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7 de nov. de 2011

Meme literário - dia 07

Dia 07 – Você costuma emprestar ou pegar livros emprestados? Sim? Não? Por que?

Não pego muito livro emprestado não, porque às vezes demoro pra terminar um livro (com essa história de ficar parando) e gosto de ter a liberdade de virar a capa e rabiscar. Uma exceção foram os livros de Artemis Fowl. Só tenho os dois primeiros, e todo o resto eu li emprestado da minha amiga Fernanda Mizioka, pra quem, em troca, emprestei toda a saga das Desventuras em Série. Eu empresto livro às vezes, mas confesso que sou apegada pacas. Fico agoniada pra pessoa me devolver.


6 de nov. de 2011

Meme literário- dia 06

Dia 06 – Quem (ou o quê) inspirou seu amor por livros? Conte como foi.

Meus pais sempre incentivaram muito, dando livros quando tirávamos boas notas, essas coisas. Lembro que meu pai tinha dois livros de História que a gente tinha que esperar chegar a uma certa idade pra ler, primeiro o de História do Brasil (acho que era um do Viriato Corrêa) e depois o de História do Mundo (juro que não lembro se era o do Monteiro Lobato, nenhuma das capas que achei na internet me deu o estalo).

Paca Tatu Cotia Não foi possivelmente o livro mais adorado da minha infância.

Meme literário - dia 05 atrasado

Dia 05 – Você costuma abandonar a leitura de um livro? Você está no meio da leitura de um livro, só que está odiando. É chato, sem graça, mal escrito… O que faz? Larga-o na mesma hora ou persiste até o final? 

Sim, abandono livros muitas vezes. Existem dois tipos de abandonos de livros no meu caso.

O abandono definitivo: o livro é horrível e eu não tenho a menor intenção de voltar a ele para terminá-lo.

O abandono temporário: às vezes o livro é bom, mas não estou mais no espírito dele. In the mood. Aí largo ele um tempo, leio outras coisas, volto depois, leio mais um tanto. Um dia eu acabo. Não acho um bom método, mas é assim que tenho funcionado.

4 de nov. de 2011

"A vida é uma loteria gigante, da qual só se vêem os ganhadores"


“- Você deve saber que metade da população da Noruega sucumbiu à peste.. Só que existe aí uma coisa de que nunca falamos.
Quando ele começava assim, eu já sabia que ia ter de ouvir uma longa explanação.
- Você tem consciência de que naquela época você tinha muitos milhares de antepassados? - perguntou meu pai.
Balancei a cabeça em sinal de dúvida sobre o que ele havia dito. Como aquilo podia ser possível?
- Todos nós temos um pai e uma mãe, quatro avós, oito bisavós, dezesseis tataravós, e assim por diante. Se você for fazendo as contas até voltar a 1349, vai chegar a um número bem grande.
Concordei.
- Então veio a peste. A morte rondava os povoados, um a um, e as crianças eram as suas maiores vítimas. Em algumas famílias morreram todas as crianças; em outras, uma ou talvez conseguiram sobreviver. Naquela época, Hans-Thomas, muitas centenas dos seus antepassados eram crianças. E nenhum deles morreu.
- Como é que você pode ter tanta certeza disso? - perguntei intrigado.
Ele deu uma tragada no cigarro e continuou:
- Porque você está bem aqui ao meu lado, olhando para o mar Adriático.
Essa foi mais uma daquelas conclusões surpreendentes , que me deixavam sem saber como reagir. Uma coisa era certa: meu pai tinha razão, pois se apenas um de meus antepassados tivesse morrido quando criança, ele ou ela não poderia ter sido meu antepassado.
- A probabilidade de nenhum dos seus antepassados ter morrido ainda criança era uma para muitos bilhões - prosseguiu ele. E a partir daí suas palavras começaram a jorrar como água de um dique que se rompe: - Pois não estamos falando aqui apenas da peste, entende? Todos, todos os seus antepassados cresceram e tiveram filhos em épocas que foram palco das mais terríveis catástrofes naturais e que, além do mais, possuíam índices assustadores de mortalidade infantil. É claro que muitos deles chegaram a ficar doentes, mas o fato é que todos sempre sobreviveram às enfermidades.. Assim, por muitas centenas de bilhões de vezes você esteve a um milímetro da morte, Hans-Thomas. Sua vida neste planeta foi ameaçada por insetos e animais selvagens, meteoros e raios, doenças e guerras, enchentes e incêndios, envenenamentos e tentativas de assassinato. Só na guerra dos Trinta Anos você deve ter se ferido muitas centenas de vezes, pois você deve ter tido antepassados de ambos os lados. Sim, no fundo, você travou uma guerra contra si mesmo e contra suas possibilidades de nascer três séculos mais tarde. E o mesmo vale para Segunda Guerra Mundial: se algum bom norueguês tivesse abatido o seu avô durante o período da ocupação, nem você e nem eu teríamos nascido. Estou falando de uma coisa que aconteceu muitos bilhões de vezes ao longo da história. Todas as vezes que uma seta cortou os ares sibilando, as chances de você nascer foram reduzidas a um mínimo. Mas aí está você, Hans-Thomas, sentado bem ao meu lado e conversando comigo. Entende?
- Acho que sim - respondi. Pelo menos achava que entendia o quanto tinha sido importante o pneu furado na bicicleta da minha avó durante aquele passeio em Froland.
- Estou falando de uma única e longa cadeia de acasos - prosseguiu meu pai. E essa cadeia pode ser acompanhada até chegarmos à primeira célula viva, que se dividiu e com isso deu o pontapé inicial para tudo o que cresce e medra hoje em dia no planeta. A probabilidade de que a minha cadeia não se interrompeu em algum ponto do passado ao longo de três ou quatro bilhões de anos é tão pequena que quase não podemos imaginá-la. Isso mesmo, diabos, aqui estou eu! E sei que sorte do cão eu tive para ter o prazer de desfrutar deste planeta na sua companhia. Sei da sorte que teve cada pequeno ser vivo deste planeta.
- E aqueles que tiveram azar? - perguntei.
- Eles não existem! - gritou ele. - Nunca nasceram. A vida é uma loteria gigante, da qual só se vêem os ganhadores.
[O dia do curinga, Jostein Gaarder, p. 139-142]

"Just" a spoonful of sugar

[achei o começo deste post escrito num arquivo por aí, e terminei hoje]

Prometi um dia que a escolha consciente de ter uma vida mágica e fantasiosa seria assunto pra mais um post, e cumpro. O filme “A Loja Mágica de Brinquedos” continua em pauta, mas o guia luxuoso da escolha desse mundo é uma obra-prima do cinema universal: Mary Poppins.


Deve ser a idade, que vai deixando a gente acreditar que as pessoas estão interessadas na nossa visão do mundo (Weltanschauung), e que foi me transformando nessa criadora de temas de auto-ajuda. Auto-ajuda mesmo, porque eu invento tudo pra mim. Só ajudo a mim mesma, vou logo avisando. Quem gostar, que goste. E quem quiser sorrir, que “sorra”. Eu “sorro”. E vamos lá.


A cena da Loja Mágica que mencionei no post sobre Molly Mahoney é ilustrativa da minha visão do que pode realmente ser a magia na vida real. A loja está toda cinza e sem vida depois da partida de Mr. Magorium, e o garoto pega um brinquedo pra brincar. Minutos depois, o brinquedo ganha cor de novo, porque não é mais “só” um brinquedo, é um brinquedo que tem uma pequena história com aquele garoto.


Todo mundo nesta vida pode tender a ser um Mutante, e achar que tudo é “só”. “Só” um filme, é “só” uma boneca, é “só” um gato, é “só” um desenho no chão. Mas eu, você e a Mary Poppins sabemos que não é. É um filme que te fez chorar e pensar, é uma boneca que você desejou muito e que agora te diverte e que é só sua, é um gato que você ama muito mais do que devia amar, é um desenho no chão feito por um cavalheiro divertidíssimo e que pode te render um dia alegre com sua babá perfeita. Não é “só” o que as coisas são que importa, mas o que você faz delas.


Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo, 
 
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas, 
 
Para aumentar com isso a minha personalidade.” (Álvaro de Campos)


Sim, por mais piegas que isso possa parecer, você detém o poder da magia. Quando você passa na frente da antiga casa do seu avô ou sente o cheiro de um xampu que você usou aos 15 anos, é a sua máquina do tempo que entra em funcionamento e te transporta pra momentos que já se foram. Quando você toma uma decisão importante ou se livra por muito pouco de um tombo que poderia custar a sua vida (mas que você acabou só com um estiramento de tendão e duas semanas de licença), não se pega pensando no universo paralelo em que você morreu no banheiro ou não teve coragem de largar o emprego?


Máquina do tempo e universos paralelos são apenas alguns dos truques de magia que você consegue realizar. Descubra os seus e deixe de ser “só” um “mutante”. Anime, empreste-se às coisas, aos homens, às máquinas, aos animais. Você verá que com isso você não se perde, mas se multiplica, porque passa a “possuir” um quinhão de tudo aquilo que animou.

Meme literário - dia 04

Dia 04 – Onde você gosta de ler? No sofá? Na cama? No ônibus? O lugar onde você costuma ler é o lugar onde você gosta de ler?

Na cama, mas não antes de dormir, e sim naqueles momentos livres do dia (eu tenho!). No sofá também. Mas gosto muito de ler na rua, de levar livro na bolsa pra ler em consultório, intervalos no trabalho, no shopping, na casa dos outros. Às vezes a minha casa me dispersa.

obs.: Acompanhei o meme literário no blog da Lu Naomi, mas a ideia original é do blog Happy Batatinha. Foi feito no mês de outubro, mas eu vou de atrasilda mesmo assim, tá? Fiquei a fins. :)

3 de nov. de 2011

Meme literário - Dia 03

Dia 03 – Você lê resenhas de livros? Elas influenciam na escolha de um livro? Ou na opinião que você tinha sobre um livro lido?

Quase nunca leio resenhas, especialmente antes de ler o livro. Às vezes leio posts sobre um livro depois de tê-lo lido e, sim, algumas vezes isso até influencia a opinião que fiz do livro, me fazendo ver outros aspectos aos quais antes eu não tinha dado tanta importância.

2 de nov. de 2011

O Dia do Curinga - um tweet grande demais

Isto aqui eu comecei a tuitar, mas percebi que ia ficar muito grande pra um microblog, por isso vim pro blog. ;P

Cada vez, cada uma das (muitas) vezes que eu releio O Dia do Curinga, leio com a avidez da primeira leitura, bebendo as frases, cheia de sede, como se não soubesse o que vai acontecer na próxima página. Sempre sonhei, durante toda a minha vida de leitora, com um livro que eu pudesse reler experimentando a mesma emoção, o mesmo prazer que senti quando da primeira vez. O Dia do Curinga é esse livro.

Embarco na viagem e na leitura de Hans-Thomas como se fosse a mesma viagem de 1997, como se eu tivesse de novo 19 anos e usasse meu vestido verde escuro, e estivesse no Grêmio Literário Português transcrevendo documentos, fichando livros pro meu orientador da graduação com este mesmo livro de capa verde enfiado na bolsa, aproveitando intervalos pra ler na janela, furtivamente (ninguém me vigiava trabalhar, mas eu tinha um prazo). E a cada vez é como na primeira. A aventura de Frode, Albert, Ludwig e Hans-Thomas tem tamanho poder sobre mim, mais que eu podia imaginar em 1997 que pudesse vir a ter.

Antes de reler O Dia do Curinga pela primeira vez eu ainda não sabia que ele era o livro que me garantiria a realização desse sonho de leitora, o sonho de um livro imorrível, incansável, ingastável. Quando li Aqueles Cães Malditos de Arquelau, no ano seguinte (eu ainda não havia relido o Curinga), desejei poder ler novamente o mesmo livro com o mesmo impacto. Daí comprei O Manuscrito de Mediavilla, do mesmo autor (Isaias Pessotti), e quase que isso aconteceu. Mas não era a mesma coisa, porque na verdade percebi que o Pessotti escrevia livros muito parecidos, e isso acabou sendo chato e aborrecido. Quando li A Lua da Verdade tive certeza de que ele tinha um molde muito repetitivo de enredo, e me decepcionei.

E acho que foi em 2000, três anos depois da primeira leitura, que reli pela primeira vez o Curinga. Foi no Rio, numa visita à minha irmã. E foi de novo mágico e impactante. Nunca mais deixei de reler, faço isso quase todos os anos desde então.

Não é um livro que te ensine uma grande lição sobre a vida ou algo sobre a história dos homens. Não. É uma fábula de uma situação que provavelmente você nunca viverá: a criação de seres. Mas ainda assim, não sei se posso explicar, esse livro me abre os olhos como se eu visse o mundo pela primeira vez. É o que a filosofia pretende fazer com os homens, ou pelo menos é o que dizia o professor de filosofia da Sofia, aquela cujo Mundo vendeu pra caramba e foi quem me fez ler o Curinga.

É bom que todos saibam que O Dia do Curinga foi escrito antes de O Mundo de Sofia, o qual foi escrito PARA o Hans-Thomas, personagem principal do Curinga. Simplesmente porque Jostein Gaarder se deu conta de que não havia um livro de filosofia para alguém da idade do Hans-Thomas (12 anos), e resolveu fazer esse mimo pro seu personagem. A diferença entre Hans-Thomas e Sofia pode ser resumida assim: Sofia é uma aluna de filosofia; Hans-Thomas é um filósofo.



"Se nosso cérebro fosse tão simples a ponto de podermos entendê-lo - disse ele, e fez uma pausa -, seríamos tão tolos que continuaríamos sem entendê-lo." [p. 171]


"Pois quando a gente entende que não entende alguma coisa é que a gente está prestes a entender tudo." [p. 211]

Meme literário - dia 02


Dia 02 – Qual foi o último livro que leu e qual é o próximo livro que lerá? Fale um pouco sobre eles.

Semana passada terminei de ler A História sem Fim, Revolução dos Bichos e Sócios no Crime.

- A História sem Fim, Michael Ende: eu deveria ter lido quando era criança, ou pelo menos adolescente. Mas sempre é tempo. O livro conta a história de um garoto chamado Bastian Baltasar Bux que adora ler e acaba roubando um livro chamado A História sem Fim. Com medo de ser preso por roubo, ele se esconde no porão da escola e começa a ler o livro de capa de cor de cobre. E nós começamos a ler junto. É muito importante que esse livro seja lido numa boa edição, pois acho que já perde muito se não tiver uma capa cor de cobre com duas serpentes mordendo a cauda uma da outra. Acompanhamos a história de Bastian em letras marrons e a do livro que ele lê em letras verdes. Esse livro dá muito poder à imaginação de uma criança. Imperdível. Detalhe: o livro me foi emprestado, é da minha mãe.

 O livro de capa cor de cobre com duas serpentes, uma preta e uma branca, mordendo o rabo uma da outra.
Se a sua capa não for assim, sinceramente, perde bastante da magia...


- Revolução dos Bichos, George Orwell: eu tinha lido uma versão simplificada em inglês quando tinha uns 12 anos. Li este em uma tarde. Trata-se de uma fábula do comunismo. Animais de uma fazenda organizam uma revolução e tomam o controle da fazenda, expulsando os humanos. Depois disso, os porcos, considerados os mais inteligentes, passam a ditar as regras, e em pouco tempo os animais estão novamente escravizados, mas vivendo dentro da ilusão de que a vida deles agora é melhor simplesmente por não trabalharem mais para os humanos, e sim "para si próprios" (só que os porcos ficam com o que há de melhor e cada vez comportam-se mais como humanos).

All animals are equal. (conforme os sete mandamentos dos animais)
But some animals are more equal than others. (adendo posterior...)


- Sócios no Crime, Agatha Christie: de Tommy e Tuppence. Não são meus favoritos, e os livros da Agatha que são de casos curtos costumam me deixar meio dispersa. Não os devoro como os de um só caso, por isso demorei um certo tempo pra terminar. O interessante desse livro é que, em cada capítulo, Tommy e Tupppence homenageiam um famoso detetive personagem de romances policiais.


Sobre o próximo que lerei, bom, não decidi ainda. Ontem a tarde comecei a reler O Dia do Curinga, coisa que faço de tempos em tempos, mas também preciso ler Comer, Rezar, Amar, que minha mãe me emprestou e ainda nem comecei. Tenho em casa uns dois da Agatha ainda não lidos, e tô a fim de começar A Bússola de Ouro. Pode ser um desses, pode não ser nenhum deles...

obs.: Acompanhei o meme literário no blog da Lu Naomi, mas a ideia original é do blog Happy Batatinha. Foi feito no mês de outubro, mas eu vou de atrasilda mesmo assim, tá? Fiquei a fins. :)

1 de nov. de 2011

Meme literário - Dia 01

Acompanhei o meme literário no blog da Lu Naomi, mas a ideia original é do blog Happy Batatinha. Foi feito no mês de outubro, mas eu vou de atrasilda mesmo assim, tá? Fiquei a fins. :)


Dia 01 – Que livro que você está lendo? Sobre o que é? Onde você está? Você está gostando?
Sempre uma pergunta difícil, porque leio um monte ao mesmo tempo, mesmo. Vou citar alguns.

- Mémoires sur la vie privée de Marie-Antoinette, Madame Campan: Madame Campan fazia parte da entourage de Marie-Antoinette, era uma das muitas damas que tinha funções no dia-a-dia da rainha. 



- Van Gogh, David Haziot. Biografia do pintor holandês, premiada pela Academia Francesa em 2008. Excelente pesquisa e ótimo texto. É legal ler acompanhando com as Cartas a Théo, pois as cartas são mencionadas o tempo todo, e como estão bem indicadas nas notas é fácil encontrar a carta a qual Haziot se refere.



- Paroles du jour J - Lettres et carnets du Débarquement, été 1944, Jean-Pierre Guéno (org.): trata-se de cartas e trechos de diários de soldados (de ambos os lados, nacionalidades variadas) sobre o desembarque da Normandia, em 6 de junho de 1944. Há testemunhos de franceses, ingleses, americanos, canadenses e alemães. É demais, dá uma boa ideia do nível impressionante de organização militar que levou a essa manobra, o medo e a apreensão dos soldados, os preparativos, enfim. Muito bom.