. O pai chega a dizer, durante um tempo, que o filho está morto. É legal observar que os personagens de Quinn não têm vidas perfeitas (nem todos, mas os Bridgertons meio que têm, sim), mas ela mantém um tom leve nos livros mesmo quando aborda temas mais pesados e dolorosos. Simon é um cara infeliz, revoltado e cheio de raiva, e com toda a razão. Daí o pai morre e ele vira o Duque de Hastings. Como último vingança contra o pai, decide nunca ter filhos, para que o ducado (grande orgulho do pai) saia da família Basset (o que sempre foi o maior medo do pai). Só que ele conhece a Daphne e...
Bom, vc não tá lendo Tolstói, então não tem muito risco de que este romance termine com alguém se jogando no trilho do trem, certo? Vc sabe que tudo vai dar certo no final, né? No geral a coisa toda é bastante bem conduzida. Vc cria super empatia com os personagens, vc compra o peixe, tanto do Simon quanto da Daphne, e a paixão deles é contagiante e muito muito crível (ponto sempre para JQ, a paixão é sempre crível), e os diálogos de JQ são insuperáveis. Mas é claro que tem um monte de clichês. Não, não é "claro". Alguns romances não têm tantos clichês, mas acho que é do estilo mesmo. O clichê é perdoável nesse estilo de romance.
Ai, quer saber? Estou tendo muita dificuldade de resenhar The Duke & I sem resenhar logo...
2) The Viscount Who Loved Me
... e vcs vão entender por quê. Este é o livro do Anthony, o visconde Bridgerton, o mais velho. Começamos o livro com um breve flashback da relação de Anthony com Edmund, seu pai, que morreu picado por uma abelha quando Anthony tinha 18 anos (e Edmund apenas 38). Anthony ficou super abalado com a morte do pai, é claro, e além de tudo se tornou, bem cedo, o chefe da família e visconde Bridgerton. E Anthony adquiriu desde então uma estranha certeza de que... morreria no máximo aos 38 anos.
Hein?
Ok, gente, não vamos discutir com os demônios interiores do rapaz. Cada um sabe a dor e a delícia de... vcs sabem.
Anthony tem uns 30 e poucos anos quando resolve que é melhor é casar logo, porque, diferentemente de seu grande amigo Simon (ah, eu não contei q eles dois eram bffs? eles são), ele não teve uma infância infeliz, pelo contrário, ele valoriza pra caramba a família e também o seu título, e quer sim senhor dar continuidade a ele, como manda o figurino, fazendo filhotes machos. Porém tem aquela história de que ele vai morrer daqui a pouco, né? Então ele quer casar e ter filhos, mas não pode amar, porque senão ele só vai sofrer.
Recapitulando: Simon tem father issues e não vai ter filhos. Anthony tem outro tipo de father issues e não vai amar sua esposa. Simon e Anthony são bffs. Simon e Anthony são muito lindos, muito cafajestes, têm péssima fama de depravados e mulherengos, mas mesmo assim são cobiçados como maridos (porque eles são lindos e têm um título de nobreza e porque é super ok vc ser pegador desde q vc nunca tenha estragado a virtude de uma moça "de família", as outras moças ok).
Achou pouco? Ambos casam porque são pegos em situações comprometedoras com as moças. Ambos, em determinado momento, brigam com a esposa e saem pra ficar extremamente bêbados (o que, em ambos os casos, resulta numa conversa engraçada). Ambos vão atrás da mulher pra fazer as pazes e ela está passeando no parque e sofre algum acidente (de cavalo; de charrete). É. Sério, gente. Quando eu tava lendo o segundo livro e a menina foi pro parque eu já pensei "não acredito q vai acontecer a mesma coisa", e meio que foi. Achei pobríssimo isso, sabem? Foi um balde de água fria pra mim no segundo livro. E, evidentemente, ambos quebram as promessas que fizeram para si mesmos, porque o amor dessas maravilhosas mulheres virgens vai salvá-los dos seus demônios interiores. Elas mostrarão para eles o que é o amor, e eles mostrarão para elas o que é o prazer. Mas isso tb o título já entregava, afinal o livro não se chama "The Viscount Who Married Me Though He Didn't Love Me At All".
Mas ainda bem que eu não desisti da série, apesar dessas coincidências meio irritantes, porque o melhor estava por vir.
3) An Offer From a Gentleman
Meu livro favorito da série (quase empata com os dois a seguir, mas segue sendo melhor). Pra começar, Benedict.
Pra continuar, Sophie.
Entendedores entenderão.
Pra terminar, Cinderela. Julia Quinn teve uma ideia que pode ser bem banal, mas que ela conduziu com maestria. Ela reescreveu Cinderela, e ficou perfeito! Sophie Beckett é a filha bastarda de um conde. Ele a acolheu em casa, embora, evidentemente, jamais a tenha reconhecido como filha. Ela foi bem educada e bem cuidada. Até que ele casou com uma viúva que tinha duas filhas, e a vida de Sophie começou a piorar. A madrasta, Araminta, odiava Sophie, achava um absurdo que suas filhas fossem obrigadas a conviver com a bastarda, etc. etc. O pai de Sophie morre, é claro, e deixa uma cláusula no testamento que diz que a renda legada para Araminta será triplicada se ela mantiver Sophie em casa até os 21 anos da moça. Ela mantém, mas sob que condições? Bom, vcs conhecem Cinderela, né? É isso aí.
Depois de alguns anos de escravidão doméstica, Sophie está em Londres com Araminta e as filhas que estão entrando no Marriage Mart (here we go again!). Os Bridgerton darão um baile. De máscaras! Oh dear, não dá pra perder esta oportunidade, certo? Os criados da casa, que adoram Sophie, a ajudam a ir pro baile, onde ela conhece Benedict Bridgerton, e é tudo lindo e mágico e fucking awesome. Ele fica com a luva dela (muito mais sentido que um sapato, certo? mas o sapato tb tem importância na trama), que tem um brasão da família do pai dela, então ele vai procurá-la, mas ela foi trancada no quartinho. Novamente, vcs conhecem a história, né? A madrasta descobre que Sophie foi ao baile e a expulsa de casa.
Sem referências, Sophie tem dificuldades de arrumar emprego melhor do que arrumadeira, e fica se virando assim. Um tempo depois, é nessa situação que ela e Benedict se reencontram. Ela é arrumadeira numa casa no interior onde ele foi a uma festa. E Sophie está sendo violentamente assediada pelo filho dos donos da casa. Benedict a salva de um estupro (reparem como saporra tem muito mais história que os dois primeiros livros juntos!), e diz que vai arrumar pra ela um emprego na casa da mãe dele em Londres. Bom, eles têm uma viagem pela frente, só os dois. Debaixo da chuva. Ele adoece, e o que seria uma paradinha num chalé que ele tem no caminho, acaba virando uma paradona de dias. É aí q eles se conhecem melhor e se apaixonam.
O que tem de muito especial neste livro? Benedict não tem demônios interiores. Benedict não é um cafajeste mulherengo. Benedict não tem medo de amar. Benedict simplesmente se apaixona, só que por uma criada. O conflito é REAL, não é imaginário. E o conflito não é dele, é DELA. A personagem feminina é o centro da trama. Benedict faz a única coisa que é possível para alguém na posição dele apaixonado por alguém na posição dela: propõe que ela se torne sua amante (an offer from a gentleman). Isso não é exatamente ruim, nessa sociedade. É assim que é, é o que temos pra hoje, é o que dá pra ser. Mas Sophie sofreu pra caralho sendo filha ilegítima, ela não vai ter filhos ilegítimos de jeito nenhum! Ela que se case com um pobretão, que dará nome aos filhos dela, melhor que seja assim. Só que Sophie está apaixonada por Benedict (ela o reconhece, do baile, mas ele não! ou seja, ele se apaixona por ela duas vezes! awwwwww). O conflito está montado. Como eles vão dar a volta nisso? Não dá pra sair casando com uma criada assim, do nada, não dá pra fingir que isso é fácil no século 19. Eu digo: o negócio é super bem conduzido. Quinn entrega o final feliz que vc espera, mas de modo crível. Nesse livro eu me apaixonei imorredouramente por Violet Bridgerton. Ela é coerente, mas profundamente amorosa.
Ah, e tem outra coisa bacana nesse livro: não tem Marriage Mart! É divertido, mas uma folga é muito bem-vinda.
4) Romancing Mr. Bridgerton
Quando vc tá lendo uma série de romances vc não termina um capítulo sem saber qual é o casal que vai ficar junto no final, né? Se vc começou a ler o livro da Daphne e estão falando de um tal de Simon Basset, é evidente q é com ele q ela vai ficar. Se vc está lendo o livro do Benedict e começam contando a história de uma tal de Sophie Beckett, enfim. Aí agora vc está lendo o livro do Colin. O Colin é o Bridgerton mais cool. Ele não é só bonito, ele é simpaticão. Ele não é aquele sedutor estilo cafa, ele é sedutor porque é o charme em pessoa. Eu acho que ele é o mais bonito de todos os Bridgertons, na minha cabeça. E ele é divertido.
E ele vai ficar com Penelope Featherington!!
Como assim, caceteeeee??? As Featherington sempre foram a piada de Lady Whistledown, a piada da sociedade. E Penelope mais ainda. A rechonchuda, tímida, a eternamente bullied & friendzoned Penelope Featherington, sempre vestindo os vestidos errados. Até a mãe dela (ou principalmente...) desacreditava completamente a pobre Penelope.
E aí vc tá lendo o livro do Colin e estão falando de... Penelope! O livro nem começou direito e vc já está OMG OMG PENELOPEEEEE, pq é claro que vc já aprendeu a amar a Penelope desde o primeiro livro, de um jeito q só Penelope pode ser amada. Esta é a primeira, e a principal, razão de este ser um livro muito especial: é o primeiro q vc conhece igualmente os dois lados do casal.
Aqui não temos exatamente um conflito. Ninguém tem trauma de infância (ufa, tks God), mas Penelope é toda complexada, obviamente. Outra novidade: muitos anos se passaram, e Penelope já tem quase 30. Temos uma solteirona, gente, então o famoso Marriage Mart é visto por outro ângulo. É visto do canto, da parede, é visto pelos olhos daquela moça que ninguém nunca queria tirar pra dançar, e agora menos ainda. O desenvolver do romance nada tem de repetido. Não é um flerte, uma corte, é tudo baseado em quem eles são de fato, e não numa série de regrinhas sociais estabelecidas. Aliás, Penelope é a primeira "moça de família" que dá pro cara antes do casamento! Viva! As duas primeiras se agarraram, mas não deram. E Sophie deu, claro que deu, mas ela era a criada, né? :/
Segunda razão para que este seja um livro muito especial: é aqui que a gente descobre quem é a Lady Whistledown!! Sem spoilers aqui.
5) To Sir Phillip With Love
Dá pra acreditar que uma Bridgerton ficou pra tia? Pois Eloise Bridgerton está ficando. Este livro conta a história de minha Bridgerton favorita. Eloise está se correspondendo há um ano com Sir Phillip, e tudo começou muito por acaso. Ele ficou viúvo de uma prima dela, e ela mandou uma carta de condolências. Não pararam mais de se corresponder. Até que Sir Phillip propõe casamento em um carta. De modo muito prático, pouco romântico, até, e Eloise fica surpresa. Só toma uma decisão quando Penelope, sua melhor amiga e tb solteirona, de repente casa com seu irmão Colin. Eloise se vê diante de um futuro solitário, e resolve pelo menos ir conhecer o candidato a marido.
Tem uma série de coisas que eu gosto muito nesta história. Pra começar, a própria Eloise. Veja bem, não é que os Bridgertons (ou as Bridgertons) careçam de personalidade. Todos têm opinião, não são modelinhos muito bem aparados de personagens, o que é bom. Mas, entre as moças, Eloise tem a personalidade mais completa (calma que ainda estou lendo o livro da Hyacinth), menos agradável e mais crível. Eloise não tem nada feito pra agradar. Eloise é simplesmente do jeito que ela é, e foda-se. Comete erros, reconhece-os dentro de si mas tem pavor de admitir em voz alta que é tudo culpa dela. Humana, demasiado humana. Tem sua opinião em muito alta conta, fala muito mais do que deve, acha que está sempre certa. Vc conhece uma Eloise. No meu caso, eu conheço até bem demais. Eu sou uma Eloise.
Outra coisa legal neste livro é que estamos fora de Londres novamente, e mais definitivamente que no livro 3. A história de Sir Phillip é irretocável. Vc não tem como achar o conflito interno desse cara "forçado". O que ele passou não foi bolinho, e ele se comporta totalmente de acordo. Mal. Mas mal do jeito certo, deu pra entender? Quero dizer que tudo o que ele faz de errado é o resultado esperado dos problemas que viveu. Ele é um personagem inteiro e coerente, e carismático. Ele NÃO É lindo de morrer, nem Eloise. Legal, né? Pela descrição, ele é meio ursão, lenhador, grrrraurrrr, ok, eu adorei. *cof cof* Ah, e tem as crianças. Eu geralmente não gosto de crianças em romances de amor, a não ser que elas tenham realmente função na história. Detesto aquela coisa decorativa da familiazinha perfeita, os bebês lindos e adoráveis brincando e dormindo sempre que é preciso que durmam. Mas Amanda e Oliver são absolutamente essenciais pra história! Até Charles, sobrinho de Eloise, que faz apenas figuração na história, vive um momento que é perfeitamente normal para crianças daquela época. O fato é que, em romances de amor, sempre tem muita coisa forçada. Um perigo, uma doença, só pra alguém se aproximar, pra alguém ser salvo, essas coisas. Tudo foi bem conduzido neste livro, nada me pareceu forçado, o que se torna ainda mais evidente e natural pelo fato de que, pela primeira vez, um livro realmente se emendou no outro. A história de Eloise começou a ser traçada concomitantemente à de Colin e Penelope, algo que ainda não tinha acontecido.
Aí cheguei no livro que eu quero comentar o sexo na série dos Bridgertons. Estamos no quinto livro,e todas as vezes vemos uma moça perdendo a virgindade, certo? É claro, estamos lendo romances q se passam na elite londrina do século 19, as moças são virgens. O casamento não pode ficar pro final do livro se a gente quer ver sexo acontecendo, então os personagens se casam depois de uns dois terços de livro mais ou menos (exceto com Benedict e Sophie). E o que me incomodava era que todas as moças sentiam mais ou menos a mesma coisa ao perder a virgindade! Não vou questionar que todas gozam, é um romance, né? Não é vida real. Afinal tá todo mundo casando por amor nesse século 19 aí, e isso já é ficção suficiente. Mas várias coisas poderiam ser diferentes de uma pra outra, e não são. Nenhuma delas reclama de dor, é apenas "estranho". Os homens tb se comportam tudo igualzinho: quero me controlar, não quero machucá-la, mas puta merda não vou aguentaaaaar. Fica chato depois de um tempo. Na verdade essa coisa nos homens me incomoda mais, porque todos os homens são muito viris e seguros, e têm uma espécie de raiva contida que vem à tona em alguns momentos, como no sexo, ou quando eles foram contrariados pela garota e estão muito de mau humor, querendo bater em alguém por qq razão. Todos eles vivem algum episódio assim, até o Colin, e não combina com a personalidade dele.
Mas, finalmente, Eloise é diferente. Não imensamente diferente, mas dá pra notar um espírito mais livre e menos passividade. Pra começar, eu adoro que ela subornou uma criada anos atrás pra saber como era a coisa toda! Como ninguém pensou nisso antes? Que bobas... Eu com certeza teria feito isso! Eloise é a primeira que vive mesmo um tesão a princípio desvencilhado de amor. Daphne vai logo se apaixonando, Kate fica naquele amor & ódio, Sophie e Penelope estão apaixonadas desde o começo. Eloise não está apaixonada por Phillip. Ele ainda é bem estranho, ela não sabe se quer casar com ele, as reações dele não são as que ela espera e ela fica, sim, decepcionada várias vezes. Mas, velho, a pomba dela gira legal pelo Phillip. E o Phillip tb tem características interessantes que o diferenciam dos personagens masculinos anteriores (embora ele tb seja todo viril e tenha father issues). Phillip não é urbano, não tinha o hábito de pegar prostitutas-atrizes-cantoras-criadas, Phillip foi casado, e infeliz no casamento, Phillip tá numa seca federal, fazendo justiça com as próprias mãos há anos. Minha gente, temos uma receita explosiva aqui. Na primeira noite dos dois eu decretei que nenhum casal será tão feliz na cama quanto Eloise e Phillip. Ok, hj eu acho q Francesca pode ser tão feliz na cama quanto sua irmã Eloise. Mas na verdade este continua sendo meu casal favorito, o que mais vai dar certo, o que alcançará a felicidade pacífica e duradoura e, enfim, eu adoro eles dois!
Então vamos a Francesca Stirling!
6) When He Was Wicked
Francesca Bridgerton casou cedo, e nós não a vimos no Marriage Mart. Casou por amor com um conde escocês, John Stirling, conde de Kilmartin, e enviuvou dois anos depois. Tinha apenas 22 anos.
Ai, gente, confesso que quando fiquei sabendo que tínhamos uma viúva na família criei grandes expectativas. Porque, vejam bem, a liberdade social de uma viúva nessa sociedade é notável, não dava pra perder essa oportunidade de realmente fazer uma história diferente. Além de tudo Francesca não vivia em Londres, mas no interior da Escócia. Eu estava esperando uma trama mais ousada... que não veio. Não é que não se tenha aproveitado em nada o fato de ela ser viúva, mas a única diferença foi que ela era a primeira não-virgem, e ela se deu ao luxo de ir pra cama com o carinha uma pá de vezes antes de resolver se casar. Muito quentes na cama, os dois, sem dúvida. Em tese Francesca não era uma inocente, mas o casamento não a tinha transformado exatamente numa pervertida (algo me diz que o casamento da Eloise a transformará numa pervertida, sim senhor!). Mas as possibilidades de uma viúva nos demais âmbitos não foram tão bem exploradas, ao menos não pra criar uma trama mais for do convencional, sabe? Sei lá, pode ser alguém de outra classe social, por exemplo. Ou ela podia ter um amante. Eu pensei em muitas coisas, aqui não cabe ir listando tudo, mas o fato é que a história não fugiu muito daquele universozinho.
O que temos aqui? Um lindo cafa de péssima fama. Jura? De novo? É. De novo. Ah, e assim como Phillip e, como veremos no próximo livro, Gareth, nosso herói Michael Stirling tb será presenteado com a herança e o título quando menos esperava. Michael é primo do finado John, e herdou o título de Conde de Kilmartin quando John morreu. Afe. Jura que a Francesca vai casar de novo com o Conde de Kilmartin?? Vai, gente. Michael é apaixonado pela Francesca desde que a conheceu, e evidentemente guardou esse segredo por anos. Aí o John (que era super próximo dele, tipo um irmão) morre subitamente. Michael fica se sentindo mega culpado por herdar toda a vida do John, e além de tudo ele ama a mulher do finado.Caramba, até parece que ele desejou a morte do primo! Mas nada estaria mais longe da verdade, ele está genuinamente arrasado com a morte do John, então não consegue nem cogitar se aproveitar da situação em relação a Francesca. Não é que esse parte não seja bem conduzida, não, até que é, sim. O drama do Michael é muito crível. Mas tem uma parte do livro que a coisa toda despingola.
Quando Colin, mais uma vez, vai dar seus conselhos super cool (ele já fez isso com o Benedict), tipo "deixe de drama e case com a moça". Que o Colin faça isso, é bem ok, e até que ele faça isso duas vezes. Mas a mudança de opinião do Michael é meio brusca, muito epifânica. Pra quem tinha ficado anos fugindo daquilo, sei lá, ficou estranhão. E mais: pelo tipo de sentimento que ele nutria pela Francesca, o método utilizado para convencê-la a casar com ele foi nada a ver. Porque foi canalha, e não é que isso seja horrível, só achei q não fazia sentido com o que ele sentia por ela. Ele a tratou como todas as outras mulheres anteriores na vida dele. Ah, vamos conversar sobre "consentimento duvidoso"? Lembra de 50 tons de cinza? Eu sempre afirmo que houve consentimento, como tb acho que aqui houve consentimento. Nos dois casos o que houve foi sedução, sim, houve persuasão até, mas houve convencimento. Houve, portanto, consentimento. A mulher podia ter dito não, e não disse. A oportunidade foi dada e redada.
E aí a Francesca morre de culpa depois. Um pouco até q vai, mas ficou exagerado. Uma culpa e uma confusão que duraram semanas de enrolação (e sexo), e isto vindo da pessoa que tinha decidido que queria casar, então não era assim como se ela fosse pega de surpresa pela mera possibilidade de outro homem em sua vida. Ela estava atrás disso, ora. Ok, pode ser surpreendente que tenha sido o Michael. Mas simplesmente ficou forçado o excesso de hesitação da parte dela, assim como a súbita desenvoltura do Michael em ser meio cafa com ela, depois de anos de contenção e movimentos calculados. Ele tinha obrigação de ficar mais nervoso e inseguro, depois de seis anos esperando por aquela mulher, sem nem acreditar que houvesse possibilidade de ficar com ela.
Estou lendo agora It's In His Kiss, e pelo jeito temos mais um lindo cafajeste rebelde e com father issues. Pena. Reparem que, tirando Benedict e Colin, TODOS os homens têm father issues! O Anthony não sofreu na mão do pai, mas sim com a morte dele, mas tb despirocou. É claro que não daria pra fazer o mesmo com os irmãos dele, Benedict e Colin. Gregory é minha última esperança de algum homem que não seja todo perfeitamente viril. Come on, Julia, alivia a pressão da masculinidade. Os homens não são todos iguais, amore!
Aguardem mais comentários quando eu terminar a série toda!
15 de mar. de 2015
a esquerda estarrecida
sim. nós, a esquerda, estamos perplexos. porque, décadas depois do fim da ditadura militar, a direita foi novamente às ruas. parece que a ressaca da ditadura passou.
e eu que sempre achei que a direita deveria mostrar a sua cara neste país, assisti hoje um verdadeiro espetáculo de horrores. alguns amigos meus, alguns compreensivelmente indignados com erros do governo atual, ajudaram a dar número a um movimento que, por ingenuidade,inocência, ignorância, eles desejam apartidário. suprapartidário. é uma gente (sim, até esses meus amigos) que até 2013 se declarava apolítica. é uma gente cuja paixão política nasceu, ali sim, num movimento de organização espontânea, o junho de 2013. mas é sempre bom lembrar como nasceu o junho de 2013. preços das passagens de transporte público. reações violentíssimas das PMs. revolta nacional. como aquilo virou o trailer disto que vimos hoje? não faço ideia. mas eu que fui pra rua em 2013, cheguei a me arrepender quando vi, depois, os apolíticos se lambuzando de prazer infantil na rua, no processo democrático (e político!) q eu sempre amei.
o que esta direita não entendeu é que política sem partidos é chamada de ditadura. ok, alguns entenderam, e querem mesmo isso (votar dá muito trabalho, prefiro q alguém decida tudo por mim). o que a direita ainda não entendeu, também, é que ela é DIREITA. vc é contra os programas sociais? acha tudo bolsa-esmola? é a favor das privatizações? deixa eu te explicar uma coisa então: VC É DA DIREITA. ok? tá entendido isso?
beleza, continuemos.
o movimento de hoje tem interesses políticos e partidários, mesmo q vcs não queiram. fora Dilma? alguém vai entrar no lugar, e vai ser um POLÍTICO, essa raça q vcs acham q abominam. não abominam de fato, são apenas seletivos. pois durante anos vários outros escândalos já tinham vindo à tona (sim, não tantos, muita muita coisa era abafada rapidinho), e vcs não estavam assim tão indignados.
mas, confesso. vossa indignação nos estarrece. nós, da esquerda. a gente curte política. a gente frequenta a rua. a gente se lambuza de prazer também, mas geralmente nosso prazer é um sonho. é uma paixão. é um amor, uma crença, uma alegria, uma esperança. o que uniu esta gente hj na rua foi o ódio. sim. ficamos estarrecidos ao ver vcs no que sempre consideramos "nossa área". pois bem. a rua é pública, sejam bem-vindos.
mas, por favor, limpem a merda que deixaram pelo chão.
e eu que sempre achei que a direita deveria mostrar a sua cara neste país, assisti hoje um verdadeiro espetáculo de horrores. alguns amigos meus, alguns compreensivelmente indignados com erros do governo atual, ajudaram a dar número a um movimento que, por ingenuidade,inocência, ignorância, eles desejam apartidário. suprapartidário. é uma gente (sim, até esses meus amigos) que até 2013 se declarava apolítica. é uma gente cuja paixão política nasceu, ali sim, num movimento de organização espontânea, o junho de 2013. mas é sempre bom lembrar como nasceu o junho de 2013. preços das passagens de transporte público. reações violentíssimas das PMs. revolta nacional. como aquilo virou o trailer disto que vimos hoje? não faço ideia. mas eu que fui pra rua em 2013, cheguei a me arrepender quando vi, depois, os apolíticos se lambuzando de prazer infantil na rua, no processo democrático (e político!) q eu sempre amei.
o que esta direita não entendeu é que política sem partidos é chamada de ditadura. ok, alguns entenderam, e querem mesmo isso (votar dá muito trabalho, prefiro q alguém decida tudo por mim). o que a direita ainda não entendeu, também, é que ela é DIREITA. vc é contra os programas sociais? acha tudo bolsa-esmola? é a favor das privatizações? deixa eu te explicar uma coisa então: VC É DA DIREITA. ok? tá entendido isso?
beleza, continuemos.
o movimento de hoje tem interesses políticos e partidários, mesmo q vcs não queiram. fora Dilma? alguém vai entrar no lugar, e vai ser um POLÍTICO, essa raça q vcs acham q abominam. não abominam de fato, são apenas seletivos. pois durante anos vários outros escândalos já tinham vindo à tona (sim, não tantos, muita muita coisa era abafada rapidinho), e vcs não estavam assim tão indignados.
mas, confesso. vossa indignação nos estarrece. nós, da esquerda. a gente curte política. a gente frequenta a rua. a gente se lambuza de prazer também, mas geralmente nosso prazer é um sonho. é uma paixão. é um amor, uma crença, uma alegria, uma esperança. o que uniu esta gente hj na rua foi o ódio. sim. ficamos estarrecidos ao ver vcs no que sempre consideramos "nossa área". pois bem. a rua é pública, sejam bem-vindos.
mas, por favor, limpem a merda que deixaram pelo chão.
17 de fev. de 2015
Os livros lidos em 2014
Postando a listinha de 2014 ainda antes do fim do Carnaval! Nada mal, hein?
1) Howl's Moving Castle (Diana Wynne Jones): ganhei de Natal "A casa dos muitos caminhos" em 2013, e descobri que era o terceiro da série do Howl. Então comprei os dois ebooks. O primeiro livro é este, e eu já tinha visto a animação muitos anos atrás. O livro é infinitamente superior!! Tão bom que é um daqueles poucos poucos livros que na vida me deu vontade escrever uma fanfic. Rs. Ganhou o título de *MELHOR LIVRO DO ANO*.
2) Castle in the Air (Diana Wynne Jones): o segundo livro da série não me agradou tanto quanto Howl's Moving Castle e mesmo assim ainda é excelente!
3) O visitante inesperado (Agatha Christie): acho que estou chegando perto do fim da obra de Agatha, pois já comecei a ler aqueles q ela deixou somente esboçados e q foram de fato escritos por outras pessoas. Este é um. Dá pra perceber muito bem no estilo da escrita, é claro. Mas gostei muito da história.
4) Os trabalhos de Hércules (Agatha Christie): foi um ano de muita Agatha Christie. Observem.
5) O cavalo amarelo (Agatha Christie): candidato ao melhor de Agatha em 2014.
6) Assassinato na casa do pastor (Agatha Christie): um clássico, e merece sê-lo.
7) Os treze problemas (Agatha Christie): muito interessante!
8) O jovem Sherlock Holmes: Nuvem da morte (Andrew Lane): ruim. Ruim em vários aspectos. Ruim como fanfic de Sherlock Holmes, pois se afasta demais da personalidade do personagem original. Ruim como livro, a aventura é mal contada. Pode ser q essa segunda avaliação já seja implicância minha porque fiquei ultrajada com esse Sherlockinho carente de atenção.
9) Filhos - da gravidez aos 2 anos de idade dos pediatras da Sociedade Brasileira de Pediatria (org. Fábio Ancona Lopez e Dioclécio Campos Jr.)
10) Morte na Mesopotâmia (Agatha Christie)
11) Morte na praia (Agatha Christie)
12) A morte da Sra. McGinty (Agatha Christie): candidato tb a melhor de Agatha do ano.
13) O mistério dos sete relógios (Agatha Christie)
14) Os cinco porquinhos (Agatha Christie): outro clássico da Agatha, bem engendrado, mas tem algumas coisinhas que me incomodam nesta trama...
15) The Silkworm (Robert Galbraith): ainda muito bom, mas perde muito para Cuckoo's Calling.
16) Seguindo a correnteza (Agatha Christie)
17) Adultério (Paulo Coelho): tem alguns truques interessantes de narrativa neste livro, mas já li coisa muito melhor do Paulo Coelho. Pra falar a verdade tb já li coisa pior.
18) A carga (Mary Westmacott): primeiro livro q li do pseudônimo da Agatha Christie. O estilo, é claro, é delicioso. No começo vc meio que fica esperando que alguém morra. Rs. É uma leitura gostosa, e a trama tinha tudo pra ser excelente, mas faltou algo. O terço final e especialmente o desfecho foi simplesmente decepcionante.
19) A aventura do pudim de Natal (Agatha Christie)
20) Contos de crime (org. Flávio Moreira da Costa): mini-antologia, muito boa.
21) A maldição do espelho (Agatha Christie): muito bom! será que temos um vencedor de melhor Agatha?
22) A terceira moça (Agatha Christie): um ótimo Poirot
23) Tempo bom, tempo ruim (Jean Wyllys): recomendo!
24) Armandinho Um (Alexandre Beck): isto contaaaaa??? confesso que li no último dia do ano, arrasada porque não tinha conseguido chegar na minha meta de 24 livros por ano. :(
1) Howl's Moving Castle (Diana Wynne Jones): ganhei de Natal "A casa dos muitos caminhos" em 2013, e descobri que era o terceiro da série do Howl. Então comprei os dois ebooks. O primeiro livro é este, e eu já tinha visto a animação muitos anos atrás. O livro é infinitamente superior!! Tão bom que é um daqueles poucos poucos livros que na vida me deu vontade escrever uma fanfic. Rs. Ganhou o título de *MELHOR LIVRO DO ANO*.
2) Castle in the Air (Diana Wynne Jones): o segundo livro da série não me agradou tanto quanto Howl's Moving Castle e mesmo assim ainda é excelente!
3) O visitante inesperado (Agatha Christie): acho que estou chegando perto do fim da obra de Agatha, pois já comecei a ler aqueles q ela deixou somente esboçados e q foram de fato escritos por outras pessoas. Este é um. Dá pra perceber muito bem no estilo da escrita, é claro. Mas gostei muito da história.
4) Os trabalhos de Hércules (Agatha Christie): foi um ano de muita Agatha Christie. Observem.
5) O cavalo amarelo (Agatha Christie): candidato ao melhor de Agatha em 2014.
6) Assassinato na casa do pastor (Agatha Christie): um clássico, e merece sê-lo.
7) Os treze problemas (Agatha Christie): muito interessante!
8) O jovem Sherlock Holmes: Nuvem da morte (Andrew Lane): ruim. Ruim em vários aspectos. Ruim como fanfic de Sherlock Holmes, pois se afasta demais da personalidade do personagem original. Ruim como livro, a aventura é mal contada. Pode ser q essa segunda avaliação já seja implicância minha porque fiquei ultrajada com esse Sherlockinho carente de atenção.
9) Filhos - da gravidez aos 2 anos de idade dos pediatras da Sociedade Brasileira de Pediatria (org. Fábio Ancona Lopez e Dioclécio Campos Jr.)
10) Morte na Mesopotâmia (Agatha Christie)
11) Morte na praia (Agatha Christie)
12) A morte da Sra. McGinty (Agatha Christie): candidato tb a melhor de Agatha do ano.
13) O mistério dos sete relógios (Agatha Christie)
14) Os cinco porquinhos (Agatha Christie): outro clássico da Agatha, bem engendrado, mas tem algumas coisinhas que me incomodam nesta trama...
15) The Silkworm (Robert Galbraith): ainda muito bom, mas perde muito para Cuckoo's Calling.
16) Seguindo a correnteza (Agatha Christie)
17) Adultério (Paulo Coelho): tem alguns truques interessantes de narrativa neste livro, mas já li coisa muito melhor do Paulo Coelho. Pra falar a verdade tb já li coisa pior.
18) A carga (Mary Westmacott): primeiro livro q li do pseudônimo da Agatha Christie. O estilo, é claro, é delicioso. No começo vc meio que fica esperando que alguém morra. Rs. É uma leitura gostosa, e a trama tinha tudo pra ser excelente, mas faltou algo. O terço final e especialmente o desfecho foi simplesmente decepcionante.
19) A aventura do pudim de Natal (Agatha Christie)
20) Contos de crime (org. Flávio Moreira da Costa): mini-antologia, muito boa.
21) A maldição do espelho (Agatha Christie): muito bom! será que temos um vencedor de melhor Agatha?
22) A terceira moça (Agatha Christie): um ótimo Poirot
23) Tempo bom, tempo ruim (Jean Wyllys): recomendo!
24) Armandinho Um (Alexandre Beck): isto contaaaaa??? confesso que li no último dia do ano, arrasada porque não tinha conseguido chegar na minha meta de 24 livros por ano. :(
29 de jan. de 2015
gestando uma maternidade: 9 meses do lado de fora
este é, talvez, o post mais íntimo de todos os que já escrevi. não liguem se a leitura ficar tortuosa. certamente serei interrompida dezenas de vezes enquanto escrevo. mas quero contar pra vcs por que resolvi ter um filho.
antes de mais nada, preciso esclarecer que eu quis e não quis ter um filho por muito tempo. toda garota pensa e repensa a maternidade mil vezes durante a vida. se imagina grávida, se imagina mãe, se imagina contando praquele cara que tá esperando um filho dele, imagina como será a reação dele, fica com medo de ser uma reação horrível, toma pílula, usa camisinha, vive o pavor e o desejo proibido da maternidade quando a menstruação atrasa. vc quer que dê negativo, porque não se preparou pra isso naquela hora, mas quando dá negativo, vc fica arrasada. a gente é obrigada pela sociedade a pensar nisso milhares de vezes, por isso pensamos. eu quis e não quis ter um filho, por muito tempo. até que, uma vez, eu quis ser mãe. e aí eu me decidi.
querer ser mãe é muito, muito diferente de querer ter um filho. porque não é ter, é ser. é passar a desejar aquela transformação em você mesma. é querer incluir aquele novo "ser" em você. ser mulher, ser filha, ser amiga, ser irmã, ser professora, ser escritora, ser tradutora, ser fã, ser leitora, ser prima, ser tia, ser neta, ser sobrinha, e eu também quis ser mãe. sou uma pessoa extremamente egocentrada. adoro minha própria companhia mais do que de qualquer outra pessoa. adoro estar só, adoro tempo pra mim, tenho tantas coisas dentro da minha cabeça, preciso de tempo pra elas. sou cheia de desejos e propósitos. eu nunca precisei de um filho que me desse sentido à vida. eu desejei um filho que me ensinasse coisas que eu achava que faltavam em mim. que me ensinasse a renunciar. que me ensinasse a prescindir. que me ensinasse sobre me doar, sobre ser generosa e disponível, coisas que não sou e não sei fazer.
e ele ensina. e aprender essas coisas dói pra caralho. porque dói mudar coisas dentro de você. mil vezes por dia eu esqueço o motivo de ter decidido fazer isso, mas ao me tornar mãe, aquela parte instintiva já veio tomando conta, e mesmo que eu esqueça as razões de uma decisão tomada alguns anos atrás, eu simplesmente vou lá e faço o que é preciso fazer.
e muitas vezes faço de mau humor. faço de má vontade. não tenho vocação, não nasci pra essa fase de bebê, e não tenho vergonha de dizer. não gosto de trocar fralda, dar banho no bebê me cansa, brincar com ele é muitas vezes super chato e colocá-lo pra dormir é ou estressante ou me mata de sono. faço tudo isso como faço outras coisas da vida que não gosto, mas preciso. lavar a louça, estender a roupa ou levar o lixo pra fora. a diferença é que antes eu decidia quando lavar a louça, estender a roupa e levar o lixo pra fora. hoje eu tenho que fazer todas essas coisas e mais todas as outras que o bebê precisa na hora que ele precisa, ou na hora que ele deixa. perdi toda a autonomia sobre meu tempo. perdi minha prioridade. isso é triste, é cansativo e desalentador. ninguém gosta disso.
mas vivemos numa sociedade de exibição de felicidade onde é um horror admitir isso. admitir toda a carga de infelicidade que vem com a maternidade. nas redes sociais vc está cercada de amigas q postam fotos felizes com seus filhos pequenos, elas estão bonitas, penteadas, maquiadas, e os filhos estão sempre sorrindo. há momentos em que vc vê essas cenas e pensa "o que elas têm que eu não tenho? babá e empregada, talvez", e noutras vezes vc pensa "que ilusão, minha querida. sei o que vc está passando, companheira, e isso não passa de fachada". porque é claro que a gente não tira foto de fralda suja de cocô nem para pra filmar aquelas horas infernais daquela maldita tarde que ele não dormiu nadinha e chorou o tempo todo, se debatendo no seu colo, e vc chorou junto, de raiva, de cansaço, de pena daquele pequeno que vc não consegue ajudar. e aí a culpa, a culpa, a culpa de ficar com raiva, de querer que tudo aquilo acabe, a maior de todas as culpas, aquela de pensar que, se vc pudesse voltar atrás, não teria embarcado nessa aventura. nasce um bebê, nasce uma mãe, e nasce um Everest de culpa.
mas a mudança q eu pedi estava em curso. eu já tinha embarcado na aventura, e não tinha volta. perdida, apavorada, exausta, no fundo eu não daria conta nem de voltar atrás. porque aquela coisinha, aquele serzinho, precisa de mim, caralho! sai da minha frente, medo! e ele não sai, o medo vai te acompanhar daqui pra frente. o susto também. a maravilha também. e o choro sem motivo, e a raiva com motivo, e o sono, a dúvida, o cansaço. é preciso haver espaço para as mães sofrerem. o mundo moderno criou um novo tipo de mãe, ela está mais sozinha, ela não tem empregadas da família, ela mora num apartamento sozinha com o marido, tem uma diarista e olhe lá. ela não tem uma rede, as famílias moram longe. essa mãe sofre, e é preciso não julgá-la. não é menos amor, às vezes é até excesso, e o pavor do tamanho desse amor. o que vai ser dela daqui pra frente? vai caber tudo dentro daquele mesmo corpo, daquele mesmo coração?
é preciso coragem pra enfrentar esse mundo de comercial de margarina, que vende que os segundos se tornam mágicos desde o momento em que vc fica grávida. entender que, no fundo, a gente bota foto do filho no face pra se encher de likes e comentários pra termos uma recompensa rápida e acharmos que tudo aquilo vale a pena, porque pelo menos temos a aprovação da sociedade. isso é meio medíocre, mas é perdoável. é preciso, aliás, entender que essa tal de margarina é um lixo, e que manteiga é que é comida de verdade, assim como eu sou uma mãe de verdade, e é a mais pura verdade que eu odeio aquele cheiro de fralda golfada e Backyardigans. eu amo meu filho apaixonada e loucamente, mas ele não é a melhor parte de mim, não é a minha vida, não é meu tudo. ele crescerá e fará um monte de merdas na vida dele, vai dizer um bocado de coisas de arrepiar meus cabelos e me fará pensar "onde diabos esse menino foi achar de pensar uma barbaridade dessas?". terá defeitos, como eu, como o pai dele, e ainda bem. não quero nem imaginar o tamanho do fardo que carregam as mães que acham que seus bebês são anjos perfeitos, porque o meu anjo perfeito vai comer fruta passada às vezes e usar uma roupa meio suja e furada, e dormir sem escovar os dentes, e eu vou esquecer de dar o remédio, e já pensou se fosse um anjo? e se ele caísse no chão e chorasse? e se ele se machucasse e eu não pudesse impedir? ainda bem q eu nem acredito em deus, senão eu ia pro inferno.
é claro que cada mãe passa por essa experiência de modo diferente. pra algumas é natural e fácil, pra outras não. tem gente que troca de emprego com facilidade, tem gente que tem dor de barriga antes de ir trabalhar durante todo o primeiro mês no emprego novo. tem gente que passa a vida buscando distrações, e não tem nada melhor que um filho pra te ocupar, e muito. eu não. eu nunca precisei de distrações, eu sempre tive milhares de coisas que eu já queria fazer, e me faltava tempo ou dinheiro, e é por isso que sofro ao passar uma hora e meia embalando um bebê pra ele dormir só meia hora. porque eu queria estar escrevendo. ou lendo. ou trabalhando. ou estudando. não tenho inveja das mães que passam pelos primeiros meses como se fossem férias. mas peço a elas que tenham dó das outras mães, e das mães do porvir e que sejam honestas, pois não há nada de feio nisso. não criem um modelo impossível que só gerará culpa nas pobres coitadas que não estarão à altura dessa mãe do mundo das ideias. e que tenham dó de si mesmas, pois ao alimentarem essa imagem da maternidade doce e mágica, criam o monstro de culpa que vai persegui-las naquele momento mais escroto em que tudo o que vc quer é que aquela criatura durma pra vc poder tomar um banho chorando.
se vale a pena? é claro que sim. não tá cheio de gente tendo dois, três filhos? é necessário? NÃO, NÃO É. uma mulher pode ser feliz sem ser mãe. realizada, plena e feliz. bebês não são deuses. as mães não são santas. e esses pensamentos só fazem mal para quem se torna mãe. ninguém merece ter de ser santa, e, pior ainda, ter que trocar as fraldas sujas de um deus. somos animais sociais pensantes duvidantes aprendentes, sangramos e choramos, e choraremos muito até a primeira gargalhada, até novamente nos sentirmos bonitas na foto do lado do bebê, até realmente nos divertirmos rindo com ele e fazendo-o rir, até finalmente a recompensa vir numa troca de olhares, de carinhos, numa cabeçadinha no seu peito, num beliscão de segurança, nos gestos mais honestos de amor de toda a sua vida. o amor é absurdo demais pra ser explicado ou analisado. não há bons motivos para decidir ter um filho, e há pencas dos melhores motivos para não ter.
still, here we are...
p.s.: links recomendados e libertadores q ajudaram a inspirar este post:
http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2012/10/ter-filhos-traz-mesmo-felicidade.html
http://delas.ig.com.br/filhos/2014-03-22/infantolatria-as-consequencias-de-deixar-a-crianca-ser-o-centro-da-familia.html
antes de mais nada, preciso esclarecer que eu quis e não quis ter um filho por muito tempo. toda garota pensa e repensa a maternidade mil vezes durante a vida. se imagina grávida, se imagina mãe, se imagina contando praquele cara que tá esperando um filho dele, imagina como será a reação dele, fica com medo de ser uma reação horrível, toma pílula, usa camisinha, vive o pavor e o desejo proibido da maternidade quando a menstruação atrasa. vc quer que dê negativo, porque não se preparou pra isso naquela hora, mas quando dá negativo, vc fica arrasada. a gente é obrigada pela sociedade a pensar nisso milhares de vezes, por isso pensamos. eu quis e não quis ter um filho, por muito tempo. até que, uma vez, eu quis ser mãe. e aí eu me decidi.
querer ser mãe é muito, muito diferente de querer ter um filho. porque não é ter, é ser. é passar a desejar aquela transformação em você mesma. é querer incluir aquele novo "ser" em você. ser mulher, ser filha, ser amiga, ser irmã, ser professora, ser escritora, ser tradutora, ser fã, ser leitora, ser prima, ser tia, ser neta, ser sobrinha, e eu também quis ser mãe. sou uma pessoa extremamente egocentrada. adoro minha própria companhia mais do que de qualquer outra pessoa. adoro estar só, adoro tempo pra mim, tenho tantas coisas dentro da minha cabeça, preciso de tempo pra elas. sou cheia de desejos e propósitos. eu nunca precisei de um filho que me desse sentido à vida. eu desejei um filho que me ensinasse coisas que eu achava que faltavam em mim. que me ensinasse a renunciar. que me ensinasse a prescindir. que me ensinasse sobre me doar, sobre ser generosa e disponível, coisas que não sou e não sei fazer.
e ele ensina. e aprender essas coisas dói pra caralho. porque dói mudar coisas dentro de você. mil vezes por dia eu esqueço o motivo de ter decidido fazer isso, mas ao me tornar mãe, aquela parte instintiva já veio tomando conta, e mesmo que eu esqueça as razões de uma decisão tomada alguns anos atrás, eu simplesmente vou lá e faço o que é preciso fazer.
e muitas vezes faço de mau humor. faço de má vontade. não tenho vocação, não nasci pra essa fase de bebê, e não tenho vergonha de dizer. não gosto de trocar fralda, dar banho no bebê me cansa, brincar com ele é muitas vezes super chato e colocá-lo pra dormir é ou estressante ou me mata de sono. faço tudo isso como faço outras coisas da vida que não gosto, mas preciso. lavar a louça, estender a roupa ou levar o lixo pra fora. a diferença é que antes eu decidia quando lavar a louça, estender a roupa e levar o lixo pra fora. hoje eu tenho que fazer todas essas coisas e mais todas as outras que o bebê precisa na hora que ele precisa, ou na hora que ele deixa. perdi toda a autonomia sobre meu tempo. perdi minha prioridade. isso é triste, é cansativo e desalentador. ninguém gosta disso.
mas vivemos numa sociedade de exibição de felicidade onde é um horror admitir isso. admitir toda a carga de infelicidade que vem com a maternidade. nas redes sociais vc está cercada de amigas q postam fotos felizes com seus filhos pequenos, elas estão bonitas, penteadas, maquiadas, e os filhos estão sempre sorrindo. há momentos em que vc vê essas cenas e pensa "o que elas têm que eu não tenho? babá e empregada, talvez", e noutras vezes vc pensa "que ilusão, minha querida. sei o que vc está passando, companheira, e isso não passa de fachada". porque é claro que a gente não tira foto de fralda suja de cocô nem para pra filmar aquelas horas infernais daquela maldita tarde que ele não dormiu nadinha e chorou o tempo todo, se debatendo no seu colo, e vc chorou junto, de raiva, de cansaço, de pena daquele pequeno que vc não consegue ajudar. e aí a culpa, a culpa, a culpa de ficar com raiva, de querer que tudo aquilo acabe, a maior de todas as culpas, aquela de pensar que, se vc pudesse voltar atrás, não teria embarcado nessa aventura. nasce um bebê, nasce uma mãe, e nasce um Everest de culpa.
mas a mudança q eu pedi estava em curso. eu já tinha embarcado na aventura, e não tinha volta. perdida, apavorada, exausta, no fundo eu não daria conta nem de voltar atrás. porque aquela coisinha, aquele serzinho, precisa de mim, caralho! sai da minha frente, medo! e ele não sai, o medo vai te acompanhar daqui pra frente. o susto também. a maravilha também. e o choro sem motivo, e a raiva com motivo, e o sono, a dúvida, o cansaço. é preciso haver espaço para as mães sofrerem. o mundo moderno criou um novo tipo de mãe, ela está mais sozinha, ela não tem empregadas da família, ela mora num apartamento sozinha com o marido, tem uma diarista e olhe lá. ela não tem uma rede, as famílias moram longe. essa mãe sofre, e é preciso não julgá-la. não é menos amor, às vezes é até excesso, e o pavor do tamanho desse amor. o que vai ser dela daqui pra frente? vai caber tudo dentro daquele mesmo corpo, daquele mesmo coração?
é preciso coragem pra enfrentar esse mundo de comercial de margarina, que vende que os segundos se tornam mágicos desde o momento em que vc fica grávida. entender que, no fundo, a gente bota foto do filho no face pra se encher de likes e comentários pra termos uma recompensa rápida e acharmos que tudo aquilo vale a pena, porque pelo menos temos a aprovação da sociedade. isso é meio medíocre, mas é perdoável. é preciso, aliás, entender que essa tal de margarina é um lixo, e que manteiga é que é comida de verdade, assim como eu sou uma mãe de verdade, e é a mais pura verdade que eu odeio aquele cheiro de fralda golfada e Backyardigans. eu amo meu filho apaixonada e loucamente, mas ele não é a melhor parte de mim, não é a minha vida, não é meu tudo. ele crescerá e fará um monte de merdas na vida dele, vai dizer um bocado de coisas de arrepiar meus cabelos e me fará pensar "onde diabos esse menino foi achar de pensar uma barbaridade dessas?". terá defeitos, como eu, como o pai dele, e ainda bem. não quero nem imaginar o tamanho do fardo que carregam as mães que acham que seus bebês são anjos perfeitos, porque o meu anjo perfeito vai comer fruta passada às vezes e usar uma roupa meio suja e furada, e dormir sem escovar os dentes, e eu vou esquecer de dar o remédio, e já pensou se fosse um anjo? e se ele caísse no chão e chorasse? e se ele se machucasse e eu não pudesse impedir? ainda bem q eu nem acredito em deus, senão eu ia pro inferno.
é claro que cada mãe passa por essa experiência de modo diferente. pra algumas é natural e fácil, pra outras não. tem gente que troca de emprego com facilidade, tem gente que tem dor de barriga antes de ir trabalhar durante todo o primeiro mês no emprego novo. tem gente que passa a vida buscando distrações, e não tem nada melhor que um filho pra te ocupar, e muito. eu não. eu nunca precisei de distrações, eu sempre tive milhares de coisas que eu já queria fazer, e me faltava tempo ou dinheiro, e é por isso que sofro ao passar uma hora e meia embalando um bebê pra ele dormir só meia hora. porque eu queria estar escrevendo. ou lendo. ou trabalhando. ou estudando. não tenho inveja das mães que passam pelos primeiros meses como se fossem férias. mas peço a elas que tenham dó das outras mães, e das mães do porvir e que sejam honestas, pois não há nada de feio nisso. não criem um modelo impossível que só gerará culpa nas pobres coitadas que não estarão à altura dessa mãe do mundo das ideias. e que tenham dó de si mesmas, pois ao alimentarem essa imagem da maternidade doce e mágica, criam o monstro de culpa que vai persegui-las naquele momento mais escroto em que tudo o que vc quer é que aquela criatura durma pra vc poder tomar um banho chorando.
se vale a pena? é claro que sim. não tá cheio de gente tendo dois, três filhos? é necessário? NÃO, NÃO É. uma mulher pode ser feliz sem ser mãe. realizada, plena e feliz. bebês não são deuses. as mães não são santas. e esses pensamentos só fazem mal para quem se torna mãe. ninguém merece ter de ser santa, e, pior ainda, ter que trocar as fraldas sujas de um deus. somos animais sociais pensantes duvidantes aprendentes, sangramos e choramos, e choraremos muito até a primeira gargalhada, até novamente nos sentirmos bonitas na foto do lado do bebê, até realmente nos divertirmos rindo com ele e fazendo-o rir, até finalmente a recompensa vir numa troca de olhares, de carinhos, numa cabeçadinha no seu peito, num beliscão de segurança, nos gestos mais honestos de amor de toda a sua vida. o amor é absurdo demais pra ser explicado ou analisado. não há bons motivos para decidir ter um filho, e há pencas dos melhores motivos para não ter.
still, here we are...
p.s.: links recomendados e libertadores q ajudaram a inspirar este post:
http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2012/10/ter-filhos-traz-mesmo-felicidade.html
http://delas.ig.com.br/filhos/2014-03-22/infantolatria-as-consequencias-de-deixar-a-crianca-ser-o-centro-da-familia.html
11 de nov. de 2014
Um desabafo sobre a patética questão de gêneros em bebês
Então vc está grávida, então vc descobre o sexo do seu bebê e então vc decide
que não tem a menor intenção de enfiar o seu filho num modelo
engessado de meninos x meninas desde a mais tenra idade, porque isso
é ridículo, é claro. Então o quarto onde ele vai viver, que já
antes tinha uma parede rosa, continuará tendo. Então vc compra kits
de berço com motivos de bichos e lençóis de cores variadas:
verdes, lilases, rosas, azuis, xadrezes, listrados, floridos. Então
vc compra uma mala de maternidade vermelha e bege. Então vc compra
mamadeiras rosas, azuis, vermelhas, verdes, roxas. Roupas lilases,
laranjas, amarelas, brancas, azuis, meias rosas, roxas.
Parece fácil, mas não é. Volta e meia vc olha pro berço e se dá com um menino (LINDO) vestido de azul dos pés à cabeça. Como isso aconteceu? Fora os presentes (porque as pessoas dão quase tudo azul mesmo pra ele), existe uma grande dificuldade na decisão de um bebê neutro, livre de estereótipos de gênero. A falta de opção.
Eu vou comprar roupa pro meu bebê e a primeira coisa que me perguntam, obviamente, é se é menino ou menina. Isso será o divisor de águas na hora da compra. Meias, por exemplo. Menino, eu respondo, sempre acrescentando que não tenho a menor frescura em ver tb os itens para meninas, por favor. Mas existem lojas onde NÃO HÁ ITENS NEUTROS. Ou seja, ou vc compra meias de carrinhos de polícia e bolas de futebol americano ou meias com rendas, glitter e fitas de sapatilha de bailarina. Acontece que se eu decidi não engessar meu filho nos modelos preconcebidos de gênero eu tb não tenho o direito de determinar q ele vai ser crossdresser, certo? Não sou do tipo que se ofende se perguntam "qual é o nome dela?", porque já li em fóruns de mães que muitas se ofendem! Li coisas do tipo "mesmo que esteja vestido dos pés à cabeça de azul, me perguntam qual é o nome dela! que raiva! tenho vontade de mostrar o pinto do meu filho!". Juro, li isso. Eu simplesmente respondo o nome e digo, "é menino". "Ah, desculpe", me disse um dia a vizinha que se confundiu. Que é isso, amiga, não peça desculpas, vc não ofendeu meu filho!
Bebês são muito semelhantes, pouco cabelo, nenhum dente, não tem barba, voz grossa ou fina, peitos ou pelos pra te ajudar a dar uma pista do gênero. Mas por que isso teria que ser um problema? Algumas décadas atrás, todos se vestiam igualzinho, com camisolões e camisinhas. Quando eu nasci não existia ultrassom pra determinar o sexo, e as roupas de bebê eram, obrigatoriamente, neutras. Então por que diabos agora eles já têm que ir na primeira consulta da pediatra parecendo bolotas de pano rosas ou azuis? Criou-se um verdadeiro desespero por poder determinar o sexo dessas pessoinhas no primeiro olhar. Nem com crianças mais velhas é assim! As roupas já ficam mais coloridas, democráticas. Sim, claro, pois àquela altura vc já furou a orelha da menina, o cabelo dela já está comprido, ela já foi ensinada a brincar de boneca, já aprendeu um certo número de comportamentos femininos, e já não precisa andar de rosa dos pés à cabeça, pobrezinha. Ganhou direito às cores. Embora, é claro, os meninos jamais ganhem direito ao rosa. Na primeira consulta do meu filho na pediatra ele foi de cinza. Ele era a única criança de colo ali que vc não conseguia identificar o sexo só de olhar. A única. Quer saber? Eu me orgulhava disso. Ele saiu da maternidade de laranja. Lindo de morrer. Mas é difícil, é uma luta diária.
Eu queria um short, e os shorts para bebês mais velhos (tamanhos a partir de 9 meses, por exemplo) já estão muito caros, porque imitam em tudo as roupas de homens adultos, até passador de cinto e bolsos a porcaria já tem. Sessenta reais num negócio que ele vai usar menos de dez vezes?? Aí vc vai no setor feminino (eu SEMPRE vou nos dois) e tem umas peças de malha super fresquinhas e confortáveis por vinte e poucos reais, completamente floridas ou de oncinha. E aí? Levo ou não levo? Me achei numa arara de shorts supostamente femininos por menos de vinte reais e que só tinham duas cores, roxo e branco, azul e branco, e até hoje não entendi por que eram femininos.
No dia que eu fui comprar o cercadinho do meu filho escolhi um amarelo muito muito lindo. Eu ia tb levar chupetas, e peguei um kit com duas chupetas rosa. Atenção: só tinha kit com chupetas rosa e kit com chupetas azuis. Somente. Nenhuma outra cor. Peguei a rosa porque achei mais bonita mesmo. Na hora de pagar pelo cercadinho, vi que só tinha o amarelo com a caixa toda aberta e arrebentada, e eu odeio comprar produto assim. Disse que não queria, e a vendedora disse que então só tinha rosa. Ok, me dê o rosa. Enquanto ela buscava o rosa, voltei na gôndola das chupetas e troquei pelo kit azul, achando que já tava ficando rosa demais aquela compra, pq tb não quero vestir meu bebê "de menina" tanto quanto não quero vesti-lo "de menino". Achei q estava ficando louca, achei que dava um trabalho encaralhado tentar equilibrar as compras, as escolhas, será que não era mais fácil fazer como todo mundo? Só que se eu fizesse como todo mundo eu voltaria pra casa naquele dia com um cercadinho numa embalagem violada ou sem cercadinho ou ainda com um cercadinho muito mais caro (pq aquele lá tava super em oferta). Sei q tem gente (muita gente) q faria isso mesmo. Q não compraria o cercadinho rosa para o menino nem q fosse pela metade do preço. Eu comprei. Mas tenho uma certa vergonha de admitir ter voltado pra trocar as chupetas (e fui burra, devia ter levado os dois kits, um rosa e um azul, q o preço tb tava ótimo).
Mas é ótimo poder reconhecer que nem todo lugar é assim. No caso das meias, na Puket tive dificuldade para achar meias neutras, mas na Lupo não. Pretas, brancas, beges, xadrezes, fiz a festa por lá. Alguém me explica, por exemplo, por que uma meia de tubarões não pode ser de menina? Porque é azul? E por que uma meia de corujas de óculos (sim!! pode mais Harry Potter que isso??) tem que ser de menina? Só por ser rosa e roxa? Um body com desenho de passarinho e uma camisa do Brasil que são "de menina" porque têm um elástico no pescoço que faz um "franzidinho". Hein?
Gente... Que mundo é esse?
Isto não é daqueles posts bonitos nem nada, é só um desabafo. Por que tem horas que pensar dá no saco.
Parece fácil, mas não é. Volta e meia vc olha pro berço e se dá com um menino (LINDO) vestido de azul dos pés à cabeça. Como isso aconteceu? Fora os presentes (porque as pessoas dão quase tudo azul mesmo pra ele), existe uma grande dificuldade na decisão de um bebê neutro, livre de estereótipos de gênero. A falta de opção.
Eu vou comprar roupa pro meu bebê e a primeira coisa que me perguntam, obviamente, é se é menino ou menina. Isso será o divisor de águas na hora da compra. Meias, por exemplo. Menino, eu respondo, sempre acrescentando que não tenho a menor frescura em ver tb os itens para meninas, por favor. Mas existem lojas onde NÃO HÁ ITENS NEUTROS. Ou seja, ou vc compra meias de carrinhos de polícia e bolas de futebol americano ou meias com rendas, glitter e fitas de sapatilha de bailarina. Acontece que se eu decidi não engessar meu filho nos modelos preconcebidos de gênero eu tb não tenho o direito de determinar q ele vai ser crossdresser, certo? Não sou do tipo que se ofende se perguntam "qual é o nome dela?", porque já li em fóruns de mães que muitas se ofendem! Li coisas do tipo "mesmo que esteja vestido dos pés à cabeça de azul, me perguntam qual é o nome dela! que raiva! tenho vontade de mostrar o pinto do meu filho!". Juro, li isso. Eu simplesmente respondo o nome e digo, "é menino". "Ah, desculpe", me disse um dia a vizinha que se confundiu. Que é isso, amiga, não peça desculpas, vc não ofendeu meu filho!
Bebês são muito semelhantes, pouco cabelo, nenhum dente, não tem barba, voz grossa ou fina, peitos ou pelos pra te ajudar a dar uma pista do gênero. Mas por que isso teria que ser um problema? Algumas décadas atrás, todos se vestiam igualzinho, com camisolões e camisinhas. Quando eu nasci não existia ultrassom pra determinar o sexo, e as roupas de bebê eram, obrigatoriamente, neutras. Então por que diabos agora eles já têm que ir na primeira consulta da pediatra parecendo bolotas de pano rosas ou azuis? Criou-se um verdadeiro desespero por poder determinar o sexo dessas pessoinhas no primeiro olhar. Nem com crianças mais velhas é assim! As roupas já ficam mais coloridas, democráticas. Sim, claro, pois àquela altura vc já furou a orelha da menina, o cabelo dela já está comprido, ela já foi ensinada a brincar de boneca, já aprendeu um certo número de comportamentos femininos, e já não precisa andar de rosa dos pés à cabeça, pobrezinha. Ganhou direito às cores. Embora, é claro, os meninos jamais ganhem direito ao rosa. Na primeira consulta do meu filho na pediatra ele foi de cinza. Ele era a única criança de colo ali que vc não conseguia identificar o sexo só de olhar. A única. Quer saber? Eu me orgulhava disso. Ele saiu da maternidade de laranja. Lindo de morrer. Mas é difícil, é uma luta diária.
Eu queria um short, e os shorts para bebês mais velhos (tamanhos a partir de 9 meses, por exemplo) já estão muito caros, porque imitam em tudo as roupas de homens adultos, até passador de cinto e bolsos a porcaria já tem. Sessenta reais num negócio que ele vai usar menos de dez vezes?? Aí vc vai no setor feminino (eu SEMPRE vou nos dois) e tem umas peças de malha super fresquinhas e confortáveis por vinte e poucos reais, completamente floridas ou de oncinha. E aí? Levo ou não levo? Me achei numa arara de shorts supostamente femininos por menos de vinte reais e que só tinham duas cores, roxo e branco, azul e branco, e até hoje não entendi por que eram femininos.
No dia que eu fui comprar o cercadinho do meu filho escolhi um amarelo muito muito lindo. Eu ia tb levar chupetas, e peguei um kit com duas chupetas rosa. Atenção: só tinha kit com chupetas rosa e kit com chupetas azuis. Somente. Nenhuma outra cor. Peguei a rosa porque achei mais bonita mesmo. Na hora de pagar pelo cercadinho, vi que só tinha o amarelo com a caixa toda aberta e arrebentada, e eu odeio comprar produto assim. Disse que não queria, e a vendedora disse que então só tinha rosa. Ok, me dê o rosa. Enquanto ela buscava o rosa, voltei na gôndola das chupetas e troquei pelo kit azul, achando que já tava ficando rosa demais aquela compra, pq tb não quero vestir meu bebê "de menina" tanto quanto não quero vesti-lo "de menino". Achei q estava ficando louca, achei que dava um trabalho encaralhado tentar equilibrar as compras, as escolhas, será que não era mais fácil fazer como todo mundo? Só que se eu fizesse como todo mundo eu voltaria pra casa naquele dia com um cercadinho numa embalagem violada ou sem cercadinho ou ainda com um cercadinho muito mais caro (pq aquele lá tava super em oferta). Sei q tem gente (muita gente) q faria isso mesmo. Q não compraria o cercadinho rosa para o menino nem q fosse pela metade do preço. Eu comprei. Mas tenho uma certa vergonha de admitir ter voltado pra trocar as chupetas (e fui burra, devia ter levado os dois kits, um rosa e um azul, q o preço tb tava ótimo).
Mas é ótimo poder reconhecer que nem todo lugar é assim. No caso das meias, na Puket tive dificuldade para achar meias neutras, mas na Lupo não. Pretas, brancas, beges, xadrezes, fiz a festa por lá. Alguém me explica, por exemplo, por que uma meia de tubarões não pode ser de menina? Porque é azul? E por que uma meia de corujas de óculos (sim!! pode mais Harry Potter que isso??) tem que ser de menina? Só por ser rosa e roxa? Um body com desenho de passarinho e uma camisa do Brasil que são "de menina" porque têm um elástico no pescoço que faz um "franzidinho". Hein?
Gente... Que mundo é esse?
Isto não é daqueles posts bonitos nem nada, é só um desabafo. Por que tem horas que pensar dá no saco.
27 de out. de 2014
ouve, Dilma
não me verão gritar CHUPAAAA
não me lerão bradar VAZA PLAYBA CHEIRADOR
nada disso me alegra, nada disso me embala o coração valente
a vitória foi apertada, porque há muito pra melhorar
ouve, Dilma, ouve os votos críticos, ouve quem está à tua esquerda, ouve as ruas, recorda as Jornadas de Junho, ouve até a voz rouca da tua oposição
mas ouve, antes de tudo, teu coração valente
tua alma guerreira, tua mente de brava, tua história de luta, teu povo cheio de carinho por ti
leva meu voto, minha confiança, meu carinho, meu respeito, minha admiração
e meus olhos atentos
a tudo
porque hoje, de novo, és musa, és mãe, és presidenta, ÉS DILMA
não me lerão bradar VAZA PLAYBA CHEIRADOR
nada disso me alegra, nada disso me embala o coração valente
a vitória foi apertada, porque há muito pra melhorar
ouve, Dilma, ouve os votos críticos, ouve quem está à tua esquerda, ouve as ruas, recorda as Jornadas de Junho, ouve até a voz rouca da tua oposição
mas ouve, antes de tudo, teu coração valente
tua alma guerreira, tua mente de brava, tua história de luta, teu povo cheio de carinho por ti
leva meu voto, minha confiança, meu carinho, meu respeito, minha admiração
e meus olhos atentos
a tudo
porque hoje, de novo, és musa, és mãe, és presidenta, ÉS DILMA
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