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2 de dez. de 2013

Meme literário 2013 - dia 2



Dia 2 - Qual foi o último livro que leu e qual é o próximo que lerá depois do atual?

Quinta passada terminei de ler Stille Nacht, é um livro de leitura facilitada em alemão, da coleção Leo & Co., da Langenscheidt. A coleção é ótima, tem vários níveis, as histórias são com os mesmos personagens, e vem com audiobook.

Essa história tem temática natalina. Um dos personagens, o Benno, consegue um emprego temporário de vendedor de árvores de Natal e acaba conhecendo uns moradores de rua. Os demais personagens compram presentes de Natal e decidem como vão comemorar as festas.

Hum, difícil dizer qual o próximo livro que lerei, até porque já comecei dois depois de ter terminado Stille Nacht. Mas vou mencionar dois:



Pretendo brevemente retomar a leitura apenas começada de Tempos Interessantes, autobiografia de Eric Hobsbawm.

E continuar minhas releituras d'Os Mundos de Crestomanci, relendo A Semana dos Bruxos.


1 de dez. de 2013

Meme literário - o post mothership

Qualquer dúvida, to the mothership!

Quer participar do meme? É só começar!

A lista de perguntas:


Dia 01 – Se você leu algum livro hoje, cite um trecho; se não leu, cite algo do livro que estiver lendo.
Dia 02 – Qual foi o último livro que leu e qual é o próximo livro que lerá depois do atual?
Dia 03 – Você faz algum registro dos livros que lê e, se faz (ou não), por quê?
Dia 04 – Como você escolhe seus livros: recomendação de amigos, resenha, blogs, sites, pela capa, por título, por impulso?
Dia 05 – Você tem um momento ou local favorito para ler?
Dia 06 – Qual a obra que determinou sua paixão por livros?
Dia 07 – Qual o autor favorito - aquele que você gostaria de ler a obra completa (se já não o fez)?
Dia 08 – Que livro/autor já decepcionou você?
Dia 09 – Que livros você está lendo neste momento e por que logo estes?
Dia 10 – Que livro é o seu objeto do desejo?
Dia 11 – Gêneros de literatura: qual você ama e qual odeia?
Dia 12 – Qual a importância na edição (fonte, capa, papel, margens) para você?
Dia 13 – Orelhas e quarta capas: o que elas podem (e devem) ou não dizer?
Dia 14 – “Nosso amor é impossível!”: conte sua história de amor por um personagem literário.
Dia 15 – “Meu salvador!”: revele sua admiração pelo seu herói literário, aquele personagem que inspira o que você é.
Dia 16 – Sua estante gosta mais de ficção ou não ficção?
Dia 17 – Peças de teatro: recomenda alguma ou passa longe?
Dia 18 – A capa inesquecível e o livro ruim e a capa medonha e o livro inesquecível: você já topou com esses casais?
Dia 19 – Ebooks: amou ou deixou?
Dia 20 – Os inesquecíveis dias da infância: você teve algum livro que ficou lá?
Dia 21 – Os turbulentos tempos da adolescência: que livro emergiu deles?
Dia 22 – O marco entre a juventude e a maturidade: ele está em algum livro que você leu?
Dia 23 – Comprar livros: onde e quando?
Dia 24 – Comprar livros: pra quem?
Dia 25 – Revisitar um livro é bom?
Dia 26 – Sua biblioteca é sua e ninguém tasca ou você liberta seus exemplares pelo mundo?
Dia 27 – Se você fosse um personagem, qual seria?
Dia 28 – Veja o filme e leia o livro: quantas vezes isso aconteceu com você?
Dia 29 – Leia o livro, veja o filme: que adaptações você amou e quais odiou?
Dia 30 – Qual foi o último livro que você comprou?
Dia 31 – O livro do ano na sua estante é...?


As "regras" da nossa bagunça:

- Um post por dia
- Siga a lista de perguntas.

Recomendações nada obrigatórias:

- O selo do meme (no post, na lateral, onde vc quiser)
- Link dos participantes

Os selos, obra da Naomi-tia-Batata:





Os participantes, até agora:

http://qe-quartoescuro.blogspot.com.br
http://batatatransgenica.wordpress.com/
http://breviariodashoras.blogspot.com.br/
http://www.terracotabolsas.com/rato/
http://depokafe.wordpress.com/
http://bem-vindos-a-bordo.com/
http://pensamentosinsones.wordpress.com/

Meme literário 2013 - dia 1

E começa hoje o meme literário 2013, um mês de falação sobre livros! \o/



Vamos à primeira?

Dia 1 - Se você leu algum livro hoje,cite um trecho; se não leu, cite algo do livro que estiver lendo.

"– Jovem Sr. Sherlock – uma voz cortante soou atrás dele. – Que decepção vê-lo relacionando-se com mendigos árabes molambentos. Seu irmão ficaria mortificado." (LANE, Andrew, O jovem Sherlock Holmes: Nuvem da Morte, Ed. Intrínseca, pg. 42)

Mortificada estou eu. Livrozinho ruim. Me dá pena de tê-lo dado ao meu sobrinho, mas espero que ele tenha gostado e se divertido. Eu, como velha e fiel Holmesiana, sinto-me insultada. Ok, deem-me o desconto de ser assumidamente chata com adaptações de Sherlock Holmes, mas não é que eu não aprove nenhuma. Na tv, vcs estão carecas de saber que eu amo o Sherlock da BBC, e a série da Granada, com o Jeremy Brett, é irreprochável. Na literatura, posso garantir que quando Maurice Leblanc teve a audácia de se apropriar de Holmes – com Conan Doyle ainda vivo! – ele o fez muito bem.

O que é que eu considero uma boa adaptação? Acho que nada é mais importante do que respeitar as características essenciais do personagem, aquelas que fazem dele quem ele é. O que tem de errado nessa adaptação do Andrew Lane, com cara de fan fiction? Bom, temos aqui um garoto de 14 anos que, pra começar, na minha opinião se comporta como se tivesse 10, no máximo 12. Muito infantil. E muito emocional, inseguro. Se ele tivesse de fato 10 anos, eu perdoava. Mas um rapazinho de 14 anos que se tornará o Sherlock Holmes que conhecemos já tem que demonstrar um tanto de desprezo pelas emoções, o que só vai ser apurado pelos anos e pela idade adulta. Mas não. Ele fica se lamentando nas férias na casa do tio porque está com saudades dos pais, do irmão, da irmã, de casa e sei lá mais o quê. Sentindo-se sozinho. E na escola seu comportamento é ainda mais esquisito: ele é aquele garoto que deixa os outros colarem dele porque ninguém gosta dele e é o único jeito de ele ser mais tolerado. Aqui entre nós, um Sherlock Holmes que se esforça para ser tolerado perde um bocado do meu respeito.

Mas ainda estou no começo do livro, vejamos se ele vai se recuperar. Pode ser que vejamos justamente aqui ele se transformar em quem é.

Ou pode ser que o autor só tenha usado o nome e as capacidades dedutivas de um dos personagens mais célebres de toda a história da literatura para criar uma aventura infanto-juvenil. E se for assim, ele vai angariar minha antipatia.

Não deixe de acompanhar o meme literário 2013 também em...

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28 de nov. de 2013

Os livros lidos em 2012

Como diz o filósofo, antes tarde do que nunca!

No fim do ano passado não animei fazer o post crássico de fim de ano, mas esta semana passei a limpo minhas listas de leitura desde 2007, usando o diário que comprei na casa da Anne Frank porque entendi que nunca ia conseguir usar como diário mesmo e era lindo demais para simplesmente ficar fechado e sem uso. Então dei-lhe esse uso nobre.


Aí me deu aquela vontade de falar sobre os livros do ano passado, então vamos lá. Vou comentar alguns, ok?

1) Um pressentimento funesto (Agatha Christie)
Comecei com Agatha, mas 2012 não foi um ano de muita Agatha, não. Achei até bem legal esse, apesar de não ser muito fã de Tommy & Tuppence.

2) A invenção de Hugo Cabret (Brian Selznick)
Um tem-que-ler, e escolha bem sua edição, porque pode ser uma experiência inesquecível para os olhos. Anedota do dia que comprei aqui: http://qe-quartoescuro.blogspot.com.br/2012/01/hoje-na-saraiva.html

3) O vendedor de histórias (Jostein Gaarder)
Um dos melhores do ano! Petter Spider é meu tipo de personagem, amei de paixão a trama, tudo. Amo Gaarder...

4) Punição para a inocência (Agatha Christie)
Gostei mais deste, é mais meu estilo de Agatha.

5) Mémoires de la vie privée de Marie Antoinette (Madame Campan)
Era obrigatório, né? Madame Campan estava lá, testemunha ocular de boa parte da vida dela. Mas o livro não é escrito de modo interessante. Pequeno, mas arrastado.

6) O diário de Anne Frank
Releitura para visitar o museu em agosto.

7) Le fils d'Astérix (Goscinny - Uderzo)
8) L'Odyssée d'Astérix (Goscinny - Uderzo)
9) Objectif Lune (Hergé)
10) On a marché sur la Lune (Hergé)
Uma série de BDs compradas usadinhas e lindas em Paris.

11) Anne Frank Graphic Biography (Sid Jacobson e Ernie Colón)
Linda biografia em HQ. A história vai além do diário de Anne. Começa antes, no nascimento dela, e vai até sua morte. É autorizada e comprada lá na Casa.

12) Vincent Van Gogh: le dur combat d'un artiste (Marc Verhaegen, Jan Kragt)
HQ bonita sobre a vida de Van Gogh, comprada no museu dele.

13) Schwere Kost
14) Die Neue
15) Große Gefühle
Três livrinhos da coleção Leo & Co., muito boa a coleção.

16) O senhor das moscas (William Golding)
Devidamente mind-blowing, como deve ser.

17) Le fantôme de l'Opéra (Gaston Leroux)
Uau! Tipo assim, uaaaaau, né? Meu número. Amei. Como é que demorei tanto tempo pra ler e tal? Essas perguntas que me consomem...

18) Le petit Nicolas, c'est Noël ! (Sempé - Goscinny)

19) Siebenschläfergeschichten
Historinhas infantis, mas nem é mais leitura facilitada. Tô virando gente grande em alemão. Quase...

20) Le petit Nicolas et ses voisins (Sempé - Goscinny)
Estou ficando perigosamente sem petit Nicolas novos para ler. Acho que só falta um. :(

21) Os Maias (Eça de Queiroz)
Demorei séculos para terminar. Daqueles livros que te pegam pelo meio, e aí vc não larga mais. Li para fazer laboratório de escrita, era-me obrigatório, mas enfim, sangue do meu avô. Fiquei por aí, querosianada, citando na cozinha.

22) A tragédia da rua das Flores (Eça de Queiroz)
Devorei em dois dias. Eça é um monstro. Esse livro é um esboço, gente , um esqueleto de história. Punk. Apaixonante.

23) The secret life of I (Agent Provocateur)
Entrando na vibe literatura erótica da virada de 2012 pra 2013. História curtas, ponto de vista feminino. Legal, gostei da linguagem.

24) 50 Shades of Grey (E.L. James)
Legal também, bom entretenimento. A linguagem é bem mais simples, mas acho coerente com o estilo, até da personagem.

25) Contos de crime, terror e mistério (Arthur Conan Doyle)
Do meu projeto Relendo Conan Doyle. Foi um ano de pouca releitura, né?

Aguardem 2013!

5 de nov. de 2013

John Watson sobre Mary Morstan

sorry, Johnlockers, mas...

"A wondrous subtle thing is love, for here were we two, who had never seen each other before that day, between whom no word or even look of affection had ever passed, and yet now in an hour of trouble our hands instinctively sought for each other. I have marvelled at it since, but at the time is seemed the most natural thing that I should go out to her so, and, as she has often told me, there was in her also the instinct to turn to me for comfort and protection. So we stood hand in hand, like two children, and there was peace in our hearts for all the dark things that surrounded us."

(CONAN DOYLE, in The Sign of the Four, The Tragedy of Pondicherry Lodge)

14 de mar. de 2013

Sherlock Holmes trolla John Watson desde sempre...

É claro que o Sherlock Holmes dos livros é muito mais educado, a relação de amizade entre ele é Watson é menos íntima, como eram mesmo as relações, mais distantes e respeitosas. Mas você quer saber de onde Moffat-Gatiss tiram autorização pra fazer o Sherlock deles dizer isto?

"Dear God. What is it like in your funny little brains? It must be so boring."
(BBC Sherlock, A Study in Pink)

É de cenas como esta:

"'And a singularly consistent investigation you have made, my dear Watson,' said he. 'I cannot at the moment recall any possible blunder which you have omitted. The total effect of your proceeding has been to give the alarm everywhere and yet to discover nothing.'
'Perhaps you would have done no better,' I answered bitterly.
'There is no "perhaps" about it. I have done better."

("The Disappearance of Lady Frances Carfax")

18 de fev. de 2013

For the benefit of Mr. Yoll

"Seu retrato? Como eu poderia fazê-lo? Vinte vezes eu vi Arsène Lupin, vinte vezes foi um ser diferente que me apareceu... ou ainda o mesmo ser, do qual vinte espelhos me teriam devolvido imagens deformadas, cada uma tendo seus olhos particulares, sua forma especial da figura, sua silhueta e sua personalidade.

- Eu mesmo, me diz ele, eu não sei mais muito bem quem eu sou. Num espelho eu não me reconheço mais.

Gracejo, é claro, e paradoxo, mas verdade em relação aos que o encontram e que ignoram seus recursos infinitos, sua paciência, sua arte da maquiagem, sua faculdade prodigiosa de transformar até as proporções do seu rosto, e de alterar até mesmo a relação de seus traços entre si.

- Por que, diz ele ainda, teria eu uma aparência definida? Por que não evitar esse perigo de uma personalidade sempre idêntica? Meus atos me designam suficientemente.

E ele especifica com uma ponta de orgulho:

- Tanto melhor se não se possa nunca dizer com toda a certeza: eis Arsène Lupin. O essencial é que se diga, sem medo de errar: Arsène Lupin fez isto."

(LEBLANC, Maurice, L'Arrestation d'Arsène Lupin, in: Arsène Lupin: Gentleman-Cambrioleur, tradução livre)

Pode-se dizer sem medo se errar que eu tenho um fraco por personagens da virada do século 19 pro 20 com talentos para o disfarce, né memo? E uma queda federal por atores, reais ou fictícios, com equivalentes talentos camaleônicos. ;D

16 de fev. de 2013

Querer, poder, saber, conseguir

É tão difícil receber críticas. Pra mim é. Especialmente de quem eu gosto e admiro. Talvez eu também não saiba criticar, me omita, por medo de magoar. Talvez seja preciso aprender.

Pessoas que se gostam, respeitam, admiram, amam até, não precisam concordar em tudo. Quando começamos uma amizade ou um amor, sempre aparecerão novidades, novas descobertas sobre o outro, e algumas delas podem pôr em cheque todo o bom sentimento anterior. Você já está amiga daquela moça afetuosa e inteligente há mais de um ano. Numa conversa, descobre que ela é preconceituosa. O cristal se quebra. Nunca mais, nada será igual.

Talvez a amizade acabe, se for algo de grave (pra mim, preconceito é). Mas bom mesmo é quando você descobre uma diferença e você aprende a respeitar. Meu melhor amigo só gosta de azul. Ele é meio radical com azul, e eu adoro azul também. Quando estamos os dois vestindo azul, ele está feliz e lembra de porque me ama. Mas eu também visto verde, amarelo, roxo, e acho que gosto mais de rosa e branco do que de azul. Nessas horas acho que ele esquece um pouquinho do porque me ama. Talvez se questione. Não sei o quanto o azul é importante pra ele. Eu gostaria de ser mais importante que o azul e gostaria que ele não gostasse menos de mim quando uso rosa pink.

Eu uso rosa pink. Eu entendo o negro, o cinza, o bege, acho bonito, mas eu sou rosa pink. Eu sou alegre. Eu sou otimista pra caralho, eu faço jogo do contente, eu sou uma escritora que, quando mira pra cima, mira em JK Rowling. E não é que eu não possa mirar, sei lá, em Eça de Queirós. Eu adoro. Mas não é pra onde segue minha mira natural.

Por que é tão difícil compreender que uma pessoa que goste de Bach e Chico Buarque possa preferir compor sertanejo? Não, eu não gosto de sertanejo. Estou dando um exemplo. Estou falando de mim, de expectativas a meu respeito, não só minhas, mas também dos outros. Mas também minhas. Eu alcanço García Márquez, eu alcanço Eça, Zola, Tolstói, Balzac, Shakespeare. Eu os alcanço, eu gosto deles, mas eu, o meu eu mesmo, a minha estação de rádio toca na frequência de Rowling, Gaarder, Bantock, Christie, Doyle, comercial de margarina (eu sei, Ane! sou eu que estou dizendo, tá amore?) e de Coca-Cola. Eu sei que existe uma hierarquia de erudição, tenho plena consciência disso. Talvez eu simplesmente não queira ter uma multinacional e fique mais contente com uma bodeguinha de interior. Talvez eu prefira a vida de balconista à de CEO da literatura. Eu adoro a sensação eufórica da minha escrita, eu adoro a euforia na minha vida, das paixões sem motivo, porque paixão não tem que ter. Eu adoro procurar e criar alegria, provocar o riso, o heart racing, o inclinar da cabeça e o enternecer. Eu gosto de provocar o prazer imediato. Talvez eu queira vender chocolate, e não absinto.

Mas há muito a aprender. Há quem ache que vendedor de chocolate é uma coisa idiota de se almejar como carreira. E eu entendo perfeitamente as vantagens de vender ambrosia e absinto. Acho luxo. Acho glam. Eu compraria seu absinto e sua ambrosia. Um torrão de açúcar, uma colherinha de café do seu caviar. Eu não te acho besta, prometo. Eu acho do cacete você ser de raiz e preferir vender rapadura e pé de moleque. Na sua banquinha toca samba e não entra chocolate belga. Na minha entra e eu toco Adele, e eu adoro, então não me desculpe, porque não vou pedir desculpas pelo meu gosto.

Minhas preferências não me limitam, eu luto diariamente por isso, acreditem. É consciente, é uma escolha minha diária. Não me limitar pelos meus gostos, pelas minhas preferências. Mas são minhas, e são eu. Eu alcanço muitas estradas, eu poderia trilhar muitas, muitas delas. Mas eu escolho a minha.

Eu podia estar matando, eu podia estar roubando. Estou só me divertindo. É assim que sei viver. Pelo prazer.

12 de fev. de 2013

Feliz aniversário

Se eu tivesse talento, eu a desenharia em ultrarrealismo. Se eu tivesse o talento dela, eu lhe faria impressionista, em pontilhismo, Seuratiana, ou um Renoir, ou um Boticelli.

Ela é minha primeira criatura, meu permanente amor de alma, e eu a vejo inteira e perfeita na minha frente, e como eu queria que vocês a vissem. Seu sorriso não é muito largo, não domina o rosto inteiro, contém-se mas contagia os predipostos. Os cabelos longos, volumosos, de cor impossível, mel ou rosa, castanhos, sobrenaturais, fantásticos, inventados, cantados em verso e prosa, o rosto branco, o queixo redondo, o nariz perfeito, os olhos tristes, grandiosamente verdes, a boca pequena, redonda, os lábios médios. Ela podia ser muito que não é, que se foi roubando a alegria de ser durante anos, dez anos, mas encerra em si aquela possibilidade do pudim de leite, aquela possibilidade do alegre que só escapa no sublime da arte, mas pouco na alegria da vida. Ela ri da desgraça, e o riso da desgraça nunca é como o riso da alegria. Mas sua desgraça é risível, porque tem amor, tem paixão na sua desgraça, tem terror na sua glória, ela e tudo nela está contaminado pelo medo e pelo belo. Tem atração e enlevo pelo pecado, curiosidade mórbida de felicidade, um dispositivo de foda-se mal ajustado, um ardor imenso, uma paixão inominável, cedo demais, torta demais, grande demais, demais sem fim.

Ela aceita, e então não, ela luta, ganha e perde no mesmo golpe. Traz no nome a sorte, o azar, a bendita, a desdita, o destino.

Criada em 12 de julho de 1998, nascida em 12 de fevereiro de 1985, faz hoje no mundo dela, que é meu, 28 anos.

Feliz aniversário, Ventura García Fontain.

9 de fev. de 2013

por que Sherlockians amam BBC Sherlock? 1/1.934.872

"'What are you going to do, then?' I asked.
'To smoke,' he answered. 'It is quite a three-pipe problem, and I beg that you won't speak to me for fifty minutes.' He curled himself up his chair, with his thin knees drawn up [...]"
(The Red-Headed League, sir A.C. Doyle)


"It's a three-patch problem."


Not convinced enough, are you?




Ilustração original de Sidney Paget no The Strand 
para a mesma cena transcrita acima.









Isso, minha gente, é respeito religioso pelo cânone do Conan Doyle. Três vivas para Gatiss e Moffat! Viva! Viva! Viva!

Participação especial de Jeremy Brett, porque eu também amo o Holmes dele.


Mas eu reconheço que amo o Holmes dele só com a cabeça, não com o coração, a alma, o corpo e todos os hormônios enfileirados. #cumberbatchedforlife #sherlockedforlife