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1 de dez de 2013

Meme literário 2013 - dia 1

E começa hoje o meme literário 2013, um mês de falação sobre livros! \o/



Vamos à primeira?

Dia 1 - Se você leu algum livro hoje,cite um trecho; se não leu, cite algo do livro que estiver lendo.

"– Jovem Sr. Sherlock – uma voz cortante soou atrás dele. – Que decepção vê-lo relacionando-se com mendigos árabes molambentos. Seu irmão ficaria mortificado." (LANE, Andrew, O jovem Sherlock Holmes: Nuvem da Morte, Ed. Intrínseca, pg. 42)

Mortificada estou eu. Livrozinho ruim. Me dá pena de tê-lo dado ao meu sobrinho, mas espero que ele tenha gostado e se divertido. Eu, como velha e fiel Holmesiana, sinto-me insultada. Ok, deem-me o desconto de ser assumidamente chata com adaptações de Sherlock Holmes, mas não é que eu não aprove nenhuma. Na tv, vcs estão carecas de saber que eu amo o Sherlock da BBC, e a série da Granada, com o Jeremy Brett, é irreprochável. Na literatura, posso garantir que quando Maurice Leblanc teve a audácia de se apropriar de Holmes  com Conan Doyle ainda vivo! – ele o fez muito bem.

O que é que eu considero uma boa adaptação? Acho que nada é mais importante do que respeitar as características essenciais do personagem, aquelas que fazem dele quem ele é. O que tem de errado nessa adaptação do Andrew Lane, com cara de fan fiction? Bom, temos aqui um garoto de 14 anos que, pra começar, na minha opinião se comporta como se tivesse 10, no máximo 12. Muito infantil. E muito emocional, inseguro. Se ele tivesse de fato 10 anos, eu perdoava. Mas um rapazinho de 14 anos que se tornará o Sherlock Holmes que conhecemos já tem que demonstrar um tanto de desprezo pelas emoções, o que só vai ser apurado pelos anos e pela idade adulta. Mas não. Ele fica se lamentando nas férias na casa do tio porque está com saudades dos pais, do irmão, da irmã, de casa e sei lá mais o quê. Sentindo-se sozinho. E na escola seu comportamento é ainda mais esquisito: ele é aquele garoto que deixa os outros colarem dele porque ninguém gosta dele e é o único jeito de ele ser mais tolerado. Aqui entre nós, um Sherlock Holmes que se esforça para ser tolerado perde um bocado do meu respeito.

Mas ainda estou no começo do livro, vejamos se ele vai se recuperar. Pode ser que vejamos justamente aqui ele se transformar em quem é.

Ou pode ser que o autor só tenha usado o nome e as capacidades dedutivas de um dos personagens mais célebres de toda a história da literatura para criar uma aventura infanto-juvenil. E se for assim, ele vai angariar minha antipatia.

Não deixe de acompanhar o meme literário 2013 também em...

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8 comentários:

  1. essas ideias de "jovem personagem famoso" nem sempre dão certo; veja o filme O Enigma da Pirâmide, por exemplo: é um suspensezinho bom, divertido, mas um sacrilégio com o cânone de Sherlock, e que poderia acontecer com qualquer outro personagem de rapazinho detetive. Isso me dá a impressão de caça-níqueis, querer faturar com um personagem famoso. Você não acha?

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    1. sem dúvida alguma, Cristine. eu gostei de Enigma da Pirâmide quando assisti,mas acho que naquela altura eu só tinha lido um livro do cânone. nunca mais eu vi depois. e nem acho que seria difícil fazer um livro interessante para crianças e jovens com um Sherlock Holmes adolescente, sabe? mas teria que ter coragem de sair do lugar comum e acompanhar o personagem com coerência.

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  2. Eba, Brunhilde e as idéias ótimas! E que saudades de vir aqui no seu blog!
    Então tá, lá vai:
    "Vem-me à lembrança o seguinte: Hammett e eu estamos fazendo o desjejum com amigos num lugarejo do interior, dentro de um bar desses feiosamente arrumados com tamboretes altos. Hammett está me provocando. Conta como, em uma excursão de caça que fizemos ao apontar a arma para um pato em pleno vôo, acertei um ramo de lilases selvagens. Ele diz que não tenho senso de direção para nada.
    - É melhor não se fiar muito nisso - observo-lhe. - Se eu quiser, acerto uma cusparada direto no seu olho. Quanto você quer apostar?
    - As estampas japonesas, - diz ele, referindo-se a uma coleção de preciosos álbuns de arte japonesa que acabou de comprar e que adora, - cinquenta dólares e o direito de me dizer o que você entender durante toda uma semana.
    Cuspo-lhe diretamente no olho e a filha do casal que está conosco solta um grito. Hammett tinha um riso silencioso que começava devagarinho e depois vincava o seu rosto por bastante tempo. O riso começa, agora, e vai aumentando durante os olhares de desgosto e perplexidade dos outros que se acham à mesa. Ele diz, com orgulho:
    - Essa sim, que é a minha garota! De vez em quando a criança dentro dela faz das suas.
    (A Mulher Inacabada, Lillian Hellman)
    Esse é o primeiro livro de memórias da dramaturga norte-americana Lillian Hellman, que foi casada com Dashiel Hammett, citado aqui neste trecho. Ela escreve que é uma maravilha. Tomei conhecimento dela quando assisti o filme "Júlia" com a Vanessa Redgrave e Jane Fonda, sobre a história verídica das duas amigas Júlia e Lillian Hellman. O filme foi baseado no capítulo do livro Pentimento, segundo da trilogia autobiográfica de Lillian, em em que conta sobre a relação das duas. Aconselho a leitura a todos, mas principalmente para o deleite da mulherada liberada e sem firulas.

    Cris Romano

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    1. ei, Crisim, tu não animas de entrar no meme com o teu Mocó??

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  3. Brunhilde? Taí, gostei! Tudo a ver com Bruna Guerreiro, rsrsrs! Bela análise! Realmente, percebo que se o tema dá dinheiro eles usam e abusam dele, quando podem e os direitos autorais o permitem. Vide a salada que fazem a toda hora com a mitologia grega! Meus parabéns pela análise e pelo sucesso do Meme Literário 2013! Um dia ainda vou fazer análises boas assim que nem gente grande! :-)

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    1. Marcus, conheço pouca gente com mais apelido do que eu. e não espere análises assim de qq livro, eu fico mais verborrágica e apaixonada com Sherlock Holmes. :)

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  4. Essas adaptações ruins são como as sequências dos grandes blockbusters, desnecessárias.
    Obrigado pelo Meme 2013 que me incentiva a escrever mais.

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