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29 de set. de 2011

Testemunho torcedor


 Isto não é uma crítica esportiva, e às vezes até me meto a fazer uma ou outra, acho até que dou conta. Mas não hoje. Isto é um testemunho de uma experiência de torcedora.

Paraense tá habituado a engrossar caudalosos rios humanos, fazemos isso todo mês de outubro. E a poucas semanas do Círio, com o clima nazareno já se espalhando pela cidade, fomos levar nossas águas a correr rampa acima no Mangueirão. Um leito de povo de amarelo fluía constante e pacífico em direção às arquibancadas do Estádio Olímpico Edgar Proença. Do lado de fora já era um espetáculo arrepiante: era minha primeira ida ao estádio, ao Mangueirão, e estreei num jogo do Brasil. Contra a Argentina. Tinha de ser de gala.

Minha euforia surpreendia até a mim mesma. Lugares escolhidos, família instalada, eu olhava praquele estádio lotado-lotando com expressão apalermada. A galera já ensaiava gritos, mas por enquanto o clima era mais local: de um lado um empobrecido "Reeeemoooo", donde vinha a resposta, cheia de conteúdo e esperança "Vamo subir Papãããão!". Engrossei o coro da resposta com gosto! Eu não ia provocar, mas se os azulinos começam, a gente é obrigado a lembrá-los da diferença de perspectivas, né? ;P

Vaias para os argentinos que vieram se aquecer antes, vestindo tenebrosos uniformes azul marinho. Queriam agradar a quem? Aos poucos, começando pelos goleiros, a Seleção começa a se apresentar ao Manga. Só consigo imaginar que a única sensação que ultrapassaria o êxtase de estar ali deveria ser a de entrar pelo campo num estádio como aquele e ver aquele povo gritando por sua causa. Espero que pelos menos alguns jogadores tenham sentido isso naquele momento.

Pensei em puxar o grito de "Ganso! Ganso!", mas me bateu aquela timidez de estreante.

O hino era favas contadas, eu já sabia que ia chorar. Mas daquele jeito foi covardia... Minhas pernas bambearam, minhas mãos tremiam, os braços arrepiaram.

E o pacote foi completo. Não bastasse a vitória, fiz ola, gritei gol duas vezes (e não sofri nenhum!), gritei "olé!", mandei juiz tomar no cu (depois o Emerson até me disse que naquele lance o juiz tinha razão, mas eu sinto muito; eu lá podia perder a oportunidade de xingar juiz no meu primeiro jogo?), gritei "É campeão!". Tudo o que eu podia esperar de um jogo, como torcedora (talvez não como comentarista esportiva, mas eu nem sou...). Teve chapéu, teve pedaladinha do Neymar, teve Ronaldinho Gaúcho, meu maior ídolo do futebol, teve muito jogador com garra e vontade. Foi lindo. Só posso dizer que foi lindo, que foi uma das noites mais memoráveis da minha vida. Podem chamar de pão e circo, podem chamar de ópio do povo. Eu chamo de paixão. Aquilo ali é natural, aquela veneração pela camisa amarela, aquilo é real, vem de berço, de sangue, de nação.

Foi lindo.

11 de jun. de 2011

Os grandes detetives: quando cai o pano sobre o problema final... - Parte 2: a volta do abismo

E agora, John Watson?

O que fazer sem o ultimate bromance da literatura de mistério? Não há mais razão para viver!

The Great Hiatus (O Grande Hiato)

The Final Problem ambienta-se em 1891, mas foi publicado em 1893. Oito anos de pressão pública levam Conan Doyle a lançar, em 1901, o maior clássico do detetive inglês: "The Hound of the Baskervilles" (O Cão dos Baskervilles), sem menção à morte de Holmes. Especula-se que a história se passou em 1889, embora a história devesse se passar antes de 1891, ano da morte de Sherlock Holmes. O público não se deu por satisfeito, e dois anos depois Conan Doyle ressuscitou seu morto.

Isso mesmo, Arthur. Mãos à obra, pode voltar a escrever Sherlock Holmes!

Sherlock The Gray? - The Empty House

Voltar da morte não é um artifício inédito para heróis da ficção (vide Jesus, Goku, Gandalf...), mas é obrigatório que a "ressurreição" seja plausível, coerente com a história anterior e com o personagem, enfim, que seja facilmente "engolível" pelo público.

Se eu acho que a história da volta de Holmes é plausível? Sim, acho. Mais tarde chegaremos aos poréns...

"A Casa Vazia", que na adolescência era uma de minhas histórias favoritas de Holmes (provavelmente mais pelo que representava), primeiro conto do volume "The Return of Sherlock Holmes", tem a data estabelecida logo na primeira linha: 1894. Começa com o relato melancólico de Watson de seu interesse por notícias criminais que o levou a acompanhar o caso do assassinato misterioso do jovem Ronald Adair, e lamenta-se o doutor da ausência da "mente alerta" do principal combatente do crime na Europa, o qual, segundo Watson, certamente se interessaria pelo caso Ronald Adair.

Considero que a solução encontrada pela série televisiva Granada foi interessantíssima: Watson teria se tornado médico legista após o desaparecimento de Holmes, como forma de continuar convivendo com o mundo que antes compartilhava com o amigo. Aliás, na terceira temporada da série, que começa com esse episódio, temos um novo Watson, agora interpretado por Edward Hardwicke (substituindo David Burke). Gostei do Watson de Hardwicke mais que do de Burke, embora ele pareça ainda mais velho do que Holmes (nem é verdade: descobri que Brett, Burke e Hardwicke tinham quase a mesma idade! Brett parecia mais novo...). Aliás Edward Hardwicke faleceu este ano, dia 16 de maio, e também esteve na série Agatha Christie's Poirot, episódio The Hollow (era sir Henry Angkatell).

Jeremy Brett como Holmes e Edward Hardwicke como Watson: Brett não parece mesmo mais jovem?

É claro que todos já esperavam rever Holmes, então a aparição do velho livreiro encurvado de suíças brancas é logo suspeita. Holmes é um mestre dos disfarces! Contudo, a meu ver, como o retorno já era esperado aqui, o efeito do disfarce do clérigo italiano no vagão de trem de The Final Problem, por exemplo, tem muito mais impacto do que o do velho colecionador de livros.

"Eis-me aqui, brô!" (deixa para o desmaio do doutor)

Aí vem o trecho mais importante da história: a explicação de Holmes para o seu sumiço. Como escapou da queda (uma vez que, nos livros, fica bem relatado que Watson procurou pegadas na beirada do abismo e só encontrou dois pares que chegavam até a beira e não voltavam), por que se fingiu de morto, onde estava e por que voltou agora. Nada disso tem muito a ver com o assassinato de Ronald Adair, mas ninguém questiona que a única razão de ser de A Casa Vazia é ressuscitar Holmes, então este é sem dúvida o pedaço mais importante da história.

E eu considero plausíveis as explicações de Holmes sobre como conseguiu sobreviver à luta com Moriarty (e só o vilão caiu no precipício) graças a seus conhecimentos da luta japonesa baritsu e como pôde se safar daquele local sem voltar sobre suas pegadas, escalando parte de montanha. Holmes é ágil, atlético, tem excelente condicionamento físico, luta muito bem. Concordo com Holmes que, se era preciso se fingir de morto, era melhor que Watson acreditasse nisso, e tudo mais. A questão é a razão, esse outro novo vilão. Digamos que eu acho que a carta da criação de um grande vilão para explicar uma grande reviravolta na biografia de Holmes já tinha sido usada, e com maestria, para matá-lo. Por isso já não tem grande impacto para ressuscitá-lo! Sebastian Moran não se vende tão bem como vilão, só por ser o "segundo", e ninguém espera que Holmes tenha medo do "segundo melhor" (ou pior, né?). Usar o mesmo artifício duas vezes seguidas foi o que desvalorizou o próprio artifício, embora não chamusque a reputação de Moriarty como vilão, claro.

Será que chamusca a reputação de Sherlock Holmes?

Não sei. Só sei que o que o público queria foi feito: ele estava de volta. E a cena de tocaia na casa vazia é muito boa, tensa, bem escrita. No geral ainda gosto muito desse conto, por ser tão marcante. Mas Sebastian Moran não me convence mais que outros vilões que o antecederam...

"The empty house is my tree and you are my tiger." (Sherlock Holmes, em The Empty House)

31 de mai. de 2011

Os grandes detetives: quando cai o pano sobre o problema final... - Parte 1: a queda


* Esta série de três posts conterá spoilers de "The Final Problem" e "The Empty House", de A. Conan Doyle, e também de "Cai o Pano" ("Curtain"), de Agatha Christie.


 Esta semana vi o episódio final da segunda temporada de série The Adventures of Sherlock Holmes, da Granada. Como sempre, muito bem-feito, extremamente respeitador dos originais, inclusive reproduzindo nas bocas dos personagens textos literais de Conan Doyle. Tirando a invencionice sobre o golpe de Moriarty que Holmes teria frustrado na França (existiu sim um caso na França, mas no livro não se detalha sua natureza), tudo é muito perfeito e fiel. E o resultado é extremamente satisfatório. A série da Granada segue sendo a melhor representação de Sherlock Holmes, na minha opinião.

Como sempre, impressiona-me também o extremo cuidado e respeito com as ilustrações originais de Sidney Paget, para o The Strand. E agora que possuo as obras completas de Sherlock Holmes com as ilustrações originais (em linda e baratíssima edição da Wordsworth), corri a reler "The Final Problem", deliciando-me com as imagens e a literalidade da produção da Granada.

A história da morte da Sherlock Holmes começa antes do próprio conto. Começa na decisão de Sir Arthur Conan Doyle de matar seu personagem, que tornara-se tão maior do que ele próprio. O conto "final" de Holmes não é dos melhores, em termos de investigação, é mais dedicado a dar a dimensão da grandeza do personagem, usando como medida o seu maior rival, o Professor Moriarty.

"He is the Napoleon of crime, Watson. He is the organizer of half that is evil and of nearly all that is undetected in this great city. he is a genius, a philosopher, an abstract thinker. He has a brain of the first order. He sits motionless, like a spider in the centre of its web, but the web has a thousand radiations, and he knows well every quiver of each of them. He does little himself. He only plans."

O curioso é que Moriarty não havia sido mencionado antes do Problema Final. Ele foi criado à imagem e semelhança de Sherlock Holmes para poder destruí-lo. Para que a destruição do herói não diminuísse sua grandeza. Mesmo querendo a morte do personagem, Conan Doyle não podia desmerecê-lo. E com certeza não queria.

O fato de Moriarty ter "nascido" e morrido no mesmo conto não só não tira sua consistência como em nada atrapalhou a ascensão definitiva desse vilão ao panteão dos grandes vilões da ficção. Isso é extraordinário! Um vilão criado unicamente para destruir o herói, e que só passará a ser mencionado postumamente a partir de então, ter chegado a se tornar tão conhecido, ter virado uma referência no "crime organizado" da literatura, só mesmo a verve de Conan Doyle para alcançar esse feito!

"My horror at his crimes was lost in my admiration at his skill."

E é a isso que se deve o porte de Moriarty: à admiração de Sherlock Holmes. É o próprio herói que dá tamanho ao vilão, por admirá-lo. Por reconhecer nele o primeiro adversário à sua altura. Isso não é nada pouco, estar à altura de Sherlock Holmes.

Meu momento favorito no conto é, sem dúvida, o primeiro encontro face a face dos dois antagonistas. O diálogo entre Holmes e Moriarty é todo primoroso. Uma elegante e tensa medição de forças.

trecho que contém a maior parte da "conversinha"

"You crossed my patch on the 4th of January. On the 23rd you incommoded me; by the middle of February I was seriously inconvenienced by you; at the end of March I was absolutely hampered in my plans; and now, at the close of April, I find myself placed in such a position through your continual persecution that I am in positive danger of losing my liberty. The situation is becoming an impossible one."

A última frase poderia ter sido (e foi, afinal!) dita pelo próprio Conan Doyle para Sherlock. "A situação se tornou impossível".

Na produção da Granada, Moriarty é mencionado no episódio The Red-headed League, numa licença à obra original. Mas ele aparece pessoalmente apenas em The Final Problem, excelente interpretação de Eric Porter, e caracterização perfeita da persona do Professor (tão sinistro com seu sobretudo preto que deve ter sido o ícone fashion do Professor Snape!).

 "'If you are clever enough to bring destruction upon me, rest assured that I shall do as much to you.'

'You have paid me several compliments, Mr Moriarty,' said I. 'Let me pay you one in return when I say that if I were assured of the former eventuality I would, in the interests of the public, cheerfully accept the latter.'

'I can promise you the one, but not the other." [min. 3:00 até 3:48 do vídeo acima]

É o que diz o fio-do-demo, saindo do 221B da Baker St. O final da sequência do papinho amigável entre os dois é eletrizante! Eric Porter põe uma carga danada de ódio e energia na última ameaça!

Jeremy Brett é bem-sucedido no retrato de seu estado nervoso e excitado; há o medo, e também o prazer de buscar uma vitória que, enfim, ele valorize.

The Reichenbach Falls, Suíça (Meiringen)

O local do encontro definitivo, da solução para o problema final.

 The Reichenbach Falls

Hoje tem até um museu ali, no "Englischer Hof", hotel em que Watson e Holmes se hospedaram em Meiringen, Suíça.


Até os trajes que David Burke usa, compondo (pela última vez!) o dr. Watson, são bem parecidos com os das ilustrações de Sidney Paget. Simplesmente adoro esses detalhes! Gostaria de chamar a atenção de vocês para o fato de que Watson procura empregar os métodos de Holmes à beira do abismo ao investigar a queda, o desaparecimento, a morte do detetive. Veremos ainda uma outra vez, nesta série de posts, o resultado, sempre ineficiente, de um sidekick tentando tomar as vezes do detetive após a morte do herói.

A Granada carrega um pouquinho mais na emoção, mas dentro de um limite muito plausível, sem descaracterizar o personagem nem desafiar o texto. A cena da queda é belíssima.

 A cena original, de Sidney Paget

still da cena da queda na série televisiva

Será mesmo o fim? No fundo, já sabemos a resposta...

Jeremy Brett, um Sherlock impecável!

(Aguardem continuação...)

30 de mai. de 2011

Sabonetes Phebo - testando, testando


Sabonetes Phebo fazem parte da minha vida há um tempão. Além de serem um clássico do banho paraense, vim morar perto da fábrica da Phebo aos sete anos, e a partir daí era um tal de sentir aquele cheiro de sabonete que entrava pela janela todas as tardes: uma delícia.

No começo eram só uns três ou quatro perfumes, agora chegam a oito! Depois de ter voltado a viver no mesmo endereço do meu querido e tão charmoso bairro do Reduto, sempre visito a lojinha da Phebo. Agora a marca pertence à Granado, a "Pharmácia" da família real brasileira, mas toda a linha da Phebo foi mantida, e a fábrica da Phebo continua sendo em Belém, no mesmo lugar de antes (e eu continuo sentindo cheirinho de sabonete!). Irresistível fazer um teste com todos os perfumes, inclusive comparando novos e velhos. 



Todos os sabonetes da linha são glicerinados, não agridem peles sensíveis, mas não são muito hidratantes, se é o que você procura (ainda assim são melhores que Lux). Por serem glicerinados não duram tanto quanto um sabonetão dos brancos, mas valem a pena. Custam por volta de R$1,90. Testei todas as fragrâncias, e resenho-as resumidamente na ordem em que as testei.

1) Frescor da manhã: o azul. A fragrância puxa para o cítrico, mas achei um pouco enjoadinha. Parece uma mistura de floral com cítrico que não deu muito certo. Não aprovei e não compro de novo.

2) Flores da primavera: embalagem pink. Floral forte, porém delicioso, nada enjoativo. As notas florais são de cravo, jasmim e ylang-ylang, misturadas com eucalipto, manjericão e outras.

3) Amazonian: o verde. Cheiro marcante de selva, perfeito. Eucalipto bem presente.

4) Toque de Lavanda: o lilás. Lavanda clássico, com o estilo refrescante Phebo.

5) Naturelle: o laranjinha. É quase amadeirado, mas é tão leve que é diferente de todo amadeirado que você já viu. Suavemente patchouli.

6) Raiz do Oriente: embalagem vermelha. Surpreendente perfume exótico cítrico. Delícia. Notas de limão, gengibre e verbena.

7) Odor de Rosas: o preto, o inescapável, o mais amado e o mais singular dos sabonetes. Nenhum sabonete chega perto de se igualar a esta maravilha de fragrância. A embalagem amarela e vermelha com seu cheiroso interior escuro (preto no início, roxo-açaí quando está ficando mais fininho) chamam os sentidos para os banhos mais gostosos da sua vida. Incomparável clássico! [Nas notas de fundo, patchouli, cedro, âmbar garantem a singularidade do produto.]

8) Brisa Tropical: o verde claro. Cheirinho de ervas, como alecrim, e um floral com cítrico leve e agradável, com notas de laranja, ylang-ylang (adoro!), muguet e até cassis. Recomendo!


Em resumo, os clássicos Odor de Rosas, Amazonian, Naturelle e Toque de Lavanda continuam bons. Na verdade acho os três primeiros excelentes, só o Toque de Lavanda é um pouco mais fraco, pois outras perfumarias tratam muito bem da lavanda, então a concorrência prejudica o desempenho. L'Occitane, por exemplo, é mestra com lavanda, por razões óbvias. E é com os perfumes novos que a Phebo prova que continua sendo eficiente sem perder seu estilo. Raiz do Oriente e Flores da Primavera são ótimos, Brisa Tropical é bom. Só o Frescor da Manhã eu decididamente não gostei. É uma média muito boa, hein? ;)

5 de mai. de 2011

A Globo acha que a gente é idiota?

Post curto, que não passa de um tweet grande demais.

Na segunda-feira, no Bom Dia Brasil mostrou uma foto do Bin Laden morto. Achei de um mau gosto horrível! Eu estava tomando café e fechei os olhos rapidamente: era um rosto deformado, uma imagem assustadora.

Depois eu soube que a imagem era falsa. Era uma montagem. Nos jornais que assisti nos dias que se seguiram, isso não foi mencionado. A Globo não sabe reconhecer que errou.

Pra piorar, hoje a Sandra Annenberg falou, em entrada durante o programa Bem Estar, que foram divulgadas imagens de não sei o quê (acho que não é do Bin Laden, perdi esse pedaço que ela falou), mas que ela não iria mostrar porque eram imagens fortes e feias, não seria legal. Hein?? Eles mostraram segunda-feira num horário ainda mais cedo a foto (falsa!) do cara morto e com o rosto deformado!

Odeio quando me tratam feito burra.

10 de abr. de 2011

O galã incômodo

Vou descrever um carinha pra vocês: ele tem o corpo sarado, é um excelente ator, respeitado em teatro, tv e cinema, jovem, bonito, elegante, gostoso, simpático, carismático, tem um sorriso lindo, é inteligente, já trabalhou com comédia e drama. Está casado com uma atriz belíssima igualmente bem-sucedida que já protagonizou novela das nove, e o casal está grávido. Ele tem 32 anos, já foi indicado ao Emmy, mas só agora está fazendo seu primeiro papel de galã.

É que esse cara é negro.


Lázaro Ramos, como diria o clichezento Faustão, é um dos ícones da sua geração de atores. E é lindo. Vibrei com seu papel em Insensato Coração (novela fraca pra diabo), o designer pegador André Gurgel, pois enfim fariam jus ao potencial mega-gato do Lázaro.

Daí vi alguns comentários no Facebook, gente dizendo que ele não tinha nada a ver com o papel, fazendo piada como se vê-lo como galã fosse o fim do mundo. Não vi nada demais nisso, mas acabei comentando com uma amiga, e em outra ocasião, com meu marido. Ambos disseram que também ouviam muitos comentários desse tipo, de pessoas diferentes, na internet ou fora dela. Fomos, aos poucos, concluindo que as pessoas estavam incomodadas com um negro nessa posição: rico, bem-sucedido, pegador, o galã da novela (porque a história dele e da Camila Pitanga engoliu e deglutiu a do suposto casal principal Paola Oliveira-Eriberto Leão).

Não combina, esse papel não é pra ele. Claro que não. Não é escravo, não é pobre, não é cômico, não é estereotipado, feito Foguinho, Evilásio ou Roque, papéis de sucesso que ele teve antes, mas nos quais não desafiava o lugar do negro na televisão. A própria mulher dele já havia desafiado esse lugar, sendo a primeira protagonista negra de uma novela das nove, infelizmente uma novela chatíssima, mas eu geralmente não gosto de Manoel Carlos e, pra falar a verdade, acho a Taís Araújo chata, muito pessoalmente. Lázaro é um ator de MUITO mais calibre que sua esposa, mas nem é isso que vem ao caso. O que me surpreendeu com tristeza foi o preconceito velado que as pessoas têm e tantas vezes nem sabem. A maioria negará, dirá que não é porque ele é negro. Mas na verdade o primeiro desconforto vem daí. Do que não combina. Do que saiu do esquadro.

Reinventemos não só a realidade, mas também a ficção, que tanto serve de parâmetro. Não só porque há milhões de meninas e meninos negros no Brasil que precisam de referências, de beleza, sucesso, talento na mídia, que precisam enxergar negros, ver negros e sentir orgulho, sem ter que ficar procurando, mas porque estão mesmo por aí. Não. Façamos isso porque é assim que é. Porque ele É lindo, porque ele É charmoso, elegante, gostoso e talentoso. Lázaro Ramos não é galã por cota, minha gente. Ele É galã.

 Pegael, tesouro!

p.s.: Lázaro, meu bem, aqui em casa tu ruleia de cabo a rabo em meu insensato coração, seu lindo. Galã pode ser negro, nordestino e bom ator, não precisa ser canastrão. Viva!

p.p.s.: teu mano, Wagner Moura, tb tem grande aceitação, percebe? venham juntos, eu abro a porta, amores!

24 de fev. de 2011

Arrumando minhas presilhas de cabelo

Eu amo presilhas de cabelo.






Hoje fui arrumar minha caixinha tão fofa e resolvi mostrar pra vocês meus enfeitinhos.




Boa parte são tic tacs coloridos da Tita Maria, sou muito fã! Aqui tem alguns tic tacs que não são da Tita, os de flor do canto esquerdo superior e os marronzinhos do canto esquerdo inferior. As flores de crochês azul e vermelha também não são da Tita, mas o resto é tudo obra dela. Essa florzona branca é uma faixa que pode ser usada como colar ou faixa.


Meus trocinhos brilhantes, há um predomínio berrante de strass com prateado, percebem? Esse de coraçãozinho é um favorito, é da Morana (assim como o par dourado do lado dele) e ganhei dos meus amigos da PwC no meu último dia de trabalho lá em SP. :) As piranhinhas chiques, prateadas e a preta, são práticas e finas, uso demais. A libélula e as "mosquinhas" foram presente do meu melhor amigo, Fabio. Esses "chifrinhos" invertidos ficam bacana num rabo de cavalo bem cacheado, numa festa. Os grampos finos do lado direito são ótimos de usar quando o cabelo está curto, e aqueles de flor são de crochê!

Eu dou mais valor a uma presilha de cabelo do que a um anel, juro.

9 de fev. de 2011

Maigret et la jeune morte - meu primeiro livro do Maigret!

Georges Simenon é um dos grandes autores do polar français. Pra quem não sabe, polar é o apelido francês do estilo literário "romance policial". Eu nunca tinha lido nada de Simenon. Eu sou uma criatura fiel, né? Primeiro fui fiel ao Sherlock Holmes. Li umas poucas Agathas na adolescência, impliquei com ela (sim, gente, impliquei com a muié, perdoem a adolescenta, eu era doida no Sherlock, tá?). Li UM Arsène Lupin na adolescência e gostei, mas não li outro.

Depois de ter terminado todos os Sherlocks, anos se passaram e voltei a ler Agatha, amando e tudo mais. Voltei a ler Arsène Lupin, o cavalheiro ladrão do autor Maurice Leblanc, amando-o e tudo mais (não li muitos dele ainda, na verdade, uns três ou quatro livros só). E agora resolvi lançar-me ao clássico Simenon e seu commissaire Maigret.


Bem leitora de primeira viagem, pedi conselhos no stand da Livraria Francesa na Feira Pan-Amazônica do Livro do ano passado sobre por onde poderia começar a ler Maigret, e o vendedor me recomendou esse excelente Maigret et la Jeune Morte ("Maigret e a Jovem Morta").

É um policial muito clássico, pois Maigret é um policial! Dou-me conta de que é a primeira vez que isso acontece nos policiais que gosto de ler. É também clássico porque todo o clima do livro é muito noir, sabem? Com aquelas investigações rolando de madrugada por ruelas mal frequentadas, senhoras de má reputação que gostam de falar dos outros, policiais que bebem vinho e café e nunca dormem nem voltam pra casa enquanto o caso não está resolvido. Essas coisas. Muita melancolia francesa, o ritmo é muito diferente do inglesismo mais ativo de Sherlock, ainda que masculino, e mais ainda da doçura, ainda que cruel, da confortável Agatha. É difícil comparar com os livros de Arsène Lupin, pois embora se classifiquem no mesmo nicho literário, como ele é o ladrão, o desenrolar vai de outro modo. Mas é preciso dizer que Maurice Leblanc se serve muito mais do charme francês do que Georges Simenon. Maigret não é charmoso. Ele é melancólico.

Sobre o livro em si, tentando não dar muito spoiler, o mais interessante é que a maior parte da obra, como sugere o título, se desenrola em cima da identidade da vítima, e não do assassino. O envolvimento de Maigret é paternal. É bem interessante.

A L&PM tem vários títulos do Maigret em português, mas não esse, infelizmente. Pra quem tem alguma noção de francês, a CLE International tem uma versão em français facile até com cd.


Assim vou ter que mencionar este post lá Club Jean Briant, né?

13 de jan. de 2011

Resenha cosmética - Rameau d'or

Conforme prometi, os produtos Rameau d'or comprados ano passado fizeram parte do meu presente de Natal, então só usei depois das festas.


- shampoo e condicionador: são para cabelos normais, uso diário. Por isso, par o meu cabelo, que é meio seco, não ficou muito bom. Não chega a ser um desastre, nada disso, mas os produtos de cabelo da Aromacologia, por exemplo, me serviram bem melhor. De todo modo, com um creme para pentear, fica ótimo. Aliás, ganhei o serum da Aromacologia da minha irmã, e é exceçente e não pesa no cabelo (aliás, esse problema eu nunca passei com os produtos da L'Occitane, mas se você tem cabelo fino, pode acontecer).

- Sabonete: espuma rica, macio, refrescante, muito gostoso. Tornou-se um dos meus favoritos.

- Leite corporal: hidratação super levinha, perfume suave mesmo (não é como meu favorito leite corporal de Rosas, que tem um perfume marcante), não é uma hidratação forte (procure Karité para isso), mas é boa para climas quentes, embora não tenha a função refrescante que algumas linhas da L'Occitane têm. Recomendo muito o leite, é eficaz e bem neutro.

A linha Rameau d'Or está aprovada! Os produtos para cabelo não são os mais indicados para o meu tipo de cabelo, mas pode ser para o seu, então se você tem cabelos normais, cabelos finos, procura um shampoo neutro, vale a pena. Eu intercalo com outros produtos mais hidratantes e funciona legal, limpando do excesso de hidratação.

Fragrância da linha: deliciosa! Confortável, pode-se sentir a oliva, é um pouco refrescante, mas não muito. Não é predominante, mas é gostosa.

31 de dez. de 2010

Os livros lidos em 2010


Seguindo a tradição, vamos ao post dos livros lidos no ano que se passou. Minha lista ficou meio desorganizada este ano quanto à ordem, por isso resolvi apresentá-la de outro modo, por temas. As releituras estarão marcadas com (R) e a numeração não representa a ordem em que foram lidos durante o ano, porque fui anotando meio doidamente:

1) Sem sangue, Alessandro Baricco
2) La comtesse de Cagliostro, Maurice Leblanc: mais um da série de Arsène Lupin. Apresenta a condessa de Cagliostro, personagem fascinante e intrigante. Mas ainda prefiro L'Aiguille Creuse.
3) Obrigado, Jeeves, P.G. Wodehouse: absolutamente delicioso como todos de Jeeves, de causar xixi nas calças e crises de riso vergonhosas, caso vc caia na besteira de ler em público. É meu terceiro Jeeves.
4) Eu mato, Giorgio Falletti: policial excelente, para corações fortes. Nada de crime confortável aqui. Requer estômago. Mordida a isca do mistério, fui até fim. Mas não lia de noite. :|
5) Resistência, Agnès Humbert: eu e meu fascínio pela Segunda Guerra. História verídica de primeira qualidade. Imperdível.
6) Trois Contes, Machado de Assis (ed. bilíngue, trad. p/ o francês Jean Briant): versão bilíngue de Machado traduzida pelo meu mestre amado-idolatrado professor.
7) Persépolis, Marjane Satrapi: conheci Marjane Satrapi através de uma aluna. Me diverti e aprendi muito.
8) Bordados, Marjane Satrapi: bom, mas Persépolis é muito melhor.
9) Entrevista com o vampiro, Anne Rice: sim, creiam. Meu primeiro Anne Rice. O vocabulário da Anne Rice é lindo.
10) O amor nos tempos do cólera, Gabriel García Márquez: sim, creiam. Meu primeiro García Márquez (inteiro). Simplesmente perfeito, porra, vou dizer mais o quê?
11) Paris (Guia Folha): assumi minha paixão por ler guias de viagem este ano, e pronto. Leio a passos de cágado, como se viajasse. Estou lendo mais uns três ao mesmo tempo agora, sem a menor intenção de terminar. Quando eu termino, ponho na conta daquele ano. Esse Guia da Folha é muito bom, cheio de dicas legais e úteis, mas a revisão é uma porcaria.

O bloco Agatha Christie
12) O assassinato de Roger Ackroyd: ah, o prazer de descobrir o culpado um pouco antes! Um dos mais engenhosos e mais bens construídos. Muito bom!
13) Testemunha de Acusação e outras peças: peças não são tão legais, mas a primeira é de tirar o fôlego.
14) Os Quatro Grandes: não gostei.
15) O mistério do trem azul: bom, mas nada de espetacular.
16) A noite das bruxas: gostei muito de alguns aspectos deste aqui, a parada do cold case, sabem?
17) É fácil matar: bem legal, fui muito bem enganada nesse aí.
18) Mistério no Caribe: excelente. A parada do cold case de novo, adoro.
19) Cai o pano: Oh-my-god. Na verdade esse é que foi o trigésimo livro, terminei ontem. A última aventura de Poirot, e totalmente surpreendente em mil coisas. Pelo método do assassino, pelo que acontece ao Poirot, pelo que ele é capaz de fazer, o danado! Épico.

Muitas releituras

20) As Aventuras de Sherlock Holmes vol 3 - Estrela de Prata (R)
21) O cão dos Baskervilles (R): estou relendo todos os Sherlocks, no momento tenho um volume em espanhol, que ganhei dos meus pais.
22) O dia do curinga (R): de vez em quando releio. Essencial para a vida.
23) Pollyanna, Eleanor H. Porter (R): reli depois de uns 20 anos. Revigorante.
24) Fanfan, Alexandre Jardin (R): graças à continuação on-line que Alexandre Jardin está escrevendo, não resisti e em uma semana devorei meu conto de fadas da juventude.

Tentativa
25) O guia do mochileiro das galáxias, Douglas Adams (R)
26) O restaurante no fim do universo, Douglas Adams (até agora não sei se é releitura. sei que comecei, mas não sei se terminei uns anos atrás)
27) A Vida, O Universo e Tudo Mais: para ver se termino a série, concluo que só gosto mesmo do primeiro.

O bloco Petit Nicolas
28) Les surprises du Petit Nicolas, Sempé-Goscinny
29) Le Petit Nicolas s'amuse, Sempé-Goscinny
30) Le Petit Nicolas et les copains, Sempé-Goscinny (R): começar a reler Petit Nicolas é o princípio do desespero, percebem? Tá acabando. Só falta comprar uns dois... :(


p.s.: Mais um ano sem JK Rowling, e contando. Bora, lôra!